paga e não bufes!

Há uns tempos, aspirava por um governo que, com firmeza, pusesse todos os portugueses a pagar impostos. Entretanto, veio Passos e pôs de facto mais portugueses a pagar impostos. Mas não todos. As grandes empresas continuam com sede na Holanda ou no Luxemburgo, onde a carga fiscal é mais branda. Muitos ricos continuam a fugir aos seus encargos, ou porque não declaram todos os rendimentos ou porque escapam com as suas fortunas para paraísos fiscais. Aos clubes de futebol, que pagam principescamente aos seus astros, são-lhes perdoados calotes. A Fundações oferecem-se benefícios fiscais, assim como a Fundos Imobiliários ou à Igreja, só para citar alguns casos mais conhecidos.

Passos, o Grande Disciplinador, fez com que a cabeleireira, o biscateiro, o mecânico, o dono da tasca da esquina entreguem ao Estado uma boa parte dos seus proventos. Mas fez mais, Passos. Fez com que os "devedores", não os mais ricos repete-se, sejam perseguidos como bandidos altamente perigosos para a segurança e o bem-estar da Nação. Por 500 euros ou coisa assim, penhoram-se contas bancárias, casas, automóveis e até bolos que eles não são tolos, nem Passos nem a Autoridade Tributária. E será que os "devedores" devem realmente? Não se sabe e nem eles, os "devedores", têm meios para enfrentar a máquina estatal. Assim sendo, ou perdem as casas, os automóveis, os bolos, ou pagam e não bufam, até ao último cêntimo, com juros de mora dignos do mais ganancioso dos agiotas.

E assim procede a Brisa, por intermédio do Fisco, cobrando milhares por dívidas de dezenas. E assim procede a Segurança Social, exigindo num dia o pagamento de uma dívida em falta e, noutro dia mais adiante, outra dívida de outro período qualquer e assim sucessivamente. E não vale a pena ripostar. As respostas às reclamações são lacónicas, aumentam a confusão já instalada, e no meio de tudo isto o pobre cidadão não se entende, não sabe o que tem que pagar e, pior, não sabe quantas mais dívidas as criaturas encontrarão nos seus canhenhos para vir, mais tarde, exigir a sua liquidação com juros de mora e penhoras e uma desfaçatez e uma falta de respeito que, em qualquer país decente, tinha resultado em tamanho escândalo que já o Governo tinha caído e os SS dos impostos e da SS despedidos por indecente e má figura.

Mas estamos em Portugal, onde o exemplo de prepotência e de falta de honestidade vem de cima e onde os de baixo, quase todos nós, nos resignamos calados e tementes a Deus, à Pátria, à Autoridade. Salazar foi azar, agora em reprise com Passos. Somos tratados como luxo na hora de votar e como lixo na hora de pagar.

E não é que, colectivamente falando, merecemos o fardo deste fado?

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