14/02/15

minha querida senhora

Claro, minha senhora. Sim, minha senhora. Pois não, minha senhora. Mais austeridade? Obviamente. Os portugueses aguentam, ai aguentam, se aguentam. Aguentam tudo. Aguentam-me há quase quatro anos. Aguentam o Aníbal. Aguentam o Paulo. Aguentaram o Relvas e o Gaspar. Aguentam roubos, expropriações, privatizações, desemprego, escândalos, corrupção, compadrio. Aguentam insultos à sua inteligência. Aguentam, olá se aguentam. Sim, querida senhora. Tudo o que pedir. Sacrifícios, impostos, cortes na Saúde, na Educação, nas prestações sociais. Eles comem e calam. Um povo heróico na sua obediência e servilismo. Sou o seu digno representante. Sim, querida senhora, tudo o que quiser, tudo o que exigir. Um criado às suas ordens. Sempre, sempre ao seu serviço.

13/02/15

o ai-jesus da tia e o outro, o estróina


Um é o ai-jesus da tia Ângela. Bom aluno, muito aplicado, atinado, queixinhas e manteigueiro, quem o quer ver é sentado ao lado da tia, sorrindo para a tia, amando a tia com um olhinho melado e acrobacias de cerviz. O outro é malandro e madraço, dado à desfaçatez de não pensar só nele, na sua ascensão social, no seu sucesso empresarial numa Tecnoforma de vão de escada. O primeiro vai ser qualquer coisa na vida. O segundo faz da vida uma qualquer coisa, um lugar mal amanhado onde o povo se atreve a ser gente, a ter voz, vontade, sonhos.

Um é uma laranja amarga a apodrecer na cesta. O outro, um Syriza no topo do bolo.

o agasalho do ministro e o jornalismo do ...

Esta gente anda janada. O Varoufakis apareceu em Bruxelas com um cachecol da Burberry, um cachecol, e não um sobretudo, uma gabardina ou um fato, e a comunicação social agitou-se, regozijou, proclamou aos quatro ventos que o ministro usa acessórios de luxo, tipo esquerda caviar, estão a ver?

A Grécia atravessa uma crise humanitária, o desemprego mina toda a Europa, o neoliberalismo transformou-se numa das grandes pragas do século XXI, há uma guerra na Ucrânia que pode tomar proporções inimagináveis, os fundamentalistas islâmicos aterrorizam e matam milhares de pessoas, mas a imprensa viu aqui o seu furo jornalístico, a sua oportunidade de deitar um pouco de veneno na fervura.

Ah! Ainda se o cachecol fosse para o enforcar!

mota soares jura a pés juntos que "o estado social está mais forte"


Foi ontem na Assembleia da República. Discutia-se a pobreza em Portugal, que os deputados da maioria negaram existir com a veemência de quem ostenta a palavra "mentiroso" escarrapachada na testa. A páginas tantas, páginas negras de um livro maldito, levantou-se o ministro dito do Trabalho e da Solidariedade Social, só dito porque ninguém acredita, e subiu ao púlpito para afirmar, com a veemência de quem ostenta a palavra "mentiroso" escarrapachada na testa, que o Estado Social nunca esteve tão forte como sob o seu reinado.

Estava a reinar. Só pode. A não ser que o Estado Social dele seja o da caridadezinha, das sopas do Sidónio de há 100 anos atrás, dos abrigos para os sem-abrigo sempre que o rei faz anos e em Portugal já não há rei há anos e anos, dos saraus de beneficência, da esmola para os pobres da Conferência de São Vicente de Paulo, dos chás dançantes onde as Pilitas, as Xaxões e as Blitas vão exibir as suas malitas Chanel e as suas almas caridosas, de cristãs tementes a Deus e amantes do deus pilim.

Só pode. Estranha maneira tem o Sr. Mota de pronunciar os éfes.

12/02/15

antónio costa perdoa quase 2 milhões de euros ao benfica


Cá está uma boa política socialista: ajudar os que gastam milhões de euros em contratações e salários farfalhudos. É justo. Enquanto isso, não há, por exemplo, uma política de ajuda aos sem-abrigo a não ser a habitual caridadezinha.

O mais educadamente que me é possível: nas próximas eleições, mudarão os insectos dípteros. A matéria fecal será quase da mesma cor, quase com o mesmo fedor.

a vitória da coragem e o grito de revolta

Por Baptista-Bastos
http://www.jornaldenegocios.pt/

Acerca da impressionante vitória do Syriza e do projecto que o envolve, o dr. Passos Coelho proferiu uma declaração pueril, que o define, ao mesmo tempo que indica o que o atemoriza. "É coisa de crianças", disse, numa frase mais mal enjorcada do que esta. Não é oportuno, neste momento, ajuizar da estratégia do líder do partido; porém, adivinha-se que o homem está disposto a enfrentar a borrasca, com a aliança estabelecida e, porventura, com outras mais.

A assunção de um novo paradigma não se destina, somente, a combater a "austeridade." O Syriza recusa este "rotativismo", que dura há décadas sebosas, entre "socialistas" e "sociais-democratas." Em Portugal, a situação é escandalosa. Nem o PS alguma vez foi "socialista", nem o PSD "social-democrata." Os dois partidos têm sido uma mixirufada, com entendimentos espúrios, que liquefazem a sua essência, qualquer que ela seja e signifique. Para garantir não se sabe o quê, o PS chegou a conubiar-se com o CDS, convém ter a memória viva. Talvez, mas não é certo, o António Costa dê a volta ao texto e restitua o PS à sua essência primordial, quando os seus militantes gritavam na rua "Partido Socialista, Partido Marxista." Não chegamos a tanto, mas acaso António Costa seja mais contundente e assertivo do que o anterior secretário-geral... A verdade, seja ela qual for, manifesta-se, no partido e fora dele, uma onda de entusiasmo, que aumenta as responsabilidades do secretário-geral.

A verdade é que a Europa dos povos está fatigada das aldrabices, dos jogos malabares, da ganância desenfreada da "alternância" sem "alternativa." E, também, da roda-viva reverencial que os chefes de Estado e de governo europeus fazem em torno da medonha Angela Merkel, que se comporta como dona disto tudo. O Syriza, entre outras coisas, veio provar que não é reverencial, independentemente do ódio histórico dos gregos pelos alemães. Durante a Segunda Grande Guerra, os nazis ocuparam, com brutalidade inaudita, o nobre país, roubaram, violaram, depredaram, fuzilaram os patriotas resistentes, em especial comunistas. A resistência grega foi uma página de coragem e de grandeza que nobilita a Europa. E quando Alexis Tsipras, líder do partido e primeiro-ministro grego, depôs um ramo de flores no túmulo dos resistentes comunistas, o acto possuiu uma dimensão simbólica.

Não desejo comentar as frases obscenas com que o PSD acolheu a chegada do Syriza ao Parlamento, uma das quais, "Ali Baba e os 40 ladrões", constitui um vómito, engolido por quem o proferiu, mas fornece a medida do pânico que grassa naquelas hostes, e do receio de que a força se pegue.

Um pouco por toda a Europa dos mais fracos começam a surgir movimentos desta natureza, que se opõem à destruição da democracia pelos partidos "tradicionais", cuja função tem sido a de enriquecer ou atribuir bons empregos e lugares aos seus mais dedicados prosélitos. Não tenhamos dúvidas de que as coisas não podem continuar nesta pouca-vergonha.

cavaco desmente coelho

O presidente Silva lá veio ontem a terreiro defender o seu menino-guerreiro, o segundo por acaso primeiro, este sim moeda da boa, um tesouro pátrio a preservar quanto mais não seja no Panteão Nacional. E aproveitou para condenar, com a facilidade de expressão que o caracteriza, o governo grego que anda a levantar a grimpa à nossa custa, a solidariedade tem que vir a par com a responsabilidade e uns fedúncios que querem tirar o seu povo da miséria, que querem libertar a Grécia da ocupação germanizada, não são mais do que tresloucados irresponsáveis a pedir golpe de Estado e coronéis a tomarem-lhes o poder.

Até aqui nada de surpreendente, o presidente Silva mais não fez do que cumprir a sua função de porta-voz governamental, coisa a que estamos habituados desde há muito. Mas o presidente Silva cometeu um deslize, e nada pequeno: desmentiu Coelho ao dizer que, em Portugal, têm sido as classes desfavorecidas as mais prejudicadas com a crise.

Aos meus eventuais leitores de memória curta e raciocínio enviesado, que os há a ler-me vá-se lá saber porquê e para quê, lembro-lhes a paixão, o vigor, a convicção com que Coelho disse há uns tempos que a austeridade não lixou os mexilhões tanto como tramou os pobres ricos das contas suíças e economias, conquistadas à força de tão duras penas, languidamente a banhos pelas Caimão ou pelas Bahamas.

Então? Em que ficamos? Fomos ou não lixados, tratados como lixo? 

O mexilhão quer saber. Já agora.

11/02/15

crimes de Estado

Alguém está a agir contra a Segurança Social e o assalto que estão a fazer a muitos utentes com exigências indevidas de pagamentos "em atraso" e penhoras abusivas sem sequer dar cavaco ao lesado?

Quem põe cobro a isto? Quem os julga? Quem os incrimina?


10/02/15

o pai que mente

exterminadora implacável

http://www.theglobeandmail.com/
A Europa, sempre a Europa, civilizada e pusilânime Europa. 

Nos anos 30 do século passado, os europeus levaram tempo a reagir contra Hitler, acataram-no, aceitaram-no até ser tarde demais. Décadas depois, eis Merkel com o mesmo sonho de sempre: dominar o Continente, se não pelas armas que seja ao menos pela força do capital.

Tal como então, temos os colaboracionistas, sendo o "nosso" Coelho um dos mais indefectíveis apoiantes das tácticas, ideias, ditames, mandamentos de Merkel. É o Pétain dela, o seu pet de estimação, e Lisboa a sua Vichy. O povo germânico, esse, aclama Merkel como aclamou Hitler. Os outros, alguns revoltam-se, a maioria acomoda-se, conforma-se, empobrece e cala.

A Grécia está quase a libertar-se do jugo alemão numa luta difícil, desigual. Por um lado, as tropas financeiras, as armas económicas e o poderio messiânico de Merkel, por outro um pequeno país munido de varapaus e povoado de famintos.

Merkel, tal como Hitler, acabará por ser erradicada. Mas a História não deixará de a julgar também. Uma mulher entregue aos seus sonhos de grandeza, levada em ombros por anões políticos, vassalos obedientes, pequenos seres sem coluna vertebral e sem orgulho pátrio, traidores do seu povo, mandaretes de tresloucada.

Levante-se a Grécia! A seguir será a nossa vez.

dolorosa picada


O SNS vai deixar de ministrar um medicamento, imprescindível no dizer de alguns médicos para tratamento de emergência da esquizofrenia, porque o seu preço aumentou de qualquer coisa como 4 para 20 euros, correspondendo a um acréscimo de despesa anual, por parte do Ministério da Saúde, de 10.000 euros. Leram bem: dez mil.

Ao mesmo tempo, outro Ministério, o das Finanças, prepara-se para antecipar o pagamento da dívida ao FMI e desembolsar 14 mil milhões de euros. Leram bem: catorze mil milhões.

As pessoas primeiro? Não, nunca para coelhos e coelhas saídos da toca para nos roerem carne e ossos.

ainda dizem que são as putas os seres de vida fácil

Marc Lagrange

O HSBC é um banco inglês que, vem-se a saber agora, detém cerca de 100 mil milhões de euros nos seus cofres fortes suíços, muito desse dinheiro aí resguardado para fugir ao fisco porque, sempre se soube e mais uma vez se confirma, os ricos não pagam crises, nem que Cristo desça à Terra ou os porcos ganhem asas ou o mundo juízo.

Portugal, pobrezinho e desonrado, ocupa o 45º lugar em dinheiro depositado na instituição. Apenas 611 portugueses, uma ninharia!, têm lá conta, num total de apenas 855 milhões de euros, uma miséria! A Suíça, o Reino Unido, os Estados Unidos e a França estão no topo da tabela. Ah!, e a Venezuela, porque essa coisa do Chavismo assusta os mais empreendedores e é preciso pôr a cheta em bom recato antes que Maduro, não o Poiares mas o outro, se vá a ela como o gato se atira ao bofe.

E esta é apenas a ponta do icebergue. Muitos outros milhões se escondem noutros bancos, noutros países, noutros off-shores. Of course!

Grande sorte, a desta gente, ter nascido puta. A vida nunca lhes foi tão fácil.

parecem resmas de papel à solta, astutos, astutos

Dizem por aí que desapareceu, dentro da Assembleia da República, a petição assinada por milhares de cidadãos a exigir a reabertura do processo dos submarinos.

Convenhamos: andam a voar papéis a mais relacionados com este caso.

Esperemos, ao menos, que tenham sido fotocopiados.

09/02/15

jobs for the boys

Também eu quero um emprego assim. Das 9 às 5, sem cartões nem complicações.

Claro que, por esta altura, já muitos estarão a despejar as gavetas (ou, como o outro, a tirar fotocópias sabe-se lá de quê). A seguir virá o PS, se vier, e os cargos serão redistribuídos como bodo aos pobrezinhos, este para ti, aquele para mim, pataca a ti, pataca a mim, já nos cheira a pilim.

Quando é que isto vai acabar? Quando os portugueses decidirem mudar. Já tarda.



08/02/15

de taxinha arreganhada


dona paulinha está com miúfa

D. Paulinha está com um cagaço do caraças do que o futuro nos reserva, a todos nós portugueses, porque o presente tem sido um presente de Paulinha e do seu chefe querido, um caturra que só visto, mais do Paulinho colateral. É que se o PS, esses quasi-comunistas como toda a gente sabe, ganharem as próximas eleições, estamos feitos, estamos fritos, a independência dos tribunais e de Carlos Alexandre serão um ver se te avias, vejam lá que eles até são capazes de soltar o Sócrates, um despautério, uma aberração que não podemos tolerar, é preciso que o chefe comece já a prometer, a jurar a pés juntos que todos os salários serão repostos, as reformas aumentadas, os impostos rebaixados e por aí fora que prometer não custa dinheiro e o que faz falta é ludibriar a malta.

Entrementes, de tão preocupada que está com a independência da Justiça, a D. Paulinha mete a Ordem dos Advogados na ordem: de acordo com os novos estatutos, produzidos a partir do Terreiro do Paço e não do Largo de São Domingos, a Ordem vai ficar sob a alçada do Ministério da Justiça.

É isso: à D. Paulinha o que é da D. Paulinha. Um brinquedo novo já lhe dá para aliviar os afrontamentos causados pelo medo que nutre por António Costa, esse quasi-Estaline, quasi-Castro, quasi-Chavez.

É preciso deixá-lo de Tsipras de fora. E Sócrates dento.

tristes fados

Era assim que se vivia sob a bota de Salazar. Má era a vida de quem por cá ficava, má era a vida de quem partia. 

Sob o sapato de berloque de Coelho, estamos a voltar para trás. Outros emigrantes, diferentes daqueles que fugiam a salto nos anos 60, vão tentar ter a vida que o seu país lhes negou, vão casar e ter filhos, poucos regressarão. Os que ficam, vêem as suas condições de vida degradarem-se todos os dias, má educação, má saúde, desrespeito pelos mais velhos e pelos doentes, os desempregados tratados como párias, os empregados tratados como pagadores de impostos cada vez mais altos, todos tidos por gente estúpida, gente que se pode tratar como lixo e enganar por altura de eleições.

Se morre gente nas urgências, se se cometem suicídios, se empobrecemos, se nos roubam, se nos lidam como gado, a culpa é nossa. De uns porque votaram nessa gente. De outros porque, mansamente, se calam e se escondem em casa com medo do futuro. Da vida.

As fotografias são de Gerard Bloncourt, cujo blogue merece uma visita:
http://bloncourtblog.net