20/10/12

não brinques com o fogo, obama



esta manhã, em londres


somos gregos, vemo-nos gregos


manifesto em defesa da civilização

Abaixo-assinado promovido por um grupo de economistas brasileiros:



Vivemos hoje um período de profunda regressão social nos países ditos desenvolvidos. A crise atual apenas explicita a regressão e a torna mais dramática. Os exemplos multiplicam-se. Em Madri uma jovem de 33 anos, outrora funcionária dos Correios, vasculha o lixo colocado do lado de fora de um supermercado. Também em Girona, na Espanha, diante do mesmo problema a Prefeitura mandou colocar cadeados nas latas de lixo. O objetivoalegado é preservar a saúde das pessoas. Em Atenas, na movimentada Praça Syntagma situada em frente ao Parlamento, Dimitris Christoulas, químico aposentado de 77 anos, atira contra a própria cabeça numa manhã de quarta-feira. Na nota de suicídio ele afirma ser essa a única solução digna possível frente a um Governo que aniquilou todas as chances de uma sobrevivência civilizada. Depois de anos de precários trabalhos temporários o italiano Angelo di Carlo, de 54 anos, ateou fogo a si próprio dentro de um carro estacionado em frente à sede de um órgão público de Bologna.


Em toda zona do euro cresce a prática medieval de anonimamente abandonar bebês dentro de caixas nas portas de hospitais e igrejas. A Inglaterra de Lord Beveridge, um dos inspiradores do Welfare State, vem cortando recorrentemente alguns serviços especializados para idosos e doentes terminais. Cortes substantivos no valor das aposentadorias e pensões constituem uma realidade cada vez mais presente para muitos integrantes da chamada comunidade europeia. Por toda a Europa, museus, teatros, bibliotecas e universidades públicas sofrem cortes sistemáticos em seus orçamentos. Em muitas empresas e órgãos públicos é cada vez mais comum a prática de trabalhar sem receber. Ainda oficialmente empregado é possível, ao menos, manter a esperança de um dia ter seus vencimentos efetivamente pagos. Em pior situação está o desempregado. Grande parte deles são jovens altamente qualificados. A massa crescente de excluídos não é um fenômeno apenas europeu. O mesmo acontece nos EUA. Ali, mais do que em outros países, a taxa de desemprego tomada isoladamente não sintetiza mais a real situação do mercado de trabalho. A grande maioria daqueles que hoje estão empregados ocupam postos de trabalhos precários e em tempo parcial concentrados no setor de serviços. Grande parte dos postos mais qualificados e de melhor remuneração da indústria de transformação foi destruída pela concorrência chinesa. Nesse cenário, a classe média vai sendo espremida, a mobilidade social é para baixo e o mercado de trabalho vai ficando cada vez mais polarizado no país das oportunidades. No extremo superior, pouquíssimos executivos bem remunerados que têm sua renda diretamente atrelada ao mercado financeiro. No extremo inferior, uma massa de serviçais pessoais mal pagos sem nenhuma segurança, que vivem uma realidade não muito diferente dos mais de 100 milhões que recebem algum tipo de assistência direta do Estado. O Welfare State, ao invés de se espalhar pelo planeta, encampando as tradicionais hordas de excluídos, encolhe, aumentando a quantidade de deserdados.

Muitos dirão que essa situação será revertida com a suposta volta do crescimento econômico e a retomada do investimento na indústria de transformação nestes países. Não é verdade. É preciso aceitar rapidamente o seguinte fato: no capitalismo, o inexorável progresso tecnológico torna o trabalho redundante. O exponencial aumento da produtividade e da produção industrial é acompanhado pela constante redução da necessidade de trabalhadores diretos.

Uma vez excluídos, reincorporam-se – aqueles que o conseguem – como serviçais baratos dentro de um circuito de renda comandado pelos detentores da maior parcela da riqueza disponível. Por isso mesmo, a crescente desigualdade de renda é funcional para explicar a dinâmica desse mercado de trabalho polarizado. Diante desse quadro, uma pergunta torna-se inevitável: estamos nós, hoje, vivendo uma crise que nega os princípios fundamentais que regem a vida civilizada e democrática? E se isso for verdade: quanto tempo mais a humanidade suportará tamanha regressão? A angústia torna-se ainda maior quando constatamos que as possibilidades de conforto material para a grande maioria da população deste planeta são reais. É preciso agradecer ao capitalismo, e ao seu desatinado desenvolvimento, pela exuberância de riqueza gerada. Ele proporcionou ao homem o domínio da natureza e uma espantosa capacidade de produzir em larga escala os bens essenciais para as satisfações das necessidades humanas imediatas. Diante dessa riqueza, é difícil encontrar razões para explicar a escassez de comida, de transporte, de saúde, de moradia, de segurança contra a velhice, etc. Numa expressão, escassez de bem estar! Um bem estar que marcou os conhecidos “anos dourados” do capitalismo. A dolorosa experiência de duas grandes guerras e da depressão pós 1929, nos ensinou que deveríamos limitar e controlar as livres forças do mercado. Os grilhões colocados pela sociedade na economia explicam quase 30 anos de pleno emprego, aumento de salários e lucros e, principalmente, a consolidação e a expansão do chamado Estado de Bem Estar Social. Os direitos garantidos pelo Estado não deveriam ser apenas individuais, mas também coletivos.
Vale dizer: sociais. Dessa maneira, ao mesmo tempo em que o direito à saúde, à previdência, à habitação, à assistência, à educação e ao trabalho eram universalizados, milhares de empregos públicos de médicos, enfermeiras, professores e tantos outros eram criados.

O Welfare State não pode ser interpretado como uma mera reforma do capitalismo, mas sim como uma grande transformação econômica, social e política. Ele é, nesse sentido, revolucionário. Não foi um presente de governos ou empresas, mas a consequência de potentes lutas sociais que conseguiram negociar a repartição da riqueza. Isso fica sintetizado na emergência de um Estado que institucionalizou a ética da solidariedade. O individuo cedeu lugar ao cidadão portador de direitos. No entanto, as gerações que cresceram sob o manto generoso da proteção social e do pleno emprego acabaram por naturalizar tais conquistas. As novas e prósperas classes médias esqueceramque seus pais e avós lutaram e morreram por isso. Um esquecimento que custa e custará muito caro às gerações atuais e futuras. Caminhamos para um Estado de Mal Estar Social!

Essa regressão social começou quando começamos a libertar a economia dos limites impostos pela sociedade, já no início dos anos 70. Sob o ideário liberal dos mercados, em nome da eficiência e da competição, a ética da solidariedade foi substituída pela ética da concorrência ou do desempenho.

É o seu desempenho individual no mercado que define sua posição na sociedade: vencedor ou perdedor. Ainda que a grande maioria das pessoas seja perdedora e não concorra em condições de igualdade, não existem outras classificações possíveis. Não por acaso o principal slogan do movimento Occupy Wall Street é “somos os 99%”. Não por acaso, grande parte da população espanhola está indignada.

Mesmo em um país como o Brasil, a despeito dos importantes avanços econômicos e sociais recentes, a outrora chamada “dívida social” ainda é enorme e se expressa na precariedade que assola todos os níveis da vida nacional. Não se pode ignorar que esses caminhos tomados nos países centrais terão impactos sob essa jovem democracia que busca, ainda, universalizar os direitos de cidadania estabelecidos nos meados do século passado nas nações desenvolvidas.

Como então acreditar que precisamos escolher entre o caos e austeridade fiscal dos Estados, se essa austeridade é o próprio caos? Como aceitar que grande parte da carga tributária seja diretamente direcionada para as mãos do 1% detentor de carteiras de títulos financeiros? Por que a posse de tais papéis que representam direitos à apropriação da renda e da riqueza gerada pela totalidade da sociedade ganham preeminência diante das necessidades da vida dos cidadãos? Por que os homens do século XXI submetem aos ditames do ganho financeiro estéril o direito ao conforto, à educação e à cultura?As respostas para tais questões não serão encontradas nos meios de comunicação de massa. Os espaços de informação e de formação da consciência política e coletiva foram ocupados por aparatos comprometidos com a força dos mais fortes e controlado pela hegemonia das banalidades. É mais importante perguntar o que o sujeito comeu no café da manhã do que promover reflexões sobre os rumos da humanidade.

A civilização precisa ser defendida! As promessas da modernidade ainda não foram entregues. A autonomia do indivíduo significa a liberdade de se auto-realizar. Algo impensável para o homem que precisa preocupar-se cotidianamente com sua sobrevivência física e material. Isso implica numa selvageria que deveria ficar restrita, por exemplo, a uma alcateia de lobos ferozes. Ao longo dos últimos de 200 anos de história do capitalismo, o homem controlou a natureza e criou um nível de riqueza capaz de garantir a sobrevivência e o bem estar de toda a população do planeta. Isso não pode ficar restrito para uma ínfima parte. Mesmo porque, o bem estar de um só é possível quando os demais à sua volta encontram-se na mesma situação.

Caso contrário, a reação é inevitável, violenta e incontrolável. A liberdade só é possível com igualdade e respeito ao outro. É preciso colocar novamente em movimento as engrenagens da civilização.

Os signatários


portugal, inferno à beira-mar ateado

Não me espanta que os jovens, e até menos jovens, estejam a emalar a trouxa e a zarpar. Portugal transformou-se num lugar amaldiçoado onde é impossível ser feliz. Assaltado pelo capital mais desumano, com o prestimoso auxílio de Passos e demais colaboracionistas nesta ofensiva vergonhosa à vida e aos bens da larga maioria dos portugueses, o País transforma-se, a cada dia que passa, numa nova Grécia onde só falta (ainda) a violência. Há fome. Há desemprego. Os cuidados de saúde são cada vez mais sonegados pelos senhores do poder. Os remédios podem vir a faltar, muito brevemente, nas farmácias. A cultura e a educação são luxos que se negam. Os portugueses são espoliados por todos os meios e por meio de todos os impostos, taxas, emolumentos, deduções, pagamentos por conta que o fisco, a fazer jus ao seu nome, confisca. Portugal vive num inferno à beira-mar ateado onde os diabos andam à solta. Dizem-nos que não há outra solução do que continuar a deitar achas para a fogueira. Os ânimos estão incendiados. Os portugueses estão a mudar, a raiva cresce. Eu, se fosse aos pirómanos, tinha cuidado. Muito cuidado.


era bom que o seguro falasse assim também mas, ah!, esse é de um partido que não deve ser o do galamba

sempre que gaspar fala, é isto que acontece

Ideia roubada ao http://trespassaopassos.tumblr.com/

a fama de passos já chegou longe

Ideia roubada ao http://trespassaopassos.tumblr.com/

19/10/12

porto de abrigo

 Fotografia: Filipe P Neto
https://www.facebook.com/Porto.Melhor.Cidade

o cerco aperta-se

Estas fotografias são de 15 de Outubro. Dia 31 voltamos lá. O CDS e o PSD vão aprovar nesse dia o orçamento de Estado, a sentença final do nosso empobrecimento. Não sou eu quem o diz. Diz quem sabe e quem é politicamente insuspeito de simpatias de esquerda. Não podemos recorrer ao presidente. Não podemos contar com Portas (olha quem!). Seremos nós e a nossa voz. Cercai o parlamento com a vossa polícia. Nós vamos cercá-lo com a nossa razão. 


menos um homem bom

Morreu Manuel António Pina. Nunca lhe agradeci as suas muitas crónicas que roubei para as trazer para aqui. Obrigado, Manuel.


arrufos de namorados

Imagem: http://elfrascoon.blogs.sapo.pt/

a evolução da espécie política


18/10/12

esta tarde, na locanda das regateiras


Por puro masoquismo, acho eu, estive a assistir a um bocado do debate de hoje na Assembleia da República. Nada de novo. A direita, a tal que acusava o PCP de meter a cassete e cá vai disto, repete até à saciedade os mesmos argumentos. Um, o de culpabilizar o PS por ter sido este partido a pedir o resgate e ter conduzido o país à quase bancarrota. Outro, o de acusar a oposição, toda ela, de não apresentar alternativas. Duas monstruosas mentiras, como tantas afinal vindas dali daquele recanto, mais ou menos poluído, da locanda das regateiras.

Vejamos:

* a oposição tem apresentado dezenas de alternativas, quer através dos partidos quer dos sindicatos e da sociedade civil; o governo não está é interessado em acolhê-las e em mudar de rumo porque isso representaria o fim de um plano, que há muito vinha sendo urdido, de empobrecer os portugueses, fragilizá-los, transformá-los no alvo ideal dos predadores do trabalho de cada um.

* o PS, verdade seja dita e honra lhe seja feita, resistiu até ao último minuto a pedir um resgate, tendo sido o próprio Passos Coelho ("sinto-me muito confortável em governar com a troika", dizia ele muito antes da queda de Sócrates e das eleições) a precipitar o pedido de "ajuda" externa. Claro que o que ele queria, ao mesmo tempo, era o derrube do governo PS. E conseguiu os seus intentos.

* o PS não é o único culpado pela situação a que chegámos. É um dos culpados. O PSD e o CDS não têm menores responsabilidades. Olha os submarinos! Olha o BPN! Olha a Tecnoforma! Olha as PPP's e outros negócios ruinosos feitos durante as governações PSD/CDS! Olha as frotas automóveis, os salários, as benesses de que não querem abdicar!

Pedro Passos Coelho tem sorte, os portugueses é que têm azar, muito. Sorte por ter surgido a crise económica americana em 2008. Sorte por ter como aliada a senhora Merkel que quer fazer, pela economia, o que Hitler não conseguiu pela força das armas. Sorte por ter Durão Barroso, essa magnânime inutilidade, à frente da Comissão Europeia. Sorte por ter Cavaco Silva como presidente desta atormentada República. Os astros, até agora, estiveram todos a seu favor e, por isso, está quase a conseguir destruir o país em prol da entidade anónima, mas poderosíssima, que constitui os seus verdadeiros e únicos patrões: os "mercados", o grande capital interessado no saque de Portugal e na ruína dos portugueses, como de outros povos do Sul da Europa.

O que se está a passar por Portugal, pela Grécia, por Espanha e por Itália, ninguém me tira isto de cabeça, faz parte de um plano há muito delineado e onde Passos não passa de um mero empregadote de terceira categoria, um pau-mandado. Nós, todos nós, seja qual for a nossa simpatia política, não podemos permitir o recuo civilizacional, e irracional, que nos querem impor. Socialismo, comunismo, democracia-cristã, social-democracia, todas estas correntes, por muito que se antagonizem, têm que estar unidas, nem que seja uma vez na história, no combate à destruição neoliberal, pró-fascista, de todos os seus feitos de décadas, entre eles o Estado Social.

A Europa (como grande parte do mundo, aliás) está assente num barril de pólvora. Que ninguém acenda o rastilho.

cozido, assado, grelhado, já marchava!


nas mãos de um ditador


É a nossa sina, ministros das Finanças tornados ditadores. Salazar foi o primeiro. Gaspar é o senhor que se segue. Os acontecimentos vindos a lume nos últimos dias, e a notícia de hoje de que, na ausência de Coelho no estrangeiro, será Gaspar a liderar o Conselho de Ministros, não dão margem para dúvidas. Quem manda no governo é Gaspar, Coelho apenas lhe segue os passos e lhe obedece como obedece à Merkel, porque Coelho não sabe o que fazer a não ser acreditar que Merkel e Gaspar são o casal maravilha que o vai salvar de uma vergonhosa governação. Assim sendo, Gaspar e as opiniões de Gaspar e as decisões de Gaspar têm primazia sobre as de todos os outros ministros. Mesmo humilhando Portas e o CDS, que engolem sapos vivos alegando que a pátria e a estabilidade política estão primeiro. Gaspar, se o deixarem, será o novo Salazar. Tem tudo para isso. As ideias, a voz pausada, a obstinação, a falta de sentimentos verdadeiramente humanos. Gaspar é, tão só, uma máquina de parir números. Uma máquina avariada, ao que se vê, onde os números não batem certo e nos conduzem para um fim trágico, cada vez mais anunciado, denunciado, sem que ninguém venha em nosso socorro. Um país escavacado porque Cavaco se cala. Um país encravado porque o tonto do Rato nada faz, foge da governação como o diabo da cruz. Um país espatifado porque a esquerda, a verdadeira e não a do tonto do Rato, não se entende nem se quer entender, assumindo-se como alternativa credível aos olhos dos portugueses. É a nossa sina. Temos que ir à bruxa.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.blogspot.pt

coelhinho mentiroso, de castigo já não vai com a menina e o pai natal no comboio ao circo

"O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, afirmou, este sábado, que fez as contas e está em condições de garantir que não será preciso cortar salários nem fazer despedimentos para consolidar as finanças públicas portuguesas.

"Nós calculámos e estimámos e eu posso garantir-vos: não será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento financeiro", afirmou Pedro Passos Coelho, no encerramento do fórum de discussão "Mais Sociedade", no Centro de Congressos de Lisboa.

O PSD quis "vasculhar tudo" para ter contas bem feitas e, "relativamente a tudo aquilo que o Governo não elucidou bem", procurou "estimar", preferindo fazê-lo "por excesso do que por defeito", referiu.
...
"Não será necessário em Portugal cortar mais salários nem despedir gente para poder cumprir um programa de saneamento financeiro, mas temos de ser efectivos a cortar nas gorduras", completou Passos Coelho."

JN - 2011 - Durante a campanha eleitoral para as Legislativas

O trecho acima é elucidativo. O vídeo abaixo também. Para justificar todas as promessas não cumpridas, todas as garantias defraudadas, Coelho desculpa-se agora com o facto de ter encontrado a situação do país pior do que antecipava antes de ser eleito. É mentira. É mais uma mentira. Passos sabia ao que ia, o que ia encontrar. Pedro Passos, ainda antes das eleições, declarava-se muito confortável em governar com a troika. Passos Coelho afirmou, pouco depois das eleições, que era preciso que os portugueses empobrecessem. Pedro Coelho tem um plano para Portugal e o argumento da troika e da "ajuda" externa é um bom pretexto para o levar avante: transformar Portugal num paraíso de mão-de-obra barata. Saiu-lhe o tiro pela culatra. Nunca pensou que muitos patrões não lhe agradecessem a bondade das medidas, antes estejam contra elas e contra ele. Nunca esperou que as suas decisões, para além de empobrecerem os portugueses, afundassem a economia. Um erro de cálculo? Crueldade? Leviandade? Garotice? O tempo o dirá. Para já, ele não desiste. E nós também não. Só descansaremos quando o virmos apanhar o avião para uma grande capital para estudar, que bem precisa, ou fazer pela vidinha. Com bilhete só de ida.

Cá para mim, devia haver uma lei que proibisse o não cumprimento das promessas e do programa eleitoral, sob pena de renúncia imediata ao mandato por quebra de contrato com os eleitores.


17/10/12

the killers


ora aqui está uma boa iniciativa

Há que tempos que os povos PIGS deviam ter encetado acções conjuntas. Há muito que os governos PIGS deviam ter feito uma frente comum contra a austeridade que tanto está a sacrificar, em vão, os seus povos. Talvez este seja um começo. Dia 20. Em Londres.


vendam-se as cidades, venda-se o mar, venda-se tudo

Consta do orçamento: o nosso património cultural pode ser concessionado a terceiros. Já estou a ver os Jerónimos transformados numa imensa fábrica de automóveis, reparem bem naquela largueza, o Centro Cultural de Belém num adequadíssimo parque empresarial, o Parlamento num hotel de luxo, a Torre de Belém num recinto para espectáculos porno. Mas eu, se fosse ao Passos, ao Portas, ao Viegas e aos demais doutores iria mais longe. Vejamos: o mar pode ser concessionado a Espanha, a Marrocos ou a quem o quiser pagar; as matas e florestas podem ser vendidas à Finlândia para a indústria do papel; a serra da Estrela podia servir para construir um imenso luna parque europeu. E nós podíamos ser vendidos aos alemães que, para nos acolher, criariam campos de trabalhos forçados. Pense nisso, doutor Viegas. Vá nessa, doutor Pereira. Acabe com a raça dos homens que não pagam as contas, doutor Passos.

calvário português

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o que passos e gaspar estão a fazer a portugal

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tão amigos que eles eram!


O cenário está montado, que Passos é useiro e vezeiro em tramóias de baixa política: se Portas não aprovar o orçamento, se o CDS sair do governo, culpá-lo-á pelo segundo resgate que, vingativo, se apressará a pedir. Ou seja, por um lado avisa que as medidas previstas no orçamento, de assalto total ao bolso dos portugueses, foram aprovadas pela troika e, como tal, se o documento não for aprovado não nos será fornecida mais uma tranche do empréstimo; por outro lado, quer-nos fazer crer que, sem mais aquelas, a troika aceitará conceder-nos um segundo resgate sem quaisquer condições, pois ele não estará em posição de aceitar seja o que for porque já não terá a maioria na Assembleia.

Mas adiante.

Que irá fazer Portas, ele que acusava Sócrates, perante medidas apesar de tudo bem mais brandas do que estas, de um holocausto fiscal e outros sinónimos igualmente bombásticos? Quanto a mim, oxalá esteja enganado, vai fingir amuos e arrufos com Passos, mas aceitará o orçamento. Passará a ideia, para os portugueses, de que está contra o orçamento mas que, por um dever patriótico, para que o poder não caia na rua e Portugal não perca a "ajuda" da troika, se submeterá aos fatais intentos de Passos e Gaspar.

Assim, quando dentro de seis meses, ou até menos, Portugal sossobrar de vez, Portas dirá que não teve culpa de nada, que sempre foi contra, que foi um patriota e nada mais.

Oxalá, repito, esteja enganado. Para bem de todos nós. Para que este pesadelo acabe. Dois homens, Passos e Gaspar, não podem desgraçar um país sem que nada se faça para os deter.

valha-o deus, policarpo

Por Baptista-Bastos

D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa, disse, em Fátima, ser contra as manifestações populares, as quais, assim como as revoluções, nada resolvem. A frase é inquietante, proferida por quem é: um homem culto, conhecedor da História e dos movimentos sociais que explicam e justificam as modificações políticas. Mais: numa altura em que o País vive uma crispação inédita, onde a fome, a miséria e a angústia estão generalizadas, as palavras de D. Policarpo não são, somente, insensatas - colocam o autor no outro lado do coração das coisas.

Diz, ainda, o solene purpurado: "Até que ponto é que nós construímos uma saúde democrática, com a rua a dizer como se deve governar?" Não contente com a afirmação adianta, sem hesitar e sem pejo: "O que está a acontecer é uma corrosão da harmonia democrática, [sic] da nossa Constituição e do nosso sistema constitucional."

D. Policarpo deve saber que a legalidade do voto não legitima acções de dissolução, como as praticadas, diariamente, por este Governo, contra as populações, contra a Constituição, contra as normas mais elementares do viver democrático. Deve também saber que a rua possui o poder de corrigir, com o protesto, a insolência de quem se julga detentor do direito absoluto. "Vamos cumprir o nosso rumo, custe o que custar", na expressiva vocação totalitária do primeiro-ministro, é, isso sim, "uma corrosão da harmonia democrática." E D. Policarpo, que parece crer em alguns absurdos, acredita, seriamente, que os portugueses vivem, mesmo, nessa benfazeja e bendita concórdia? Só assim se justificaria a enormidade das suas declarações.

O pacifismo e a magnitude das últimas manifestações podem e devem ser interpretados como uma insubmissão de dissidência, e repúdio pela maneira como somos conduzidos e governados. No fundo, a rua é o lógico prolongamento de um mal-estar que o cardeal parece dramaticamente ignorar ou omitir. Ele não gosta da rua, e está no seu direito. Mas já não é de seu direito condenar aqueles que recusam a servidão imposta por esta "harmonia democrática", quando ela é tripudiada por um Governo que exerce o poder nas raias da ilegalidade, como o asseveram o Tribunal Constitucional e muitos outros constitucionalistas.

Sabe-se que D. Policarpo sempre foi muito recatado em condenar os desmandos do poder. Ele é mais das meigas coisas celestinas do que das asperezas terrenas. Assim, serviu-se, acaso excessivamente, ao longo dos anos, de metáforas mimosas para não dizer o que dele se esperava: a clareza do verbo e a argumentação qualitativa do requisitório evangélico. Desta vez, porém, a frase foi desprovida de adornos. E, com irada exacerbação, deu amparo e continuidade às ideias e aos processos do poder, vituperando aqueles que, legitimamente, o contestam.

Valha-o Deus!

persona non grata

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

a pensar morreu um burro

Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

o gaspar é que sabe!


Manuela Ferreira Leite avisa que o orçamento de Estado é irrealizável? É parva, o Gaspar é que sabe. Bagão Félix alerta que o orçamento vai provocar uma septicemia na economia? É idiota, o Gaspar é que sabe. Cavaco Silva, em singelo recado no Facebook, apela à procura de alternativas que não sejam a de empobrecer ainda mais os portugueses? É um tolo, o Gaspar é que sabe. Ministros, economistas, o povo, todos estão contra ele? São uns otários, o Gaspar é que sabe. Gaspar sabe muito bem que está a fazer uma revolução que transformará Portugal na China da Europa. E Gaspar sabe que, quando for corrido do governo por ter destruído o País e a economia, voltará a percorrer os corredores da alta finança internacional em lugares opiparamente pagos. Nessa altura, nem se vai lembrar de que Portugal existe. Foi só um acidente no seu percurso de brilhante economista. Gaspar anda a brincar com as vidas de 10 milhões de portugueses. Quando o brinquedo estiver gasto, partido, exangue, terá ele novos e compensadores divertimentos com que entreter a sua mente iluminada. Aos brinquedos velhos dá-se-lhes um destino: o lixo. Porque, para Gaspar, esse ser quase celeste, somos isso, lixo.Triste, trágico, é que ninguém se mexa. Que o deixem brincar, fazer experiências "científicas" com 10 milhões de vidas. Gaspar é criminoso. Como tal devia ser tratado.

16/10/12

uma bandeira a condizer com os esforços de paz


separadas à nascença

Os  PIGS não lhe perdoam. Não esquecerão tão cedo a devastação que a "gorda", no dizer sempre inspirado de Ricardo Araújo Pereira, provocou na Europa do Sul. Vamos receber a megera, a porquinha, mantendo alta a nossa tradição de hospitalidade: se a polícia nos deixar chegar tão perto, remota hipótese, ofereçamos-lhe o lixo que (ainda) sobra nos nossos caixotes. Quem dá o que tem a mais não é obrigado.


gente como nós

 Fotografia: http://sol.sapo.pt

a revolta dos tachos




uma orgia fiscal sem precedentes

Por Tiago Mesquita

Uma desgraça. Este governo é catastrófico. Se existisse uma escala, à semelhança da escala de Richter, mas para medir os efeitos negativos, o desnorte e a incompetência política, este governo seria uma espécie de Lisboa 1755 com cobertura de Áquila 2009, salpicos de Haiti 2010 e um banho final de Banda Aceh 2004. Tudo treme à passagem de Passos e companhia. Nada permanece intocado. A cada medida produzida é mais um abanão nas estruturas da sociedade e meia dúzia de fendas na democracia. E quando julgamos estar tudo mais tranquilo surgem as réplicas prolongadas pela voz do entediante Vítor Gaspar. No final, quando já praticamente nada resta, vemos ao longe um levantamento de água fora do normal. Uma espécie de onda que se vai avolumando, agigantando ao encurtar da distancia, e que ao embater com estrondo varre tudo o que parecia ter sido poupado. 

Nunca vi tamanha desorientação e descontrole. Pior, para além da incompetência das medidas, do descalabro económico e social gerado por uma visão fiscal doentia, do falhanço monumental das politicas de crescimento (inexistentes) que levaram ao governo defunto que temos, um grupo de indivíduos a funcionar por espasmos e ao acaso baseados numa fé cega, perdeu-se algo que é fundamental em qualquer relação: a confiança e o respeito. Os portugueses não confiam em absolutamente ninguém ligado ao governo. Não confiam em ninguém ligado à política. Não respeitam quem elegem. Não os suportam. Tornou-se uma impossibilidade democrática. A negligência social, o desrespeito pelos cidadãos, a mentira e as historietas a mais com explicações a menos deixaram de ser admissíveis. Tornaram-se impossíveis de suportar. Este governo não tem margem para pedir absolutamente nada, muito menos sacrifícios.

Passos Coelho neste momento não seria eleito para administrador de condomínio de nenhum prédio deste país. Não seria eleito para absolutamente nada que o obrigasse a gerir o que quer que fosse que mexesse com os interesses de alguém mentalmente são. O orçamento de estado entregue ontem, as 10 pens que Vítor Gaspar deixou nas mãos de Assunção Esteves, uma espécie de orgia fiscal sem precedentes, são a certidão de óbito deste governo e provavelmente do país e da sociedade como a conhecemos. Isto se nada acontecer e mudar drasticamente o rumo dos acontecimentos. O governo morreu, o país ainda se pode salvar. Façamos algo.

dei com isto no you tube e lá se foi o almoço

cerco a são bento

uma crise podre, um governo fora de prazo


A Grécia, o nosso espelho cada vez mais próximo, dá-nos exemplos, uns a seguir aos outros, dia após dia, de quão benévolas e certeiras são as medidas de Passos Coelho e do seu chefe imediato, Vítor Gaspar. Hoje mesmo, vem nos jornais a notícia de que o governo grego autorizou a comercialização, nos supermercados, de produtos fora de prazo. Desde que vendidos, e não digam que esta gente não é generosa e boa, a preços mais baratos.

É isto que nos começa a acontecer. E só vai piorar. A não ser que alguém (oh da casa, há aí alguém?) ponha cobro a este desastre denunciado. Os portugueses precisam de quem os salve.

distribuição equitativa da pobreza

ai, não falem mal dos políticos que é um atentado à democracia!

 Ontem, no programa Prós e Contras da RTP.

portugal não é a grécia, são bento não é syntagma





o grande capital é que está a dominar portugal


um país de pantanas




15/10/12

monólogo de um terrorista


Contra tudo e contra todos, pouco mudei a proposta de orçamento: o assalto é generalizado, o fruto do saque será entregue ao Estado por decreto-lei assinado por mim e pelo Pedro, aprovado pelo presidente Silva e publicado em Diário da República. Não poupo ninguém. Nem velhos, nem doentes, nem desempregados, nem os pobres, todos párias, todos a querer viver à conta do Estado. Mas não fiquei por aqui: ordenei mais cortes na cultura, na educação, na saúde. 

E que ninguém, mas absolutamente ninguém, pense que pode mudar este orçamento, os direitos e deveres dos deputados da Assembleia são, mais do que uma chatice, uma inutilidade, o documento entregue chama-se "Proposta" mas isso é uma formalidade, uma palavra sem valor como sem valor é a palavra do Pedro. Todas as medidas foram aprovadas pela troika, que se substituiu aos deputados, e nenhuma delas pode ser mexida sob pena de, aí sim, cairmos na bancarrota, no holocausto económico, na mais completa e definitiva das tragédias nacionais de que eu, como qualquer fantasma, escaparei ileso. Sou como aqueles cientistas que se safam sempre, mesmo quando as experiências correm mal, os laboratórios ardem, os tubos de ensaio lhes rebentam na cara. E este País, que eu desprezo mas disfarço bem, é um excelente laboratório para as minhas experiências de génio incompreendido.

Cavaco Silva? Não tive tempo para ler o que esse escreveu no facebook. Christine Lagarde? Toda a gente percebeu mal o que ela disse, toda menos eu, o mais arguto dos homens. O orçamento é equitativo? Mais não podia ser, rouba-se a quem trabalha para dar aos bancos e aos grandes grupos económicos, é a verdadeira distribuição de riqueza, o dinheiro a quem o tem e multiplica. 

Parem de me fazer sempre as mesmas perguntas ou ver-me-ei obrigado a subir de tom. O país está a fazer francos progressos, a economia não podia estar melhor, falências, desemprego, suicídios, miséria, isso são danos colaterais, o que importa é o País e o País são os bancos, os grandes grupos económicos, eu e o Pedro, que me dá carta branca para governar Portugal. É o meu agradecimento por tantas décadas em que, tão generosamente, Portugal pagou os meus estudos. Mas eu sou eu. Gaspar. De fanático e de louco, tenho eu um pouco. E de terrorista também.

vem aí a peste negra!

Entre guerras, epidemias e bancarrota, o mundo está de facto um lugar perigoso. Agora, a Sábado vem dizer que anda por aí uma nova doença que pode matar a humanidade em 5 anos. Pergunta inocente: quem deterá a patente do antídoto? Não, não me digam que é o Rumsfeld. Outra vez? Mas quando é que o homem se reforma?...

http://www.sabado.pt/Multimedia/FOTOS/Mundo/Fotogaleria-(667).aspx

quando me dizem que a merkel vem cá

Visto em http://trespassaopassos.tumblr.com/

hoje é dia de orçamento de estado

Visto em http://trespassaopassos.tumblr.com/

no lupanar das alternadeiras

São ambas putas, uma mais fina do que a outra. Cheiram a laranjas e rosas e, habituadas aos luxos entre os lixos da política, prestam os seus serviços, altos ou baixos depende da posição de cada uma, por governos, parlamentos, aparelho do Estado e empresas, umas públicas, outras privadas mas não púdicas. Criaram uma rede de proxenetas, serventuários e fiel criadagem que limpa a porcaria que espalham depois do acto feito. Eleitas pela arraia-miúda como as suas favoritas neste harém em que se transformou Portugal, são as alternadeiras expulsas se a sessão for sádica ou convidadas a subir à alcova, onde se refastelam e saciam, se houver bodo para desperdiçar e mimos para prometer. São putas, senhores, são putas e ganham eleições. Ontem nos Açores. Amanhã em todo o País. Os portugueses não ganham juízo, não aprendem, preferem um bordel a uma pátria, uma enxerga porque não enxergam mais longe. Estão no seu direito. Mas não se queixem. Quem faz a cama, nela se deita.

doutor gaspar, qual é a palavra que não percebe? n-ã-o t-e-m-o-s d-i-n-h-e-i-r-o!

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

retrato de coelhinho entre relvas ou a dupla indestrutível

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