07/02/15

bufaria moderna, com sorteio e tudo

Eles dizem que oferecem carros a quem se torne bufo. E dizem, prometem o que não é o mesmo que jurar a pés juntos, que pedir facturas também dá benefícios fiscais. Esquecem-se os incautos, ansiosos por uma carreta nova, e de alta cilindrada igualzinha às dos senhores governantes, que as suas contas e deduções ficarão assim rigorosamente vigiadas. Ganha 100 e declara 500 em gastos? Vai ter o Fisco à perna. E quanto ao bólide ... viste-lo! Com um engodo automobilizado a sortear por milhões de portugueses, todos aqueles que caírem na esparrela, a hipótese de lhe caber um em sorte é quase tão difícil como lhe sair um na Farinha Amparo.

http://arteandreas.deviantart.com/

novos contos para crianças

Angola tem uma dívida a Portugal de mais de 1200 milhões e quer renegociá-la. Onde se inserirá esta decisão de Angola? Nas fábulas de Lafontaine? Nas rábulas do Parque Mayer? Nos contos de Andersen ou dos irmãos Grimm?

Coelho decidirá. Mas Isabel dos Santos e os generalíssimos angolanos não poderão empobrecer. Só nós.

06/02/15

dedo de abutre

Grécia e Alemanha não chegam a acordo. Que se vai seguir? Sairá a Grécia do euro? Da União Europeia? E para quem se virará? Para a Rússia?

Os lacaios de Merkel seguem-na embevecidos. E nós, os homens e mulheres que ainda acreditam ser possível um mundo melhor, torcemos por Tsipras e pela Grécia. Ou isso ou viver em morte lenta nas garras dos abutres.

Reuters/http://expresso.sapo.pt/

alcoolizado?

Absolutamente nojento, tão repelente como a fotografia que aqui exponho, é o artigo de hoje de um certo articulista de última página do Público, dedicado à Grécia e aos "dois tristes símbolos da insurreição grega", Tsipras e Varoufakis. Sei de antemão que muitas almas sensíveis se irritarão com o facto de me aproveitar das fraquezas, físicas ou outras, dos objectos da minha indignação para melhor os achincalhar. Mas desta vez é mais forte do que eu: o repasto no Gambrinus foi-lhe supimpa. Frases obscenas escritas nas paredes de uma retrete seriam preferíveis a este dejecto escarrapachado em letra de forma. Ou um cagalhão de perna bamba a pavonear-se pelo Grémio Literário em plena ceia de luminárias.




pelos céus, no cume da hipocrisia

Os conferencistas foram a Davos, ao Forum Económico Mundial, discutir, entre outras questões prementes, as alterações climáticas e as suas consequências. Eram presidentes de bancos, dirigentes políticos, economistas e por aí fora. Para lá chegarem, muitos deles deslocaram-se em avião particular. Num total de 1700 objectos poluidores devidamente identificados. E ninguém lhes dá com um pano encharcado nas trombas.


os ingratos!



Milhares de atenienses manifestaram-se esta noite contra a chantagem e as pressões de Merkel, Draghi e demais beneméritos, que tanto têm zelado pelo bem-estar dos gregos, que tão bem têm demonstrado a sua solidariedade através da destruição e da humilhação de todo um povo. A isto chama-se ingratidão. O euro vacila, a economia da Europa treme, mas Merkel não desanima, não abre mão dos seus princípios, da sua querida austeridade. Ah, se todos fossem como o seu amigo Coelho. Esse sim, é bom rapaz, bom aluno, bom capataz. É preciso esmagar as sementes da revolta, matá-los à fome, isolar a moléstia antes que se propague. Palavra de Merkel.

05/02/15

um safanão aos jornalistas


Então isto faz-se? Morre gente nas urgências, morre gente por falta de medicamentos e os senhores atrevem-se a noticiar tudo isso, dando pasto aos videirinhos do reviralho? A partir de hoje, só podem noticiar as virtudes deste governo, a descida do desemprego, o crescimento da economia, o aumento das exportações, a melhoria das condições de vida da população em geral. Se há gente a morrer nos hospitais é porque tinha que ser, se há gente a passar fome é porque quer, se há gente desempregada é porque não gosta de trabalhar, se há gente a receber o salário mínimo é porque não merece mais, se há gente que perdeu subsídios é porque não os merecia, se há velhos com frio é porque querem poupar energia. Noticiar casos como estes é estar contra o governo da Nação, contra mim e contra Merkel, essa benemérita que tão generosa tem sido para connosco, de uma paciência e bondade a exigir canonização. Se os senhores jornalistas querem vender jornais, falem de Sócrates, dos crimes de Sócrates, dos roubos de Sócrates, da governação de Sócrates que deixou este país à beira da bancarrota, quando cheguei ao poder não havia dinheiro para mandar cantar um cego, quanto mais para curá-lo. Esse sim, Sócrates e não o cego, merece prisão perpétua, uns açoites, a fogueira. Se querem vender jornais, falem da Casa dos Segredos, das gajas e dos bólides do Ronaldo, da separação da Pilita de Medeiros Aguiar, da nova mansão de Chuchu Ribeiro da Silva, do casamento de Xaxão de Meneses e Cunha, do desempenho brilhante de Pitá de Andrade na nova telenovela, do afamado médico que dá tareia na mulher, dos segredos e escândalos da high society, do luxo e do lixo da fina-flor portuguesa. Disso sim, os portugueses gostam. Sexo, decoração, culinária, puericultura, fotografias, muitas fotografias para quem só gosta de ver bonecos e ler as gordas . Tudo menos cultura. E quem diz cultura diz política. E quem diz política diz economia. A assim não ser, farei um telefonema para os vossos patrões, exigirei retaliações, clamarei vingança.

Comigo, ninguém brinca enquanto brinco aos governantes.

a morte saiu à rua

04/02/15

brincadeira de crianças

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para si é à borla, querida frau

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um 25 de novembro na grécia? talvez não


Por Carlos de Matos Gomes
http://aviagemdosargonautas.net/

Há 40 anos, perante a possibilidade de um pequeno país sair do rebanho, de não ser como os outros, de escapar do redil, as forças da ordem intervieram e reconduziram-no levado pela orelha ao fatinho e à gravata, às repartições partidárias, à obediência aos patrões que têm os seus direitos, aos senhores Champalimauds, aos senhores Espírito Santo, aos senhores Belmiros e Soares dos Santos, ao senhor Kissinger, que era a Merkel da altura.

Os portugueses tiveram de pagar a ousadia do PREC, de terem vivido acima das suas possibilidades com um salário mínimo, de ocuparem terras, de terem ofendido a santa madre igreja de Roma, de nacionalizarem os bancos essas outras verdadeiras igrejas. Sacrários! Até pensavam em falar com os russos! E com os cubanos! Tal como o novo governo grego, agora. Um escândalo que um idiota pago à peça para dizer o que lhe mandam, denunciou no Expresso, o mais consistente jornal do regime dos mercados, dos bem comportados. O tal inquisidor com cérebro de Sarah Pallin acusa o chefe do Syriza de ter dado ao filho o nome de Ernesto, como o de Ernesto Che Guevara. Um ai que vêm aí os russos comer-nos a democracia e o fundo de resgate, para o cachapim do doutor Balsemão! Que pena Alexis Tsipras não ter dado ao filho o nome de Augusto, como Pinochet. Ou Adolfo. Isso sim é que era democrático e de acordo com o BCE, o Goldman Sachs, a Moody’s, segundo o escriba. Ou Wolfgang, como o Schaüble, ministro das finanças alemão. Isso sim é nome de gente decente. O infante chamar-se-ia, para descanso dos mercados: Wolfgang Tsipras! A senhor Merkel sorriria, Passos Coelho seria o padrinho, ou o sacristão do batizado.

Adiante e autoclismo. A questão é que a Grécia do Syriza entrou, como Portugal em 1975, numa espécie de PREC. Fora da linha justa, em termos maoistas. É, tal como Portugal foi em 1975, um mau exemplo para os milhões de desempregados que as sensatas e ajustadas medidas das troikas causaram na Europa do sul, para os jovens sem perspectiva de emprego nem sequer de um estágio remunerado, para os remediados que caíram na pobreza, para os que vivem de pensões. E se os espanhóis seguem o exemplo? E os italianos? E os irlandeses? O tal Raposo do Expresso já deve estar nas urgências do Amadora-Sintra ou do Almada-Costa da Caparica há horas com um colete de forças e pulseira com guizo para não se perder.

Tal como há 40 anos, após o dia 11 de março de 1975, tocou a rebate nos gabinetes forrados a mogno dos que na Europa fazem dinheiro com um aperto de mão, ou sentados à mesa de um conselho de administração que decidiu investir em produtos invisíveis, a que deu nomes pomposos, sempre em inglês. Gosto particularmente dos CreditDefaultSwaps, os CDS, a especialidade da ministra das finanças e do secretário de Estado dos transportes, além de guarita do Jacinto Leite Capelo Rego. Operações de invisíveis correntes. Presumo que será o resultado das transferências para as pensões de tantos reformados e do subsídio de desemprego aos desempregados de longa duração.

Há 40 anos reuniram-se esses ilustres europeus croupiers de casino, sob a coordenação de James Callaghan, primeiro-ministro da Grã-Bretanha para fazer voltar o Portugal revolucionário à formatura do capitalismo europeu. Nada de aventuras. Privatizem o que nacionalizaram. Paguem aos heróicos proprietários. Mandem vir as famílias do costume, aos Espíritos o que é dos Santos. Ao Champalimaud o que era do Totta. A banca tem de voltar às boas mãos, as nossas! Foi o programa da troika da altura. Desvalorizem a moeda. Destruam essas bestas dos sindicatos. Abatam a frota das pescas. Arranquem as videiras, as árvores de fruto. Até os tomates! Podem ficar com os melões. Se forem bem redondos.

O PREC acabou em bem. A Europa estava connosco. Com coleira e trela, mas sem um banho de sangue e um novo Chile porque, ao que dizem os documentos desclassificados, os americanos decidiram confiar nas capacidades de um Carlucci, um topa a tudo com experiência em tapar manchas de excrementos de tortura com tapetes novos e o senhor Kissinger, que já apadrinhara as centenas de milhares de mortos na Indonésia, comunistas, claro e mais uns milhares no Chile, no Brasil, um pouco por toda a América do sul, comunistas, claro, lá se deixou convencer a ensaiar uma outra solução com menos Ketchup para Portugal. A coisa, isto é o atrevimento português, resolveu-se a 25 de novembro de 1975, ao que se diz, bastou uma mão cheia de agentes da CIA e duzentos veteranos da guerra colonial contratados para o efeito. A estes nem lhes pagaram. O resto é a história que fica para a história: as forças democráticas venceram o totalitarismo comunista. Há fotografias dos heróis nacionais a atestar que assim foi.

Os gregos estão hoje em melhor situação do que os portugueses há 40 anos. Felizmente para eles. Não estamos no tempo da guerra fria. O 25 de novembro e a normalização democrática, isto é a sujeição de Portugal aos padrões que se esperam sejam os de um animal doméstico, um cão de companhia, um pónei para decorar um quintal, já não podem ser cozinhados da mesma forma pelos operacionais da CIA. Em primeiro lugar porque, ao contrário do Portugal de 75, os americanos estão hoje interessados nas contradições que a Grécia introduz na burocracia que governa a Europa. Depois porque os Estados Unidos precisam dos gregos como seus aliados no mediterrâneo oriental. A Grécia é um Israel ali ao canto. Se os israelitas matam sem consequências na Faixa de Gaza, os gregos podem ficar a dever ao BCE.

A senhora Merkel vai ter de pagar os estragos. Nós também, é a nossa cota para a defesa do ocidente. Os submarinos do Portas é que não servem para nada e já necessitam de revisão, podíamos restituí-los para abater à dívida. O reforço dos laços da Grécia com os Estados Unidos, mesmo à custa do enfraquecimento dos laços da Grécia com Berlim, sabe-lhes a Mac Donald com Coca Cola, ou a hot dogs. Nada mau. Talvez não haja 25 de novembro na Grécia. Os Estados Unidos não deixarão que a Europa faça um 25 de novembro financeiro à Grécia. Os tipos da CIA estão na Ucrânia. E como são os Estados Unidos que mandam na Europa, a coisa fica assim. A Grécia vai reforçar os laços com os Estados Unidos, que são o aliado de histórico de confiança. O jovem Tsipras já disse que as suas prioridades estratégicas são o reforço das relações com os Estados Unidos e a Grã Bretanha, as duas potências marítimas a que também Portugal está ligado histórica e geograficamente.

Portugal devia fazer o que os gregos se preparam para fazer: voltar ao mar, ao Atlântico do Norte e do Sul. Era o que devia fazer Passos Coelho, se não fosse uma alma morta, daquelas que no romance de Nicolau Gogol pertencem a um dono. Ele tem uma dona: a senhora Merkel.

Como derrotado no 25 de novembro tenho um grande carinho pelo Alexis Tsipras. Acredito (faz bem ao ego) que ele aprendeu alguma coisa com a nossa derrota aqui em Portugal. Desejo que os novos dirigentes políticos portugueses também percebam que temos um caminho a fazer. Pode não ser o do Tsipras, mas não é de certeza o dos arrebentas que estão no governo. Isto devia ser claro para o António Costa e para os novos outsiders. Não é obrigatório beber retsina, nem schnaps. Temos vinho e bagaço.

Acredito (isto é, desejo) que os deuses das circunstâncias históricas se vão conjugar para Tsipras ter sucesso no papel que os progressistas portugueses teriam gostado de representar há 40 anos, de viabilizar uma alternativa aos sistemas estabelecidos que liberte os seus povos. Aguardemos.
No próximo 25 de novembro já teremos novidades…

03/02/15

mandar umas bocas


Manuela Moura Guedes não presta um bom serviço à direita portuguesa. De limitada cultura política - e, já agora, democrática - a Manela limita-se, no programa Barca do Inferno, a mandar umas bocas, gaguejar uns lugares comuns, repetir as mentiras propaladas pelos gabinetes de agitação e propaganda dos partidos do governo e, irritantemente, além das tais bocas, fazer boquinhas quando Raquel Varela ou Isabel Moreira intervêm, interrompendo, mofando das suas opositoras com o desdém de quem tudo sabe, só ela e o seu deus, a razão cabe-lhe por inteiro, as suas palavras são pérolas preciosíssimas que lhe brotam da boca enriquecendo o panorama televisivo nacional. Não faz a coisa por menos.

É a nossa Sarah Palin, um Alberto João de saias, um Steven Taylor à portuguesa.

ou eles, ou nós

Nuno Ferreira Santos/http://www.publico.pt/
Por Joana Amaral Dias

É lamentável chegar a este ponto, mas é a realidade: o Presidente da República mente. E mente com todos os dentes que tem na boca. Em julho do ano passado, quando afirmou que "os portugueses podem confiar no BES", mentiu. Esta semana, quando jurou que nunca fez declarações sobre esse banco, também mentiu. Já ao recusar ir à Comissão Parlamentar de Inquérito para esclarecer os encontros que teve com Salgado, Cavaco também se coloca do lado da opacidade, dos negócios e da dinastia que manda no país, e não do lado da transparência, da justiça e dos portugueses. Cavaco é, aliás, o máximo representante desta casta que pôs o Estado a servir os grandes interesses privados, nomeadamente, a banca, em vez de servir os cidadãos. Ou seja, o expoente desse arco da corrupção que tem atirado milhares para a pobreza e miséria. E é este grupelho de gente perigosa que tem de ser rapidamente afastado do poder. Está visto que é uma questão de sobrevivência: ou eles, ou nós.

negócios privados, públicos prejuízos


Já foi Atlântico. Agora é Montez e é Meo. Não meu. Não teu. É Meo e Montez, genro, marido, pai, membro do clã da Coelha na possessão de Coelho. Dizem-no carregado de dívidas, falido, mal de que a Meo também padece, mas quis o Atlântico e teve o Atlântico num pacífico acordo em que Portugal, quer-me cá parecer, saiu a perder. Tal como com a REN, a EDP, os CTT, a PT, a ANA e qualquer dia a TAP. Um oceano de oportunidades para chineses, angolanos, franceses, Meo e Montez. Um festival de negócios privados e de públicos prejuízos. Uma arena onde a festa brava não é para todos, nem todos sabem agarrar pelos cornos uma boa ocasião, os saldos, as promoções, os descontos, as liquidações, os leilões, as privatizações. Construído com o nosso dinheiro, já não é teu nem meu. É Meo. É Montez. O acaso os fez, o azar os juntou. E nós, peões de brega, mansos como o mais ordeiro dos bovinos, ruminamos agravos e deixamo-nos mugir. A mama ainda não secou.

02/02/15

a imperatriz no boudoir

 

Pronto, chegou-lhe a mostarda ao nariz, está com maus fígados, com os azeites, azedada, avinagrada, pior que estragada.  Sua alteza a imperatriz da Europa não aceita receber Alexis Tsipras em audiência. Súbditos recalcitrantes, insurrectos, que torcem o nariz à sua indiscutível superioridade, que questionam as suas ordens de soberana atoleimada não podem ser acolhidos nos seus salões a não ser, quanto muito, para os varrer ou esvaziar as escarradeiras. Alexis acha que é independente, que dirige uma nação livre. Puro logro. Alexis não é mais do que um insecto que a monarca esmagará entre dois dedinhos de querubim reconchudo. Alexis não passa de erva daninha que arrancará pela raiz. Um tumor maligno que extrairá com um só golpe de baioneta.

Por fortuna, sua augusta majestade ainda pode contar com serviçais submissos. Daqueles para quem as portas do Bundeskanzleramt estão sempre escancaradas. A esses recebe-os no seu boudoir, entre o frufru das sedas e o zunzum das açafatas. Nada a deleita mais, à sereníssima Führer, do que as genuflexões e os salamaleques desses curvados vassalos. A sua bajulação. As juras de lealdade eterna.

Para alguma coisa hão-de servir as escarradeiras.

o comércio das almas

Fátima é um dos maiores centros comerciais de artigos religiosos do mundo. Um altar ao deus dinheiro.











no rumo certo

Por cá, Passos - Her Master Voice - não quer ter nada a ver com a Grécia. Paulo diz que não é Syriza (e ainda bem, livra!). A direita espanhola mostra, nos seus media, fotografias onde, na Marcha del Cambio de sábado, em Madrid, se podem ver bandeiras das regiões autónomas, bandeiras de movimentos separatistas e até - oh martírio, oh dolores, oh angústias, oh consuelo, oh piedad, oh purificación, oh remédios! - do "assassino" Che Guevara. Isso. Assassino. Sic.

Mas o mundo move-se, em sentido contrário a Norte, no rumo certo nalgum Sul. 

Com o seu radicalismo neoliberal e a sua cobiça, Merkel e os seus comparsas e serviçais mais não fizeram do que espicaçar as gentes e dar força a partidos e movimentos à esquerda do PASOK ou do PSOE, capazes finalmente de ganhar eleições e de dizer NÃO a Merkel e aos mercados.

Por cá, porém, Passos ainda manda. Portugal não é a Grécia nem os portugueses são gregos. Ou espanhóis. A bem dizer, nem portugueses. Portugal foi entregue, há quase 4 anos, a mãos estranhas. Estrangeiradas.

o zapping do enfadado


Ainda há pouco, há poucochinho, num dos zappings que faço volta não volta por desfastio, reparei que o Correio da Manhã TV estava a transmitir escutas telefónicas com Sócrates como protagonista. Não sei se continham provas da culpabilidade do dito, não fiquei a ver, tenho fraca capacidade de absorção de veneno e merda, a bem dizer nenhuma.

O que me faz espécie é como raio o CMTV teve acesso a essas escutas. Quem lhas passou? Com que intuitos? Como são possíveis todas as quebras do segredo de Justiça e, agora, a entrega de  gravações ao mais indigente canal da televisão portuguesa?

Este processo fede cada vez mais. Alguém se anda a descuidar, e muito.