13/07/13

são águas de portugal











Fotografias de https://www.facebook.com/Paulo.Duarte.Photography

o mundo acorda, portugal adormece

Pelo mundo, nos dois últimos dias.

1. Fabriano, Itália


2. Turquia

3. S. Paulo, Brasil


4. S. Salvador, Brasil

5. Acre, Brasil

6. Natal, Brasil


7. Belém, Brasil

Fotos recolhidas em: https://www.facebook.com/internationalriot

o cartaz do novo PREC

Força, força, companheira Esteves!

Ilustração de Pedro Vieira (http://arrastao.org/)

todos ao molhe e fé em deus


Devo ser o português mais estúpido a habitar este martirizado torrão lusitano. Não sei a quantas ando. Não sei se atino ou desatino. Não sei se temos governo ou desgoverno. Não sei se Portas é ministro dos Negócios Estrangeiros, se é vice primeiro-ministro ou ex-ministro revogavelmente irrevogável. Não sei se Álvaro Pereira já fez, já desfez ou já voltou a fazer as malas para partir para o Canadá, se Pires de Lima é ministro ou se manteve o cargo de rei das bejecas. Não sei o que Cavaco disse ou deixou de dizer. Não sei que raio de acordo quer ele entre o PS, o PSD e o CDS. Não sei se é para a formação de um novo governo com os três partidos (bom proveito lhes faça) ou se é apenas para que o PS assine de cruz todas as patifarias do governo actual. Mas, e qual é o governo actual? Estou com a cabeça a andar à roda, dói-me a moleirinha, tenho os neurónios entupidos, estupidificados, paralisados de tanto pensar e penar, os nervos à flor da pele, o coração a dar as últimas, não há palpite que lhe amaine as palpitações. Não sei, e isso é que é o pior, quem manda em Portugal. Cavaco não é. Passos muito menos. Portas revoga quando lhe dá na real gana e dá-lhe na real gana sempre. Seguro é inseguro, é um zero para a esquerda e um trunfo para a direita. Será Durão o mandão? Será Merkel? Os sacrossantos mercados? Lagarde? Draghi? Serão todos ao molhe, com muita fé em deus e na proverbial paciência de corno dos portugueses enganados? Expliquem-me. Devagarinho. Tenho a cachimónia à razão de juros. Altíssimos. Os agiotas rondam-nos. Os abutres também. Querem-nos a carniça, querem-nos roer os ossos. 

festas da assunção

Festas de Nossa Senhora da Assunção, em Pendilhe. Não confundir com a outra Assunção, não a Nossa, a deles. E não confundir Pendilhe com pandilha. Embora fosse assim que a Assunção, a deles, não a Nossa, gostava de nos ver. Em procissão, respeitadores, mansos, tementes a Deus, a Passos, a Esteves, a Silva de Belém e Boliqueime. Em vez disso, desse céu na Terra, os carrascos azucrinam-nos, aporrinham-nos, cães que se viram contra os donos, sejam eles banqueiros, milionários, empresários de sucesso, gente de bem e de boas famílias. Abaixo os carrascos de costumes feros. Vivam os brandos costumes. Fora com os zaragateiros, os do reviralho, os rebeldes, os pedreiros-livres, os pagãos, os ingratos que mordem a mão de quem lhes dá de comer, lhes dá trabalho, os salva da indigência. Nestes como noutros tempos, um safanão a tempo era o que vinha a calhar.

12/07/13

descoberta a origem das toxinas na praia de carcavelos

Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

é no trono que se faz merda


Já toda a gente percebeu: Paulo fica, Paulo, numa decisão irrevogável, irrevogavelmente fica. De pedra e cal. O que ainda ninguém me conseguiu explicar, se calhar nem ele, se calhar nem Coelho, se calhar nem Cavaco, é se permanece ministro dos Negócios Estrangeiros ou se vira vice primeiro-ministro. Quando parecia estar a ganhar esta Guerra do Trono, eis que o almocreve de serviço, o Sr. Silva, lhe tirou o tapete e se espalhou ao comprido. Entre os bobos da corte e os bufarinheiros de Berlim, o reino de Portugal e dos Algarves cheira mal e apodrece. Reinadios, reinam com a gente. Enquanto a gente quiser.

Resta-me a consolação de saber que não são mais do que eu: quando se sentam no trono é para fazer merda.

portas de entrada


Paulo Portas, que ficará para a história com o cognome de O Irrevogável, criou há uns tempos o Golden Visa, um visto que escancara as portas de Portugal - e, consequentemente, as portas do espaço Schengen -, a todo o tipo de investidores que, de outro modo, teriam mais dificuldade em fazer negócio dentro da Comunidade Europeia. Uma boa notícia para alguma gente de fortuna rápida de questionável origem. Em primeiro lugar no topo da atribuição de Golden Visas temos até agora os chineses, esses pacíficos representantes do sistema que já alguém chamou, com muito pouca vergonha na cara, de capitalismo socialista (sendo portanto aceitável, para algumas mentes "progressistas", os espaços económicos especiais que mais não são do que campos de trabalho escravo, a multiplicação de uns quantos milionários ao lado de milhões de pessoas a viver na mais absoluta miséria, o pouco respeito pelo ambiente de que todos viremos a sofrer as consequências, a falta de liberdade e por aí adiante, que os crimes desta gente têm tudo de capitalismo e nada de socialismo). Depois dos chineses seguem-se na lista, e não é por acaso, os brasileiros, os russos, os angolanos, os sul-africanos e os colombianos. Diz quem sabe que esta gente paga, a pronto, casas no valor mínimo de meio milhão de euros. Não mais do que alcagoitas, uma ninharia, uns trocos em troca de negociatas de milhões. Temos, assim, Portugal invadido pela pior escória da China, da Rússia, do Brasil, de Angola ou da Colômbia, ao mesmo tempo que os alemães nos mandam viver como os mais martirizados dos chineses, brasileiros ou angolanos. É a globalização no seu melhor. Obrigado, Portas amigo. Dê cumprimentos ao Coelho.

do pirolito às pipocas

Ainda sou do tempo em que, nas salas de cinema, não entravam pipocas e muito menos Coca-Cola (que Salazar proibia). Nas fotografias, o saudoso Monumental onde o cinema e o teatro coabitavam alegremente. Em vez de salões, camarotes, lustres, poltronas no foyer, um nadinha de luxo para encher o olho e acalentar a alma, nos dias de hoje ir ao cinema significa encafuar-mo-nos num cubículo bafiento de um qualquer centro comercial. Em vez do cinema francês ou italiano, o que nos dão agora é cinema americano. Em vez de arte, comércio. Em vez do ritual, a rotina. Em vez de luxo, lixo. 








Fotografias recolhidas em: http://restosdecoleccao.blogspot.pt/

11/07/13

os carrascos de assunção esteves

Por Nicolau Santos

A presidente da Assembleia da República lida muito mal com contrariedades. Lida pior com desafios ao seu autoritarismo. E não suporta as manifestações de descontentamento popular que, volta e meia, acontecem na hemiciclo de São Bento.

Esta tarde, 11 de Julho, perante um numeroso grupo que nas galerias gritava "demissão!", Assunção Esteves não se enervou apenas. Fez uma sugestão, uma declaração e uma citação.

A sugestão foi que se repensasse a possibilidade do público deixar de ter acesso à casa da democracia. A declaração foi a de que "não fomos eleitos para sermos amedrontados, desrespeitados". E a citação foi de Simone de Beauvoir: "não podemos deixar que os nossos carrascos nos criem maus costumes".

Beauvoir escreveu esta frase a propósito da opressão nazi sobre os franceses durante a II Guerra Mundial. Equiparar cidadãos portugueses que se manifestavam na casa da democracia a torturadores e carrascos nazis é inadmissível - e é totalmente inaceitável que seja a presidente da Assembleia da República a fazer essa comparação.

O povo português merece seguramente um pedido de desculpas por parte de Assunção Esteves. E quem em democracia tem medo do povo, não merece seguramente ocupar o segundo cargo na hierarquia de um Estado democrático.

Fotografia: José Sena Goulão/Lusa (http://expresso.sapo.pt)

ai assunção, que medo!

Hoje, na Assembleia da República. O repúdio a este governo sobe de tom. E a Assunção, durona, mazona, cortou o pio ao Canal Parlamento e ameaça com novas regras de entrada na "casa da democracia". 

ai os mercados!


Não respire, não refile, não se manifeste, que os mercados não gostam. Obedeça, obedeça sempre. Nem um arrotinho, um pequeno traque, que os mercados são gente de fino trato, pouco dada à badalhoquice dos proletários. Não levante a voz, não se levante do sofá, adormeça aos domingos e trabalhe, trabalhe muito nos outros dias, como uma besta de carga parida para alancar. Disso sim, os mercados gostam. Mas não gostam, atente bem que o caso é sério, não gostam de direitos laborais, nem de democracia, nem de Estado Social, nem de igualdade, ui, a igualdade, o piorio! Esteja quietinho, caladinho, sem tugir nem mugir. Nem balir. Carneiro manso. Cordeiro reverente. Se assim não for, ai os juros, ai a Bolsa, ai os mercados, ai os empréstimos, ai que cai o Carmo e a Trindade, São Bento e Belém, a Buraca e a Picheleira. Vivamos de joelhos. De cócoras. Perante os mercados, os mercadores, os intermediários, os traficantes dos novos escravos.

parece que vendidos e vendilhões não gostaram da decisão de cavaco


baralhado


Não estou a pescar patavina. Então o governo continua ou sai-nos de cima? Ou vai haver antes um governo patriótico (sic) de salvação (sic) nacional? Há eleições daqui a um ano ou Cavaco apenas ameaçou que haverá caso os partidos do arco da velha, perdão, do poder, não se entendam? É irreversível: estou baralhado. Serei só eu?

directamente do palhácio de belém

Agradeço ao Miguel Vale e Almeida a ideia do palhácio. Já lhe chamaram casa de repouso e lar de terceira idade mas palhácio é ainda melhor.


que barraca, obama!