ai os mercados!


Não respire, não refile, não se manifeste, que os mercados não gostam. Obedeça, obedeça sempre. Nem um arrotinho, um pequeno traque, que os mercados são gente de fino trato, pouco dada à badalhoquice dos proletários. Não levante a voz, não se levante do sofá, adormeça aos domingos e trabalhe, trabalhe muito nos outros dias, como uma besta de carga parida para alancar. Disso sim, os mercados gostam. Mas não gostam, atente bem que o caso é sério, não gostam de direitos laborais, nem de democracia, nem de Estado Social, nem de igualdade, ui, a igualdade, o piorio! Esteja quietinho, caladinho, sem tugir nem mugir. Nem balir. Carneiro manso. Cordeiro reverente. Se assim não for, ai os juros, ai a Bolsa, ai os mercados, ai os empréstimos, ai que cai o Carmo e a Trindade, São Bento e Belém, a Buraca e a Picheleira. Vivamos de joelhos. De cócoras. Perante os mercados, os mercadores, os intermediários, os traficantes dos novos escravos.

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