02/01/14

façam-me lá este favor!

Pedro, Paulo e outros apóstolos do regime neofascista onde cá vamos cantando e rindo, coadjuvados pelos propagandistas de ocasião, e como toda a gente sabe a ocasião faz o ladrão, bombardearam-nos nos últimos tempos com boas novas, talvez por influência da quadra que se quer benfazeja. Os portugueses estão a gastar mais, a economia recupera a olhos vistos, levantou-se mais dinheiro nos multibancos, o Natal foi mais feliz e mais pródigo para todos, as lojas andaram cheias, os vendedores num corropio, carregaram-se sacos e sacos de prendas e vitualhas para casa de cada um, é o milagre económico anunciado por Pires de Lima, o país de Cavaco deixou de andar escavacado por desígnio, talvez, de Nossa Senhora, a de Fátima, a das Dores, a dos Aflitos, a dos Defuntos, a dos Desvalidos. Todas elas, em uníssono, velaram por nós, mais uma vez ao menino e ao borracho puseram, a mando de Deus, as mãos por baixo.

Estava eu nestas benignas divagações quando, num momento de azar, abro a Visão e leio que os portugueses são quem menos gasta em toda a Europa comunitária, longe dos gregos, muito longe dos espanhóis, longíssimo dos alemães. Ou seja, 46% abaixo dos alemães, 15% abaixo dos espanhóis, 8% abaixo dos gregos. Até dos gregos, senhores!

Não bate a bota com a perdigota, ou o governo nos mente, o que nem é costume, ou os dados da Eurostat, publicados pela Visão, são mais falsos do que as jóias de Sir Pinchbeck, pechisbeques de encher o olho aos papalvos que comem e calam, num silêncio que ensurdece.

Como em matéria de economia, macro-economia, altas finanças e cavalarias altas sou como o Jesus de Pessoa, tenho-lhes o entendimento de um petiz de três anos, expliquem-me estes números, os dos arautos governamentais e os outros, os da Eurostat. Devagarinho, direitinho, muito esmiuçadinho, parcela por parcela.

Façam-me lá este favor, para entrar o ano em beleza.

quanto mais nos bates mais gostamos de ti?

Dizem as sondagens, a crer no Jornal de Negócios, que os portugueses estão hoje mais satisfeitos com Passos Coelho do que há um ano. Estarão os portugueses mais estúpidos do que há um ano? Os génios das sondagens mais trapaceiros? Os jornais mais mentirosos?

É que, do benigno ser que o PSD pariu e que nos atiraram às trombas quando lhes rebentaram as águas, não vem nada que nos possa deixar satisfeitos. A não ser que gostemos de ser roubados, empobrecidos, aviltados todos os dias, 365 dias por ano se tivermos a sorte dele não ser bissexto.

Li hoje que a GNR anda, em alguns distritos, a cobrar 7 euros pelo teste do balão. A vilanagem não está farta, o chefe de quem os portugueses parecem andar tão encantados inspira este e outros roubos.

Porque de roubo se trata. Com polícia como esta, para quê outros ladrões? É certo que a lei tem seis anos, antes do reinado leporídeo. Mas é sintomático que só agora seja aplicada. Mesquinha, usurpadora, imoral. A fazer lembrar alguém.

um só pedido: que portugal se livre de paulo portas

http://www.ionline.pt
Por Luís Rainha
http://www.ionline.pt

Não preciso que algo de funesto aconteça à criatura. Satisfaço-me com uma demissão mesmo irrevogável, um fiasco eleitoral, uma pena de cadeia, um chilique a sério. Sei que é prece complicada, mesmo para a parca mais caridosa. O homem tem resistido a tudo: derrotas nas urnas, escândalos por todo o lado, a sua própria costela saltitona, submarinos, casinos, fotocópias, o Capelo Rego, sobreiros, etc. E lá segue a plantar ovos de cuco na máquina do Estado; agora foi o menino do Belenenses, amanhã ainda acordamos com o Telmo Correia no palácio de Belém.

Paulo Portas é um furúnculo no rosto já escalavrado da República. Cresce, engorda, alastra; sempre à vista de todos, o perfeito emblema da impunidade pavoneada, esfregado na miséria portuguesa como sal sobre chagas. É a desculpa perfeita para quem se recusa a votar, a reclamar, a mudar.

Livremo-nos dele. A ver se temos um 2014 com mais ar puro e espaço para a decência.

30/12/13

atirem com o lixo ao lixo

Lusa/http://www.tvi24.iol.pt


Lisboa fede, tornou-se símbolo de um país em decomposição. Somos governados por lixo que nos trata como lixo, matéria perecível de pouco valor. Corpos bons para trabalhar, enquanto a carniça aguentar. Depois, é atirá-los para um qualquer depósito de mortos-vivos à espera que a morte venha.

Proponho uma celebração de final de ano: que amanhã, às 12 badaladas da meia-noite, levemos os nossos detritos até às portas das residências oficiais do lixo governante. E até às portas dos bancos, que tanto lixo fazem mas que ressuscitam, por entre o esterco, reluzentes e lavadinhos, como se não tivessem estado enterrados em merda e em merda continuem atolados. E até às portas de banqueiros, impostores, malfeitores, ladrões graúdos, cangalheiros da Nação. O crème de la crème, o lixo do lixo, os cagalhões-mor do reino.

Não há razões para festejar, nem para enfiar 12 passas pela goela abaixo. O novo ano vai ser pior do que este, mais aumentos, mais atropelos aos direitos de cada um, mais roubos, mais espoliação, mais despedimentos, mais falências, mais fome, mais miséria, mais desespero, mais suicídios.

Reajam enquanto é tempo: atirem com o lixo ao lixo. Por uma questão de higiene, de saúde pública.

Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar.

Lava-a de crimes espantos
De roubos, fomes, terrores,
Lava a cidade de quantos
Do ódio fingem amores.

Leva nas águas as grades
De aço e silêncio forjadas
Deixa soltar-se a verdade
Das bocas amordaçadas.

Lava bancos e empresas
Dos comedores de dinheiro
Que dos salários de tristeza
Arrecadam lucro inteiro.

Lava palácios, vivendas,
Casebres, bairros da lata
Leva negócios e rendas
Que a uns farta a outros mata.

Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar.

Lava avenidas de vícios
Vielas de amores venais
Lava albergues e hospícios
Cadeias e hospitais.

Afoga empenhos favores
Vãs glórias, ocas palmas
Leva o poder de uns senhores
Que compram corpos e almas.

Leva nas águas as grades
De aço e silêncio forjadas
Deixa soltar-se a verdade
Das bocas amordaçadas.

Das camas de amor comprado
Desata abraços de lodo
Rostos corpos destroçados
Lava-os com sal e iodo.

Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar.

Tejo que levas as águas
Correndo de par em par
Lava a cidade de mágoas
Leva as mágoas para o mar.

Poema de Manuel da Fonseca