24/03/12

nobre povo, nação valente


Daqui a uns tempos, nem tantos quanto isso, este governo cairá, proscrito e amaldiçoado. Surgirão nessa altura milhares de heróis de pacotilha vociferando, a posteriori, contra o governo que nos conduziu à tragédia nacional. Os mesmos que, agora, ou se calam ou apoiam Passos e pandilha. 

o congresso dos coveiros

Foto: http://www.tvi.iol.pt

23/03/12

esta miúda é que a sabe toda

Cartoon e ideia roubados ao blogue: http://esquerda-republicana.blogspot.pt

roubo de identidade

Este é que é o verdadeiro Pedro Coelho. O outro é uma mancha, uma alucinação, um pesadelo, uma nota rasurada numa sebenta de história.

foge, coelho, foge!

Por Gui Castro Felga
http://oblogouavida.blogspot.pt

no meio não está a virtude

Fotografado pela própria, o polícia que agrediu Patrícia Melo é o do meio. Para que conste. Já agora vejam aqui a reportagem do The Guardian com mais algumas fotografias obtidas por Patrícia Melo ao longo da tarde de ontem.

mete nojo

Mete nojo a forma como os jornalistas e comentadores abordam os incidentes ontem em Lisboa e no Porto. Os violentos foram os manifestantes, nunca a polícia, nunca os provocadores infiltrados (quantos deles serão polícias?). A imprensa portuguesa vai de mal a pior. Asco, é tudo o que se me apraz dizer. Em contrapartida, desvalorizam a greve geral e ignoram as pressões sobre os trabalhadores, provenientes até do próprio governo. É o que eu digo, meus amigos: estamos a Passos do fascismo. Por enquanto, encapotado. Mas o Coelho está quase a sair da toca. Já falta pouco. Atirem-lhe cenouras e verão.


as "últimas" consequências

Por Manuel António Pina

O CDS e o PSD reclamaram ontem na AR o apuramento de "responsabilidades" relacionadas com os contratos do TGV.

O CDS exige "que se vá até às últimas consequências" nesse apuramento, pois "é preciso saber quem, onde e como não protegeu o interesse público, não protegeu as contas públicas".

E, se o CDS disse "mata!", logo o PSD acrescentou "esfola!", num monólogo a dois tipo Dupond & Dupont: nós diríamos mesmo mais, é preciso "começar a responsabilizar quem tão conscientemente lesou o Estado português".

Vê-se enfim uma luz laranja azulada ao fundo do túnel da irresponsabilidade. Talvez, quem sabe?, CDS e PSD vão seguidamente apurar "quem, onde e como não protegeu o interesse público, não protegeu as contas públicas" no caso da venda do BPN ao engº Mira Amaral por 40 milhões, doando-lhe ao mesmo tempo 600 milhões como brinde (mais 303 milhões para o feliz contemplado pagar umas dívidas); ou no negócio dos submarinos do dr. Portas, que custou aos contribuintes algo como 941 milhões; ou ainda no dos sobreiros, que trouxe fama & proveito ao misterioso militante centrista Jacinto Leite Capelo Rego; ou...

E a crónica ficaria aqui até segunda-feira a enumerar negócios não fora, para tanto negócio que "lesou o Estado português", tão curta a vida. Aposta contudo que ir "até às últimas consequências" significa ir até às consequências do último apuramento de responsabilidades, isto é, até consequências nenhumas.

Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

o empregado do mês

Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt

quem se mete com a polícia, leva!

afinal quem foram os arruaceiros?



Nas imagens, e no relato da jornalista agredida, é notório que quem derrubou as mesas e cadeiras das esplanadas foi a polícia, não os manifestantes. Apure-se a verdade.

22/03/12

tal como no fascismo, se queremos notícias de portugal temos que ler a imprensa estrangeira

Le Monde
Repararam que nem nas televisões nem nos jornais online se mostram imagens da manifestação hoje junto ao parlamento, como se nunca tivesse existido? No que eles se engalfinharam foi em ver quem mostrava mais e melhores imagens dos distúrbios no Chiado. Foram funcionários obedientes do poder, foram sim senhor, mas saiu-lhes o tiro pela culatra. A imprensa internacional começa a exibir a fotografia abaixo, de um polícia a desancar não uma perigosa manifestante, dessas criaturas pérfidas que mais não querem do que alterar a ordem e a paz que, pela graça do Senhor dos Passos, reinam por todo o País, mas antes uma jornalista no cumprimento do seu dever. E ainda agora a procissão vai no adro. Mais se virá a saber nos próximos dias sobre o papel desempenhado pela polícia. É preciso envenenar a opinião pública contra os perigosos agitadores que não trabalham nem deixam trabalhar. Nem mais.

Hugo Correia (Reuters)

21/03/12

jesus, camilla!

a primavera continua até que o inverno lhes bata à porta

maria não me mates que sou tua mãe!

Anda para aí um burburinho de donzelas enrubescidas, como se tivessem ouvido o maior dos palavrões, por causa deste cartaz do MRPP. Morte? Ai que querem assassinar os nossos heróis, os do governo e os do governo que governa o governo, a troika do nosso contentamento! Pois eu cá, que sou pacífico e nada dado a liças, apoio e grito: morte à troika, morte ao governo, viva a greve geral. É que, meus senhores e minhas senhoras, não sendo violento sou violentamente contra este desgoverno que nos desgraça. Quero a sua morte, acabamento, fim, termo, decesso, partida. E quanto mais depressa melhor. Quanto aos seus elementos, que vão fazer pela vida para outras bandas, decerto não lhes faltarão cargos regiamente pagos em empresas públicas e não públicas, onde continuarão a explorar os portugueses e a viver à sombra do Estado. 

isto já não é mentira, é crime por fraude eleitoral

20/03/12

enquanto há luta há esperança

a vingança de salazar

Casa de Salazar, Santa Comba Dão
Ah!, como devem estar a esfregar as mãos de contentamento os deserdados de Abril, os saudosos de Salazar, os Rapazotes, Silva Pais, Tenreiros e seus tenros sucedâneos! Finalmente, um governo que lhes faz a vontade, que repõe tudo nos seus devidos lugares, que empobrece a maioria em prol de uma minoria, os Champalimaud, os Espírito Santo, os Mello de nova geração, tão sedentes de dinheiro e de poder como os seus antepassados. Não admira que Salazar esteja a voltar, em forma de vinho, chouriços e uma ou outra lágrima tudo menos furtiva. A sua prole ressuscita-o a cada dia que passa, o seu legado, a sua obra, o seu Portugal de província, pobrete mas alegrete, pobrezinho mas honrado, tão típico, tão terno, tão fadista. Os que se diziam apologistas da social-democracia e da popular democracia (que é, como é óbvio, o exacto oposto de democracia popular) mostram, agora, a sua verdadeira face de pró-fascistas. Não adianta disfarçar ou invocar a crise para levar a cabo a contra-revolução. A missão está a cumprir-se.

mexias iluminados

Para os chineses, uns belos milhões. Para o Mexia, 3000 euros por dia. Leu bem: três mil euros por dia. Afinal a coisa dá lucros e chorudos, uma árvore das patacas inesgotável. Mas alguém tem que pagar a conta: os velhos pagam-na quando morrem por não poderem aquecer as suas casas; as empresas pagam-na ao falirem por não aguentarem os custos energéticos (maiores do que os do trabalho, essa é que é essa); a maioria dos portugueses paga-a com aumentos escandalosos do gás, da electricidade, da gasolina, dos transportes, dos impostos, paga-a com as infames reduções salariais, com o desemprego, o embaratecimento da mão-de-obra de que, há dias, tanto se ufanava António Borges. E um governo mais moralista do que todos os santinhos do céu juntos em oração tenta pôr as contas do País em ordem, custe o que custar. À nossa custa e à custa do nosso bem-estar, das nossas economias, quando as temos, da nossa saúde, da nossa vida. Mas isto ainda está bom para alguns. Os que mexem nos cordelinhos do poder, os mexias, os messias do dinheiro. O mexilhão, esse, lixa-se. Sempre.

19/03/12

o mancha negra

Sim, é Sarkozy posando, em menino, para um anúncio ao detergente Bonux. Mas, hoje, é ele próprio uma nódoa, uma mancha de sarro no coração de França.

o diabo veste prada

Há quem jure a pés juntos, os seus sapatos são Prada. A marca que, diz-se por Hollywood, é a preferida do diabo. Vive no luxo do Vaticano, entre tesouros de valor incalculável coleccionados pelos ocupantes da cadeira papal ao longo dos séculos. Agora, a Sábado vem dizer que Sua Santidade (SS) encomendou um perfume personalizado a uma perfumista italiana que, até agora, já tinha produzido aromas exclusivos para outras celebridades mais seculares e igualmente endinheiradas, de Madonna a el-rei Juan Carlos.

Infelizmente, estes eflúvios vindos de Roma dão-me vómitos. Deve ser do meu nariz, menos apurado do que o de Sua Santidade (SS).

a cópia e o original

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

o estado, esse "chato"

Por Manuel António Pina

A revisão constitucional decretada pela dra. Ferreira Leite na TV, substituindo o "todos têm direito à protecção da saúde" preconizado no artº 64º da Constituição por "todos têm direito à protecção da saúde desde que paguem" (o exemplo dos insuficientes renais com mais de 70 anos precisados de hemodiálise e sem meios que devem deixar-se entregues às orações da dra. Assunção Cristas ficará na História Universal da Infâmia Neoliberal do actual Governo & apaniguados), compreende--se melhor através da eufórica constatação de Isabel Vaz, presidente executiva da Espírito Santo Saúde: "Melhor negócio do que a saúde só mesmo a indústria do armamento".

Na passada sexta-feira, a mesma Isabel Vaz foi particularmente injusta para com os esforços do ministro da Saúde, Paulo Macedo, para, através de aumentos das taxas moderadoras no SNS, da extinção de centros de saúde e hospitais e de impedimentos financeiros ao transporte de doentes, lhe oferecer novas oportunidades de negócio. "Não preciso que o Estado me dê doentes", reclamou a mal agradecida executiva, acrescentando: "Só preciso que o Estado [a quem, segundo a Constituição, "incumbe prioritariamente (...) disciplinar e fiscalizar as formas empresariais e privadas da medicina"] não me chateie".

O sírio Al Kassar, o libanês Sarkis Soghanalian e o russo Viktor Bout, traficantes de armamento "chateados" em diversos Estados, têm boas razões para dizer o mesmo.

18/03/12

enquanto o pau vai e vem nas costas de cavaco, descansam as do passos

Eu sei. É irresistível bater em Cavaco. Ele põe-se a jeito, dá o corpito ao manifesto. Mas não esqueçamos o principal antagonista nesta contenda de vida e morte. Passos Coelho. Este sim, mais do que Cavaco, escavacado que já está nas sondagens, é que é o alvo a abater. O inimigo público número um. A peste negra. A bomba de neutrões. A praga. A hecatombe. O sindroma da morte súbita. O apocalipse dos trabalhadores*.

* Agradeço a frase ao Valter Hugo Mãe.
Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

o demo de ferro

Outro que merece um Óscar. De carreira. Que geralmente se atribui a quem já leva longos anos de fingimentos na pantalha. Merece. Não só pela sua acção como Primeiro Ministro, que nos levou até aqui (ah, desculpem, esquecia-me que a culpa é toda do Sócrates e só do Sócrates) e os longos anos, tão longos que parecem séculos, em que preside aos altos destinos da Nação. Sem que faça um gesto, um só, que prove que teve razão quem nele votou. Os casos, ora patéticos ora tristes, somam e seguem no anedotário nacional. As escutas, as reformas, a António Arroio, as vaquinhas dos Açores, o BPN, o seu inner circle, de Dias Loureiro a Duarte Lima. A voz de ventríloquo cansado. A pose de manequim da Rua dos Fanqueiros. Os ataques rasteirinhos. E está para durar. De pedra e cal. Ou de ferro. Enferrujado.