02/06/12

fracos e preguiçosos? fala por ti, puto!

sete polícias a um osso

pela redenção dos nossos pecados


Muita gente se irrita, e outros acusam-me de exagero, quando digo que Merkel está cada vez mais parecida com Hitler. Mas está. Aquilo que Adolfo não conseguiu com a força das armas, está Ângela a tentar pelo poder da economia: escravizar os países à sua volta, torná-los mão-de-obra barata para usufruto da grande Alemanha.

Vieram a lume estudos alemães que apontam para a criação de reservas económicas especiais nos países mediterrânicos. Portugal, claro, está incluído, pese embora a imprecisão geográfica, que se perdoa. E os indícios não acabam aqui. Para redenção dos nossos pecados, da gente do Sul e do Sol, amantes da boa vida, do dolce fare niente, de putas e vinho verde no nosso caso, germinou uma ideia brilhante na Universidade Johannes Gutenberg, em Mainz: a criação de um Pacto de, adivinhou, Redenção. Até o nome humilha e mete medo.

Que se leia, nesta transcrição do jornal "i", o que se prepara entre a intelligenz alemã:

"Para vencer as actuais dificuldades, os países endividados do Sul da Europa, Portugal, Espanha, França e Itália, poderão ser convidados/obrigados a pôr as reservas de ouro e os tesouros nacionais como garantia de um plano de assistência e estabilização financeira de 3 mil milhões de euros que está a ganhar forma na Alemanha, em alternativa à criação de eurobonds."

Não sei bem o que querem dizer com a disponibilização dos tesouros nacionais. Mas quer-me parecer que se vão ver em sérias dificuldades para transladar os Jerónimos para Dresden, ou o Museu do Prado para Munique, ou a Torre de Piza para Berlim. A história já provou que aos alemães, a certos alemães, e a um austríaco que nasceu no lugar errado, nunca lhes faltou engenho e arte para fazer o que lhes dá na real gana. Até matar. E nós, quer queiramos quer não, somos para eles os novos judeus. 

doidos não, bandidos serão


a última tanga de paris


Não costumo alinhar em teorias da conspiração, mas elas são como as bruxas, lá que as há, há. E ninguém me tira da cabeça que Sócrates anda por Paris a fazer das suas. Das dele. Por outras palavras, o antigo primeiro decidiu redimir-se das malfeitorias que andou a fazer por cá e, numa azáfama digna de nota, percorre a toda a hora as ruas entre a Sorbonne (se é por lá que ele anda a filosofar) e o Eliseu, para bichanar aos ouvidos de Hollande uns quantos conselhos. Na verdade, verdadinha, mal o governo francês foi eleito já se estava a tomar a decisão de reduzir os salários do todos os membros do executivo. Agora, é anunciado que os dirigentes das empresas públicas francesas vão ver reduzidos os seus salários de forma colossal (onde é que eu já ouvi esta palavrota?). Tanto assim é que só o Presidente da Electricidade de França vai perder, por ano, um milhão de euros. Leram bem: vai dizer adeus a 83.333,33 euros por mês. E ainda há mais neste pacote de provocar urticária, seborreia e erisipela ao Passos (e é por isso, e só por isso, que Sócrates se meteu ao barulho e anda a meter na cabeça de Hollande tantas ideias subversivas): o ordenado mínimo, actualmente de 1.398 euros, vai subir. Tudo à revelia de Merkel, Coelho, Gaspar, Lagarde, Durão e demais comparsas do roubo colossal (caramba, onde é que já ouvi isto?) aos povos de grande parte da Europa. 

Por isto, e só por isto, vejo-me obrigado a gritar a plenos pulmões: volta ao nosso seio Sócrates, estás definitivamente perdoado. 

01/06/12

o preço da impunidade

Por Daniel Oliveira

Junte-se Madeira e JSD e sabemos que o resultado só pode ser uma má comédia para adolescentes. José Pedro Pereira é um "afilhado" de Alberto João Jardim. E sendo seu "afilhado", segue escrupulosamente as pisadas do "padrinho". Só que a ordinarice, imagem de marca do PSD local e do presidente regional, extravasa, no caso do rapaz, a vida política. Com vários processos à perna, o deputado regional é acusado de vandalismo, por ter urinado num carro da PSP. Um caso raríssimo de tentativa de punição legal de um quadro local do PSD. Talvez seja esta a fronteira que o desbragamento da vida política medeirense tolera.

O estilo dos jotinhas de Jardim também se sente na relação com a oposição. Recentemente, o secretário-geral-adjunto da JSD-Madeira, André Candelária, demitiu-se porque não gostou, ao que parece, de ver o seu nome num "comunicado" da juventude partidária. A coisa era sobre o líder da JS local. E, com o título "Ai, Ai, Burrito!", podiam ler-se pérolas literárias como esta: "O débil mental da tentativa falhada de Juventude Partidária, mais uma vez, na sua paixão não correspondida pelo líder da JSD Madeira, procurou, e à falta de ideias em prol da Juventude da Madeira e Porto Santo, fazer propaganda pessoal às custas do grande trabalho da JSD Madeira e do seu líder." Ou esta: "A JSD Madeira quer ainda deixar o seu muito OBRIGADO ao "Burrito" Orlando, pois sem este a Juventude da Madeira e Porto Santo não fazia sentido. Essa mesma juventude que já há muito tempo pediu a independência dos seus débeis e desgraçados contributos para esta terra."

Tudo isto deveria ser indiferente. Indigno de se referir, a não ser, talvez, na porta de uma casa de banho de um liceu. Acontece que estes senhores são deputados e o lider da jota demissionário até promete voltar, quando for crescidinho, para liderar o governo regional. Acontece que a degradante vida política madeirense não nasceu do nada. Nasceu da impunidade que a República garante, há décadas, a este deprimente "elite" local. Nasceu de uma cultura antidemocrática que o presidente regional alimenta e as instituições do país toleram.

Estes comportamentos não são o retrato dos madeirenses, que não são nem melhores nem piores do que o restantes portugueses. É o acontece à política quando as regras democráticas são esquecidas e nos convencemos que basta haver eleições para que se viva em democracia. 

Não se enganem. Há, no parlamento nacional, alguns senhores do calibre deste rapaz. A diferença é, apesar de tudo, que as instituições democráticas, mesmo que em serviços mínimos, ainda funcionam. Quando passarmos definitivamente a aceitar que as regras democráticas e a ética política (não aldrabar o Parlamento em matéria factual, por exemplo) são um luxo que a crise torna irrelevantes, todo o país será finalmente uma enorme Madeira.Já esteve mais longe.

eu, meretriz

A verde e vermelho, um boudoir chamado Portugal
Por António Fernando Nabais

Com a má vontade que me caracteriza, recusei-me a considerar como reformas estruturais as acções do actual governo, ao retirar poder de compra e direitos aos trabalhadores portugueses. Talvez, afinal, estivesse enganado e tudo isso fizesse, final, parte de um plano para nos colocar ao nível de outros países.

Acreditando numa sociedade assente na solidariedade, na redistribuição equilibrada da riqueza e num Estado suficientemente forte para não se deixar apropriar pela corrupção legalizada e suficientemente sensato para não entravar a iniciativa privada, confirmo, afinal, que tenho andado a pagar impostos e a ser espoliado de parte do meu salário para pagar dívidas de autarquias e parcerias público-privadas.

O governo, com a cumplicidade de todas as outras instituições – incluindo um partido que se finge zangado em público, mas que se presta a um coito ininterrupto em privado –, arremeda orgulho pela obra (des)feita, contando, ainda, com o apoio de uma certa Alemanha cujos caninos hitlerianos parecem renascer.

Não cairei na deselegância de insultar a mais antiga profissão do mundo, afirmando que essa gente é uma cambada de filhos da puta. Puta sou eu, obrigado a dar o corpo ao manifesto e a sustentar uma chusma de proxenetas que ainda têm o atrevimento de me dizer que ando a viver acima das possibilidades. E enquanto o lenocínio continua impune, ainda temos de ler inteligentes a confundir desespero com empreendedorismo ou outros que, num país crescentemente subdesenvolvido, têm o desplante de considerar que existe um investimento excessivo em Educação.

um contentor de oportunidades

chegou a vez do ouro

Por Manuel António Pina

Já em tempos aqui aludi às duas faces da Alemanha: a luminosa e a monstruosa. A luminosa dos filósofos, dos músicos, dos poetas, da própria língua alemã e das possibilidades que a sua formidável ductilidade oferece ao pensamento criador; a outra, a monstruosa, que se revela em palavras repugnantes como "Shoah", "Endlösung", "Vernichtungslager", Auschwitz, Treblinka, Buchenwald e muitas, muitas mais, umas grossas e assustadoras, outras eufemismos mais ou menos sofisticados.

A expressão "Pacto de Redenção", projecto de financiamento dos países "preguiçosos" do Sul (Portugal, Espanha, Itália e Grécia) que a Alemanha parece preferir em alternativa às "eurobonds", pertence àquela última categoria e representa bem a política de pilhagem financeira da Alemanha de Merkel.

"Redenção" tem conotações teológicas, significando algo como "pagamento por um pecado" (é neste sentido que se diz que Cristo ofereceu a sua vida para redimir a humanidade). Segundo o jornal "i", o pagamento que a Alemanha agora exige para a redenção dos pecados dos países devedores do Sul é o penhor do seu ouro e dos seus tesouros nacionais.

Depois das ilhas gregas, os olhos frios e cobiçosos da Alemanha voltam-se para o Pártenon, a Galleria degli Uffizi, o Prado ou os Jerónimos e as toneladas do ouro (que já foi nazi) do Banco de Portugal. Desta vez sem "Panzers", taxas de juro chegam.

nunca li marx nem lenine nem engels nem trotsky


É para a esquerda que me levam a razão e o coração. Mas nunca li Marx, ou Lenine, ou Engels, ou Trotsky. Feita esta confissão, que indignará alminhas à esquerda e à direita, pois quem não lê os "clássicos" não deve botar faladura, passemos ao porquê do aranzel: porque me custa, palavra de honra que custa, ver a esquerda, num tempo destes, dividida em clubes, quintinhas, facções, onde cada líder, e cada cidadão anónimo, alça a perninha para marcar território. Todos eles certamente doutos, não terão deixado de ler Marx, e Lenine, e Engels, e Trotsky, e assim e assado, tomam partido, fomentam ódios e rivalidades, provocam a desunião, o desamor, às vezes mais hostis entre uns e outros do que contra os seus verdadeiros inimigos.

Mas o momento é grave, dos mais graves que a vida me tem dado viver. Ainda ontem, andei pela net a bisbilhotar anúncios de emprego. Ofertas há. A 500 e 600 euros de salário em troca de qualificações altíssimas e em troca, muitas vezes, de país. Ou seja, aceite um emprego em Madrid ou Barcelona por 500 euros e ainda vai pagar para trabalhar porque, se outros "luxos" não tiver, vai ter que alugar casa ou uma parte dela e, se tiver mulher e filhos, viver longe deles durante longas temporadas porque o dinheiro não lhe vai chegar nem sequer para o metro, quanto mais para o avião.

Ou seja, a desregulação não se encontra só nos mercados financeiros. Acontece também no mercado laboral. Vale tudo, qualquer dia até tirar olhos. Com a benção do governo, da tonta Comunidade Europeia e do criminoso FMI.

E a esquerda, o que faz? Degladia-se. Movimentos, associações, plataformas,  partidos e o diabo a quatro agarram-se aos seus pergaminhos, às pequeninas leiras de que não querem abdicar em prol da terra toda, do povo todo. 

E a direita ri-se. Aproveita-se. Ousa cada vez mais e cada vez mais rapidamente. O fosso entre pobres e ricos cava-se cada vez mais fundo, para gáudio dos ricos e vergonha dos pobres cúmplices.

Se leio Marx? Lenine? Engels? Trotsky? Não. Vejo a vida. E sofro-a. Isso chega-me para tomar partido. E estar ao lado da esquerda. Toda. 

o nosso querubim

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

31/05/12

o nobel da economia já cá canta!

Tive uma grande ideia que ofereço de mão beijada aos nossos queridos governantes. Que tal indexar a reforma não à esperança de vida mas à idade da pessoa? Eu explico: quem tiver 65 anos receberá 65 euros de pensão (sim, tem que chegar, quem lhe manda ser madraço e reformar-se tão cedo?). Quem tiver 80 anos receberá 80 euros. E assim sucessivamente. Já me estou a ver. Para me vingar do Estado, fuinha e ladrão, farei tudo para viver até aos 150 anos. Sempre serão 150 eurecos que sonego aos seus cofres perdulários (para alguns porque, para nós, são sovinas e rapaces).

Não é uma ideia genial? Uma coisa é certa e sabida, digo eu que nunca me engano e raramente tenho dúvidas: o próximo Nobel da Economia vai ser cá para o meco. Vou já encomendar o fraque.


a nova manuela moura guedes

Ao entrevistar Paulo Campos, ex-secretário de Estado de José Sócrates, no telejornal desta noite, José Rodrigues dos Santos fez-me lembrar o pior estilo de Manuela Moura Guedes. Acusatório. Opinativo. Afrontoso. Agressivo. 

De notar que não conheço Paulo Campos de lado nenhum, não tenho conhecimentos que me levem a perorar sobre as acusações feitas pelo Tribunal de Contas, mas sei que o respeito por um entrevistado, seja ele qual for, é condição indispensável por parte de um pivô de telejornal. 

A assim não ser, estaremos a cair na área da imprensa tabloid, dos pasquins sensacionalistas, da condenação sumária em praça pública (de que o nosso povo, aliás, tanto gosta, à falta de pão entretém-se com circo, ainda que à custa da reputação e bom nome da pessoa em causa).

A RTP deve prestar um serviço público. Isento. Não foi isso o que aconteceu.


adivinhem quem vem para gamar


Soube-se hoje que o défice orçamental está nos 7,4%, portanto muito, muito longe dos 4.5% a que o governo se comprometeu. Onde é que eles vão buscar dinheiro para equilibrar o orçamento e pagar as contas de corruptos, caloteiros e demais sevandijas? Adivinhem.

Como o IMI já aumentou, o IVA já aumentou, o IRS não pode subir mais, crie-se uma coima que penalizará quaisquer palavras, orais ou escritas, contra o governo. O défice vai desaparecer enquanto o diabo esfrega um olho. Esse mesmo, o que estão a pensar.

quando uma imagem vale tanto como mil palavras


depois de alberto joão, que venha o pereira chorão!

a saga do medricas: passos coelho tem medo de miguel relvas

Por João Lemos Esteves

"Quem é que convidou Passos Coelho a candidatar-se à liderança do PSD? Miguel Relvas com o apoio financeiro de Ângelo Correia e Mira Amaral. Quem é que destruiu a liderança de Manuela Ferreira Leite? Miguel Relvas. Quem é que virou a máquina do partido a favor de Passos Coelho? Miguel Relvas. Quem é que, a poucos dias da eleição interna no PSD, telefonou a gritar com dirigentes distritais do PSD que ameaçavam não apoiar Passos Coelho ou que foram dissidentes (conheço um caso flagrante)? Miguel Relvas. Quem é que tem segurado a comunicação social, evitando notícias muito negativas para o Governo? Miguel Relvas. Quem é que arranjou os assessores (a grande maioria, pelo menos) que compõem o gabinete de Passos Coelho? Ora bem, Miguel Relvas! Conclusão: Passos Coelho não tem alternativa. Passos Coelho não tem coragem para demitir Miguel Relvas, nem tão pouco criticá-lo publicamente. Passos Coelho está dependente, num colete-de-forças: não se pode mexer sem a anuência, sem a concordância de Miguel Relvas. A vida política de Passos coelho depende de Miguel Relvas. Quando Miguel Relvas cair, cai Passos Coelho. Assim: rápido e cirúrgico. Sem dores prolongadas. Automaticamente. Passos Coelho vive enquanto Miguel Relvas viver. Todos os escândalos de Miguel Relvas são escândalos de Passos Coelho."

Leia todo o artigo aqui.

a verdade de relvas é como tudo na vida, vai mudando


Por Daniel Oliveira

No princípio, Miguel Relvas quase não conhecia Silva Carvalho. Depois, afinal, já se tinha cruzado com ele em lugares públicos um número razoável de vezes mas apenas debatiam assuntos de atualidade e de política internacional. Lamento que não tivessem sido ainda mais públicas, porque adivinho debates interessantíssimos sobre o futuro do planeta. Por fim, soubemos ontem, pela sua boca, porque Relvas sabia que a notícia iria sair na "Visão", que teve reuniões empresariais com ele onde, supomos, não se dedicaram discutir a situação no Médio Oriente. Argumento: se havia nove num encontro isso não conta. A não ser, claro, quando se fala de festas de aniversário com 70 pessoas, porque isso prova que Relvas só estava com o senhor quando, azar dos azares, tropeçava nele em festas e hotéis.

Reuniões de negócios não são fortuitas. A sede da Ongoing não é um evento social. E lá não se discute actualidade e política internacional. Ou seja, Relvas mentiu. Relvas disse que o sms que recebeu de Siva Carvalho não tinha nomes de agentes e não correspondia a segredos de Estado. Afinal recebeu, por sms, o nome de dois agentes a promover. Ou seja, Relvas mentiu. E fico-me pelas poucas perguntas a que Miguel Relvas resolveu responder na comissão parlamentar de ontem.

Não é pecado conhecer gente pouco recomendável. O próprio Jorge Silva Carvalho já me escreveu impressivo email - protestando com o meu último artigo sobre a sua pessoa -, cujo o conteúdo não revelarei (nada de especial tem para revelar, apesar de não tratar de assuntos de atualidade e política internacional), porque não tenho os hábitos de que este senhor é acusado e respeito a privacidade da correspondência. O problema é a mentira. É problema por duas razões. A primeira, é um facto: Relvas mentiu a uma comissão de inquérito e isso não se recomenda. A segunda é uma dúvida: porque mentiu, sucessivamente, sobre a sua verdadeira relação com Silva Carvalho? E porque razão devemos acreditar que está agora a dizer a verdade?

Miguel Relvas usou, como é costume em algum género de pessoas, o seu cordeiro para sacrifício, demitindo o seu adjunto que, acredita quem quiser, manteve contactos com Silva Carvalho sem que o seu ministro o soubesse. Mas não me parece que isso chegue para desistirmos de perceber a intensidade da sua relação com alguém que se dedicava a espiolhar a vida dos outros.

No porreirismo nacional, muitos pensarão que este é um assunto menor. Mentir, mesmo com o à vontade com que o faz, fingindo que sempre disse o que de novo nos informa, já nem é grave quando se trata de um responsável político. Acontece que ou Miguel Relvas é um mitómano, e mente sem qualquer necessidade de o fazer, ou a sua ligação a Silva Carvalho é bem mais profunda do que ele quer que nós acreditemos. E se é, tendo em conta o lugar político que Relvas ocupa e os casos em que Silva Carvalho está envolvidos, temos direito a sabê-lo. Precisamos de saber se essa relação vai até ao ponto a estar a par das informações que este ia recolhendo.

Ontem, Pedro Passos Coelho empenhou a sua credibilidade nas palavras, sempre em evolução, de Miguel Relvas. Anota-se. Para mais tarde recordar.

pena capital

A imprensa noticia mais um suicídio na Grécia, desta vez de um farmacêutico de 61 anos, alegadamente por não conseguir pagar as suas dívidas. Os assassinos, esses, prometem endurecer a luta. Porque em  nada lhes importa o destino dos gregos. Desde que paguem impostos.

então e eu?

Por Manuel António Pina

À medida que vão surgindo na Imprensa notícias de relatórios, encontrados em poder do ex-espião Jorge Silva Carvalho, sobre a vida privada de jornalistas, sinto-me cada vez mais discriminado. Então e eu? Será a minha vida privada tão desinteressante que, jornalista há 40 anos, os espiões do SIED e do SIS não têm nada a relatar sobre, como os velhos informadores da PIDE, o meu "porte moral"?

É triste chegar quase aos 70 e ter a esquisita sensação de que a minha vida é, afinal, um livro tão aberto (ou tão fechado) que nenhuma "secreta" quer saber quem são os meus amigos e os meus inimigos; se tenho família, dívidas, pensamentos, conta bancária, colesterol; se continuo a receber pelo correio "folhas de jornais franceses" (arquivadas na Pasta 10/1); se alguma coisa "consta em meu desabono, moral e politicamente"; se serei "desafecto ao regime" ou, até, "adversário do regime", ou então se não se conhecem as minhas "verdadeiras tendências"; se minha mulher teve uma "rígida e exemplar educação" e que foi feito da tal "doença cancerosa" que, segundo o bem informado Relatório n.0º 202/72/SC da PIDE/DGS, lhe "teria surgido"; etc..

A minha esperança é que tudo isso seja Informação Estratégica de Defesa e que, quando a Ongoing desvincular Silva Carvalho do segredo de Estado, eu descubra que, como os outros, também tenho uma vida merecedora de relatório com 16 páginas.

30/05/12

um par de sapatos e o funeral


A União Europeia faz-me lembrar uma anedota que ouvi há uns anos. Não me lembro dos pormenores da dita, mas reza mais ou menos assim: um dia, um pobre foi pedir a um amigo uns sapatos emprestados para ir a um funeral. O amigo, em pleno cortejo fúnebre, não cessava de lhe gritar: "Olha os sapatos", "Cuidado com essa poça", "olha essa pedra, que me estragas os sapatos".

A anedota pode não ter muita graça, que não tem, mas a União Europeia tem-na menos. E sim, existe uma certa analogia. É que a matrafona nos emprestou os sapatos, é verdade, mas, além de nos obrigar a pagar depois o sapateiro, gastando nisso tanto como o que nos custariam uns sapatos novinhos em folha, ainda se atreve, ao longo da via sacra que nos obriga a percorrer, a admoestar-nos: "Cuidado que os portugueses ganham demais" e "Parem de pagar subsídios aos desempregados durante tanto tempo" são dois dos últimos avisos aos pobres descalços, nós, que eles queriam defuntos, mortos na dignidade e no espírito combativo.

num país à beira-miséria plantado

Os índices de pobreza são alarmantes. Há mais de um milhão de desempregados. Muitas famílias não têm o que comer e recorrem à caridade. Jovens altamente qualificados têm que sair de Portugal para sobreviver e perseguir os seus sonhos. Outros jovens, cuja única qualificação é saber dar uns chutos numa bola mas que saberão muito pouco de português, isto só para mencionar a disciplina onde todos os dias lhes asseveramos os conhecimentos e a habilidade, pavoneiam-se em carros de luxo e nada lhes falta. Mundo cão? Não só. Mundo porco. Imundo e grosso.






o hino de portugal revisto e actualizado

o circo foi à assembleia


Acrobacia 1:
"Não há nenhuma promiscuidade entre o Governo e os grupos económicos", disse Passos Coelho na AR. 

Acrobacia 2:
Parece que actuação de Miguel Relvas no espectáculo que se está a desenrolar hoje na AR está marcada para as 17:30. O melhor artista fica sempre para o fim.

rasteiradas, caneladas, golpes baixos

Coelho está no parlamento no debate sobre as secretas. Já se está a ver o rumo da discussão: afinal de contas, a culpa foi do Sócrates, os sms para Miguel Relvas, as investigações à vida de Balsemão ou Ricardo Costa, a chantagem a uma jornalista do Público, remontam a 2010.

O ser humano não conhece barreiras para a ignomínia.

nós somos a europa!




MANIFESTO PARA UMA RECONSTRUÇÃO DA EUROPA A PARTIR DA BASE

Um Ano Europeu de Voluntariado para Todos como resposta à crise do euro!

A juventude europeia tem hoje mais educação do que alguma vez teve. No entanto, um em cada quatro europeus de menos de 25 anos está desempregado. Em muitos sítios, jovens excluídos instalaram acampamentos e exprimiram publicamente o seu protesto através de acões não violentas, que são no entanto a expressão de uma forte exigência de justiça social (em Espanha, em Portugal, nos países do Norte de África, nos Estados Unidos, em Moscovo). O grito de união que fizeram ouvir significa a cólera que sentem face a um sistema político que esgrime as suas armas para salvar os bancos com dívidas astronómicas, mas que ao mesmo tempo sacrifica o futuro das novas gerações. Ora, se as esperanças e as expectativas dos jovens europeus são sacrificadas no altar da crise do euro, o modelo europeu, embora suscite vasta admiração, corre o risco de se desagregar.

não precisa de ir à china, às filipinas, ao méxico, à índia, vai ter tudo isso em portugal

O governo alemão augura zonas económicas especiais nos países do Sul da Europa, não mais do que campos de concentração de escravos. A troika deu uma ajuda, recomendando que o custo de trabalho baixe ainda mais em Portugal. Hoje, a Comunidade Europeia vem fazer o mesmo apelo ao "nosso" governo. Tudo aponta para o mesmo caminho: que vamos ter o México, a China ou a Índia à porta de casa. Que melhores férias poderíamos desejar?


não largam o osso nem por nada

Embora não pareça, pelo menos no que ao acto eleitoral diz respeito, são uma minoria. Têm poder, têm dinheiro e têm sido, ao longo de milénios, fonte inesgotável de sofrimento e morte, servidos por fiéis lacaios e obscuras gentes. No entanto, pensávamos nós, o mundo ia evoluindo. Devagarinho mas ia. A escravatura, pensávamos nós, tinha acabado há muito. Os trabalhadores passaram a ter mais direitos, férias, feriados, fins-de-semana. Os salários foram sendo melhorados. Os abusos dos patrões eram punidos. Puro logro. Eles não largam o osso nem por nada. Agarram-se à presa, nós, e sugam-na, trituram-na, comem-lhe a carne e roem-lhe os ossos. São lobos famintos. Sempre o serão. A não ser que acabemos com eles. De vez. Virando-se a presa contra o carniceiro. Chega de carnificina, de saque, de dor, de horror.

está tudo por dizer


Por Baptista Bastos

No mesmo dia em que, num doce jardim de Singapura, o dr. Cavaco, estremecendo de emoção, baptizava uma orquídea de "Simplesmente Maria", nesse mesmo dia Portugal vivia entre a barafunda, a mentira, e a omissão. Não há mal-entendidos nestas duas situações, só na aparência dissemelhantes. É o país que temos, o Presidente que se arranja no seu grandioso e fausto possidonismo, e a política de trazer pela trela que tem transformado a nossa pobre terra num episódio desprotegido, grotesco e insano.

O caso secretas-Relvas-Público e afins, que a "comunicação social" tem tratado com valente energia e sólido nervo, são comentados, pela população, sempre ávida de sacudir a nefasta melancolia, com o mesmo primor que atribui à selecção de futebol. Há algo de irracional nestas emoções. Mas essa irracionalidade pertence-nos, quase em sistema de exclusividade. É o Portugalinho na expressão mais ampla do nosso aparato cultural.

O que se sabe, no primeiro caso, é o que a Imprensa diz: apenas a superfície do que se esconde. E o que se esconde é muito mais amplo, muito mais caviloso, muito mais absurdo e vil do que nos dizem. Pelo menos tudo o indica. O que se deseja não é derrubar o Governo: é, apenas, amolgá-lo um pouco, como aviso para o que não deve, ou deve fazer. Miguel Relvas, exuberante por vaidade das funções exercidas, falador até ao cansaço, e incauto até à medula, era um alvo fácil. Almoçou ou jantou com pessoal graúdo da espionagem; recebeu mensagens no telemóvel porque o seu número estava no rol de quem não devia estar; convivia com gente inquietante, como sejam jornalistas. Por aí fora.

Enredado nesta teia reticular e quase sufocado pela imodéstia, Relvas, que me parece ser apenas isto e muito pouco mais, entalou Passos Coelho que, naturalmente, vai correr com ele, ajeitando um pretexto qualquer, ostensivamente esquecido algumas semanas depois. Um preopinante de voz grossa e gramática fininha, disse que Passos devia o lugar a Relvas. Tolice. Relvas é uma miniatura política, modelada pelas circunstâncias actuais da mediocridade generalizada. E Passos o tal incidente à espera de acontecer. Está ali para durar, tendo em vista a falta de atractivo e de fibra de António José Seguro, notoriamente um líder de passagem.

Entretido com as orquídeas, o dr. Cavaco nada disse, ou talvez ainda diga, servindo-se das evasivas e dos anacronismos do costume. Perdão, disse. Disse o que contraria as teses do Governo. Este, pelas vozes de Passos e Relvas, aconselhou os jovens a ir para o estrangeiro; o dr. Cavaco insistiu em que permaneçam em Portugal. Afinal, em que ficamos?

Nesta jiga-joga de expressões, em que o Público não sai virtuoso e na qual tudo é confuso, duvidoso e aleatório, vamos passando ao lado das lições diárias da História. E tudo fica por dizer.

Fonte das imagens: http://www.tvi.iol.pt

parlamento ajardinado

Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

29/05/12

paga e não bufes!


Relvas e Ruas, o ministro (este sim, sinistro) e o autarca dos autarcas, estiveram hoje juntos e felizes em conferência de imprensa. Motivo? Tinham chegado a acordo, não pré-nupcial, antes fosse que só se estragava uma casa, mas um outro em que o Estado vai "ajudar" as autarquias endividadas desde que as autarquias endividadas se comportem como deve ser, ou seja, sem afrontar o governo e as suas sábias decisões. 

Até aqui, a malta até podia ficar contente, respirar de alívio, sempre é um problema a menos. Só que, depois, começa a esmiuçar a questão, a trocá-la por miúdos, e chega à aterradora conclusão de que, mais uma vez, são os portugueses que vão pagar e não bufar, com electricidade mais cara, água mais cara (aumentos que podem chegar aos 760%) e IMI mais caro (ou seja, se o banco não lhe ficar com a casa, esteja descansado que as Finanças, mais tarde ou mais cedo, vão lá despejar a família para debaixo da ponte mais próxima - desde que tenha, obviamente, lugares ainda vagos).

Ou seja, os portugueses vão pagar e não bufar depois do regabofe de décadas em que tantos engordaram as contas bancárias, e as rotundas panças, à conta de rotundas, estradas, centros culturais, aterros sanitários e o mais que se sabe e ainda não sabe. 

Estamos a viver num esgoto a céu aberto.

o enorme poder da estupidez humana

Por Daniel Oliveira

A senhora Lagarde, que recebe 380 mil euros por ano e não tem de pagar impostos, mandou os gregos pagarem os seus. A senhora Lagarde, que é uma das mulheres que melhor veste no mundo, com a preciosa contribuição de dinheiros públicos, diz que não se preocupa muito com as crianças gregas. Preocupam-na mais as da Niger, que o coração da burocrata não tem espaço para demasiada gente. A senhora Lagarde, na sua profunda cretinice, fez um favor ao Syriza ao insultar os gregos. É bom haver pessoas como ela. Como não vão a votos, tendem para a incontinência verbal e dizem às claras o que alguns eleitos até em conversas privadas evitam confessar: que se estão nas tintas para os que estão a sofrer com esta crise.

O senhor Cavaco gosta de agradar a gente como a senhora Lagarde. Em Sidney, explicou que o único problema que existe neste momento na União Europeia chama-se Grécia. Anda o mundo a discutir a fragilidade do euro e a inépcia das instituições europeias, que podem levar todo o planeta para uma crise económica de larga escala, e o senhor Cavaco pensa que tudo começa e acaba em Atenas. Como Portugal gosta de imitar os crescidos, o Presidente lá deu a sua achega para a pressão geral sobre os gregos: "Portugal deseja que a Grécia permaneça na zona do euro, mas essa decisão depende do povo grego e essa decisão será com certeza manifestada nas eleições gregas que vão ter lugar a 17 de junho". É tão giro ver o pequenito a fingir que é fanfarrão.

A forma como a Europa está a tratar o povo grego poderá ter (e espero que tenha) uma resposta no dia 17. É possível que os gregos achem que a senhora Lagarde deve enfiar as suas preocupações e conselhos na sua mala Louis Vuitton e que desconheçam quem seja o senhor Cavaco. É até plausível que os gregos sejam diferentes dos portugueses e não sintam grande simpatia por quem fala com eles com paternalismo e arrogância.

Anda por aí muito esperto que, não tendo grande respeito pela democracia, sonha com uma punição dos gregos depois de dia 17. Para que os restantes povos percebam que, nos dias de hoje, a democracia não passa de uma encenação. Descobrirão com espanto que a Grécia está longe de ser o único ou até o principal problema da Europa. Mas que o euro, para o mal ou para bem, está amarrado ao destino do primeiro país que for atirado borda fora. O que os povos perceberão nesse dia é outra coisa: que a União Europeia é um projeto falhado e que dele se queiram ver livres o mais depressa possível. Regressados então à velha Europa dos nacionalismos agressivos, poderemos agradecer à mais medíocre geração de políticos que a Europa conheceu desde o fim da Segunda Guerra. O nosso maior erro é sempre este: subestimar o enorme poder da estupidez humana.

um dealer em singapura


grécia: chegaram os fundos abutre


Nem todos estão descontentes com a asfixia da economia grega. Na terça-feira, um grupo de “investidores” financeiros ganhou a taluda na economia grega, apenas por serem os jogadores menos escrupulosos do mercado.

Dart Management é um fundo de investimento com sede nas Ilhas Caimão, um território britânico conhecido pelo seu estatuto de paraíso fiscal. O seu modelo de negócios garantiu-lhe o título de “fundo-abutre”.

Os abutres “investem na dívida” soberana de países em crise, um eufemismo para “comprar a dívida a baixo preço”. De seguida, tentam impedir qualquer forma de redução do valor desta dívida, com o objetivo de serem reembolsados na totalidade. Uma vez que pagaram uma fração do valor da dívida, o reembolso por inteiro representa um lucro enorme.

salários para que vos quero

Por Manuel António Pina

Segundo o "Dinheiro Vivo", a 'troika' governante terá dado conta aos seus delegados locais de que "os salários ainda podem descer mais e que pode poupar-se mais no sector da Saúde".

A notícia não adianta pormenores, mas certo é que, quando a 'troika' fala em salários que ainda podem descer mais não se refere ao salário do dr. António Mexia (que, até onde se sabe, ainda não desceu coisa nenhuma), mas ao seu, leitor, "mon semblable, mon frère".

Não se conhece igualmente porquê nem para quê têm os salários que descer ainda mais, mas não é, obviamente, para estimular o consumo interno e o crescimento da economia. Em contrapartida, o pagador das promessas do Governo à 'troika' é fácil de antecipar. Ou me engano muito ou "a despesa" será reduzida no sítio do costume, que está à mão de semear e, mais manifestação menos manifestação, mais greve menos greve, é fácil, é barato e dá milhões: os vencimentos da função pública e as pensões dos reformados.

É também já possível ter uma ideia de quanto uns e outros irão "descer mais" e de quanto se irá "poupar mais" na Saúde: as PPP custaram 323,8 milhões ao Estado no primeiro trimestre deste ano, 28,8% acima do que custaram em igual período de 2011. E, parafraseando S. João Baptista, é preciso que nós diminuamos (Passos Coelho diz "empobreçamos") para que eles continuem a crescer.

que há socialistas há, são é poucos

28/05/12

as paredes são livros

Pelas paredes de Lisboa, arte, protesto e humor.




28 de maio é hoje

invasão, ingerência, anexação


A notícia está no site da RTP Notícias e não me deixa mentir: Merkel quer criar, de Portugal à Grécia, sem esquecer Espanha e Itália, países onde vivem humanos de segunda categoria, pouco arianos, podricalhos e amantes da boa vida, quer criar, dizia, zonas económicas especiais como as que existem na China.

Já nem vou comentar a tentativa de ingerência, com laivos nazis, da mulher que, se não é filha de Hitler, o imita na perfeição (e não, não estou a exagerar). Convido antes os meus amigos a lerem "No Logo", de Naomi Klein, para conhecer a realidade desses campos de concentração de mão-de-obra escrava. Sem leis laborais, com ordenados baixíssimos, com jornadas tão longas como nos tempos da revolução industrial, com total desrespeito pelos dignidade e direito humanos, onde literalmente se morre de exaustão, esses lugares, em vez de serem incentivados, deveriam ser condenados, e com toda a veemência, pela comunidade internacional. Mas Merkel, tal como Durão, Coelho, Rajoy e outros tantos, não fazem parte da comunidade internacional. Fazem parte de uma seita que, essa sim, tem que ser erradicada da cena política. Enquanto há tempo.

lagarde merde


Os gregos abriram uma página de protesto contra Christine Lagarde, a coqueluche de luxo do FMI. Vá até lá e proteste também. Hoje por eles, amanhã por nós.

http://www.facebook.com/GreeksVSLagarde

a grécia aqui tão perto

Por Manuel António Pina

As chocantes declarações da directora-geral do FMI ao "Guardian" revelam bem que género de gente preside hoje aos nossos destinos e a quem governos como o português ou o grego subservientemente se vergam. Por momentos, Lagarde deixou cair o idioleto técnico com que ela, Durão Barroso e a "fürehrin" Merkel, mais os seus feitores locais, justificam o empobrecimento forçado dos povos e mostrou o rosto selvagem do neoliberalismo dominante, assente no direito do mais forte à liberdade.

Perguntada se não lhe custava impor ao povo grego, sobretudo aos mais pobres, medidas de austeridade que cortam em serviços fundamentais como a saúde, a assistência social ou o apoio a idosos, a directora-geral não podia ser mais clara (nem mais cínica): "Penso mais nas crianças que andam na escola, numa pequena aldeia do Níger, que apenas têm duas horas de aulas por dia e partilham uma cadeira por três...".

E que tem Lagarde a dizer àqueles que, na Grécia, todos os dias lutam hoje pela sobrevivência, sem emprego e sem serviços públicos? Que se ajudem a si próprios "pagando os seus impostos". Mas as crianças, senhora? "Bem, os pais são responsáveis, não? Por isso os pais que paguem os seus impostos".

Maria Antonieta não o teria dito melhor. Só que os "sans cullotes" de hoje persistem em crer que ainda vivem em democracia (se calhar até em democracia económica).

as calhandreiras

Relvas e Silva Carvalho, que beleza de hortaliças. E entre a economia e a corrupção, o tráfico de influências e uma justiça que não faz nem deixa fazer, não fecunda nem sai de cima, entre um governo de gente sem coração e uma elite de gente sem moral, chafurdamos na lama, atolamo-nos no lodo, afundamos em estrume e desalento, somos, cada português de bem, uma ilha indefesa rodeada de merda por todos os lados.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

27/05/12

de rabo alçado

Outros povos, noutros países, vão dar a volta a isto. A aventura neoliberal-fascista chegará ao fim e nós, portugueses, assumiremos então o comando da luta. Fomos nós quem os derrubou. Não haverá um português, um só, que tenha apoiado Passos Coelho. Ou nele votado. Somos os maiores. Não sei é de quê. Mas somos os maiores. D. Sebastião nunca regressou numa manhã de nevoeiro. Mas tivemos ainda assim Salazar, Cavaco, Sócrates, Passos Coelho e uma imensa legião de heróis, um dia contra, no outro a favor, nem sempre tingidos de vermelho, nem sempre de rosa, nem sempre de laranja. Há países assim. Há gente assim.