07/12/13

despidos de escrúpulos

No quadro acima, os salários pagos aos operários da indústria têxtil nos vários países do mundo onde o trabalho barato impera (e Portugal está, diria Passos, no bom caminho).

Da Zara às marcas de luxo, todos recorrem a mão-de-obra escravizada. Que o diabo os carregue lá para os confins do inferno.









república de cágados


Portugal está bem, está muito bem, está a dar-se um milagre económico, estamos no bom caminho, diz Passos, diz Portas, diz Pires de Lima, dizem os demais serviçais das troikas e baldrocas que nos trazem desgovernados, aporrinhados e pobretanas.

Desmentindo-os, Portugal voltou a integrar, desde ontem, o grupo de países com maiores probabilidades de entrar em bancarrota, acompanhado pelo Chipre e pela Grécia. Estamos em 10º lugar entre todos os países do mundo.

Uma coisa é certa: mais depressa se apanha um mentiroso do que um cágado coxo.

eu hei-de ir a viana

Contra a privatização - subconcessão, aliás - dos estaleiros, Viana do Castelo uniu-se numa grande concentração. Mário Soares, em dia de aniversário, juntou-se aos manifestantes, tal como Pedro Abrunhosa, Gabriela Canavilhas e outras figuras públicas. 

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o mísero professor

© 2006-2013 Presidência da República Portuguesa

ter-se-ão visto gregos para juntar tanta polícia?

Alexis Grigoropoulos tinha 15 anos quando, a 6 Dezembro de 2008, foi morto pela polícia grega. Ontem, marchou-se pelas ruas de todo o País em sua memória. A polícia esteve lá em peso. E não foi para homenagear Alexis.

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ainda mandela





Refrescando a memória de muitos dos que, ontem, vieram elogiar Mandela e carpir a sua morte. Os factos aqui expostos não se passaram nem há vinte nem há trinta anos, foram apenas há cinco, no dia em que Mandela fez 90 anos:

Alguém disse por aqui na net, e eu subscrevo, que "o drama não é só Mandela ter morrido, o drama é não haver mais homens como Mandela".


está despedido! está despedida!

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Quem julga que nada mais há para tirar aos portugueses deve rever a sua convicção. Há mais cortes no orçamento de 2014, cortes que não vão apenas prejudicar os idosos ou os funcionários públicos, vão afectar todos.

E, enquanto Passos e compassivos acompanhantes não forem corridos por indecente e má figura, tudo farão para arrasar o Estado que serve os portugueses, nunca o que serve empórios e imperadores.

Hoje, anuncia-se a ainda maior "agilização" dos despedimentos. Amanhã, será o fim da escola pública. Depois de amanhã, a saúde entregue a privados. A seguir, irão os cemitérios, as águas, os serviços camarários e, quem sabe?, a própria Justiça.

A revolução está em marcha. Não há quem os detenha.

lisboa das artes

Junto ao Museu da Electricidade, a EDP vai mandar construir um novo Centro de Artes. Agora sim, o Mexia mexeu-se bem. Enfim, gosto! 


Fonte das imagens: http://www.lisbonlux.com

nelson mandela

Por Manuel S. Fonseca

Eu tinha visto Angola a ferro e fogo. Tinha visto os meus irmãos bran­cos fugir, os meus irmãos negros matar-se. Não tinha forma de pen­sar outro cená­rio que não fosse o de que tudo se ia repe­tir e que um banho de san­gue inun­da­ria as vivís­si­mas feri­das da África do Sul. Ódio, res­sen­ti­mento, humi­lha­ções, uma her­cú­lea injus­tiça, tinham de ser vin­ga­das. Tinha de haver uma imensa e caó­tica dor, ou não será sem­pre assim a libertação?

Um homem, Nel­son Man­dela, cor­deiro de África, cha­mou a si todos os peca­dos, os seus peca­dos, os peca­dos das víti­mas, os peca­dos dos algo­zes, e deu-lhes a paz. Nel­son Man­dela é um Cristo gen­til, o mais sor­ri­dente dos reden­to­res. Num con­ti­nente devas­tado pela escra­va­tura, pelos gri­tos que ainda hoje gemem no “Heart of Dark­ness” de Con­rad, devas­tado pelas liber­ta­ções dana­das à Frantz Fanon, um homem, Nel­son Man­dela, pou­pou uma nação ao mar­tí­rio, redimindo-a com a ver­dade e o perdão.

Nel­son Man­dela, cor­deiro de África, no fim de século XX, lim­pou os peca­dos do mundo. Deu a paz à sua África e a paz de África é paz do mundo. Hoje mor­reu. E, no entanto, por ter feito do per­dão o mais polí­tico dos ges­tos, viverá pelos sécu­los e séculos.

à espera do final feliz


Lagarde deu o mote, outros lhe lamberam as palavras, sempre atentos e veneradores. Dizem eles que a pobreza em Portugal, ou na Grécia, é nada se comparada com a dos países miseráveis de África ou da Ásia.

Resumindo, é isto: em vez de nivelarmos por cima, fazendo com que esses países saiam da pobreza, empobrecem-se os outros, os "periféricos da Europa", para que, assim, haja mais "equilíbrio" no mundo.

Entrementes, há uns senhores que, nas suas casas de milhões de dólares ou nos seus carros de centenas de milhares de dólares, esfregam as mãos de contentes, as contas bancárias sobem a alturas nunca dantes imaginadas.

O mundo é palco de uma tragicomédia onde todos somos protagonistas. Todos à espera de um final feliz sem, contudo, fazermos um gesto que seja para sermos nós a escrever a História.

mãe velha


Por Fernanda Mestrinho

Despachou os jovens para a emigração, insultando-os, agora atira-se aos velhos como gato a bofe. No 1º de Dezembro, perante uma Orquestra Juvenil, disse-lhes que não iam ter uma vida tão boa como os pais ou os avós.

Não leu o poema brasileiro «Mãe velha» nem dançou a morna cabo-verdiana com o mesmo nome. São palavras de amor e dedicação numa comunidade decente. Como eu lastimo não ter uma Mãe Velha...

Esta não lhe perdoo. Até parti um prato que estava a lavar. É gente duma geração (anos 80 e 90) a quem não ensinaram os valores de uma sociedade, da família, o respeito pelos mais velhos. Não lhes deram umas palmadas no rabiosque e foram para as incubadoras partidárias. Sugiro uma redacção com a repetição 500 vezes da frase «respeito os velhos, respeito os velhos». Ora comecem lá...

E, depois, está a falar de quem? Os avós viveram o fascismo e a guerra colonial, já levaram o FMI pela terceira vez, educaram os filhos e protegeram os pais. Agora são eles que estão, com reformas penhoradas, a aguentarem os filhos e netos. Indefesos mas dignos.

Ao descartar os jovens e esmagar os velhos, Passos Coelho herdou um país falido, mas deixa-o socialmente escavado. Uma herança trágica.

Aviso: o tempo é a única instituição democrática. Corre para todos ao mesmo tempo. Passos Coelho vai lá chegar e, na velhice, gostaria de ser tratado com igual achincalhamento? A ele e a todos aqueles que alinham nesse discurso... Deus não dorme.

Fonte da imagem: http://wwwpoemasdoencontromarcado.blogspot.pt/

o cochicho do menino


Eu não sou de intrigas mas, deixem-me cochichar-lhes, sabem quem vai para a comissão instaladora da IFD, também conhecida por Banco de Fomento?

Franquelim Alves.

Como se vê, o governo está-se nas tintas para a opinião pública. Sabe que esta nomeação vai provocar alvoroço mas insiste em fazer o que quer, como quer e com quem quer.

Todos os dias os portugueses assistem a uma nova afronta. Até quando vai isto durar?

as lixeiras da vida

Esta cidade-lixeira, nas Filipinas, não é uma consequência do cataclismo de há semanas. Já existia antes.





sorte ruim








há vida depois da morte

Em Manila, Filipinas, um bairro de barracas construído, literalmente, entre os mortos.




Imagens: https://www.facebook.com/mio.cade.photo