a aflição de viana do castelo

José Coelho/Lusa/http://noticias.pt.msn.com
Por Mário Soares

Não era minha intenção escrever hoje qualquer texto de natureza política. A política portuguesa vai péssima, todos o sabemos, mas não é do meu agrado repetir-me, insistindo no já dito.

Claro que, com o atual Governo, todos os dias há novas políticas desastradas, que empobrecem mais os portugueses e os levam ao desemprego e ao desespero por não terem dinheiro sequer para dar de comer aos filhos.

Com a chamada austeridade e enquanto a mesma subsistir, como é o caso, tudo será cada vez pior.

Desta vez a culpa voltou a ser do ministro da Defesa, Aguiar-Branco, que só tem criado problemas e nada feito. Que o digam os militares do Exército, da Força Aérea ou da Marinha, que o têm aturado, com muita paciência, mas começam a estar a fartos, como se tem visto...

Agora resolveu atacar os Estaleiros Navais de Viana do Castelo e pôr na rua, como se fossem coisas, 600 trabalhadores. Fez isso de um jato, depois de lhes ter prometido salvar os Estaleiros e garantir o maior número possível de postos de trabalho. Mas, claro, não cumpriu.

Conheci os Estaleiros de Viana do Castelo na altura em que tive responsabilidades de Estado e, depois de ser deputado ao Parlamento Europeu, quando, a pedido dos trabalhadores, fui com o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, visitar os Estaleiros em que ele estava muito interessado. Depois disso a Venezuela enviou barcos para reparação e manifestou a intenção de encomendar a construção de novas unidades.

Mas agora, subitamente, Aguiar-Branco foi dizer aos trabalhadores que os Estaleiros vão ser entregues a uma empresa, que dizem falida, que eles serão despedidos e depois se verá se alguns poderão voltar a trabalhar.

Imagine-se o impacto negativo que as palavras de Aguiar-Branco tiveram nos trabalhadores dos Estaleiros e nas suas respetivas famílias e amigos. Toda a Viana do Castelo se está a manifestar contra, a começar pelo presidente do Município, José Maria Costa, que é um socialista muito moderado e respeitado. Mas sabe, como poucos, a desgraça que tudo isso representa não só para a população de Viana do Castelo mas sem dúvida também para toda a região do Minho.

O presidente da central sindical CGTP, Arménio Carlos, com o seu dinamismo habitual, foi logo a Viana, para se informar e valer aos trabalhadores. Os jornais pouco escreveram, mas algumas televisões e rádios deram em direto as suas palavras. Ouvi-o e gostei do que disse. Não se pode, com tanta incompetência - e sem qualquer critério válido - tentar destruir uma cidade capital. Seria mais um caso de incapacidade e de impotência em que por causa de uns milhares de euros, se destruiria um distrito, que está na origem da nossa nacionalidade... Será que o ministro terá consciência disto? Desconfio que não!

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