03/11/12

não vão à bola com berlusconi


o refundador

Dador de miséria, dador de dor, dador de desemprego, dador de fortunas para uns, de desgraça para outros. Refundador. Que se refunda também!

Por António
http://expresso.sapo.pt

http://elfrascoon.blogs.sapo.pt/

por entre o lixo, flores

A pobreza martiriza e mata milhões de crianças em todo o mundo. E, graças aos mercados e à megera que em má hora os pariu, milhões mais irão florescer e fenecer entre o lixo e a lama de um mundo cada vez mais imundo. Em Portugal também. Não estamos livres nem sós. 


portugal naufragado


Salve-se quem puder. Que entrem na arca banqueiros e políticos graúdos, gestores e ministros, os muito ricos e os muito poderosos. Entrem, meus senhores e minhas senhoras, é entrar, é entrar! Entre doutor Cavaco, tem a primazia, Passos seguir-lhe-á os passos. E Dias Loureiro. O Ulrich e o Ricciardi. O Relvas e o Soares dos Santos. E não se esqueçam, por todos os santinhos não se esqueçam, de ir buscar o Oliveira e Costa e o Duarte Lima. Partam enquanto a barca aguenta, enquanto as vagas não vos ameaçam nem a vós nem aos vossos preciosos bens, conquistados com o suor do vosso rosto. É entrar, é entrar!

FMI, FIM de portugal sem direito a happy end


Imagem de Antero
http://aventar.eu/

pagar impostos para quê?

Por Fernando Santos

São várias as castas políticas responsáveis pela desgraça a que o país chegou. Entre a irresponsabilidade e a demagogia a cheirar a voto, o desgoverno trespassou pessoal de vários patamares do aparelho de Estado. Uns ainda gravitam na zona de influência do poder, incluindo o económico, outros ascenderam ao estatuto de "senadores" de um país falido e sobre o qual se pronunciam como se nunca nada lhes tivesse passado à frente do nariz.

A imagem parecerá desproporcionada, mas não: em vez de adotar o perfil das boas donas de casa, ciosas das boas contas e de bom senso na defesa do bem-estar das famílias, o país viveu da defesa de interesses corporativos espúrios e de benesses irreais para aquecer os lugares do poder pela via da legitimação do voto popular.

Amplificadora do défice, uma tal mistela só podia dar no que deu. Primeiro no pedido de socorro internacional e depois na necessidade de pôr quem ainda tem empresas ou emprego a trabalhar para alimento de um Estado governado durante anos e anos por indigência em nome de interesses inconfessados. Metidos num beco, segue-se a única saída - eufemística, tardia, mas realista: a refundação do Estado.

Aos poucos faz-se a descodificação do discurso ditirâmbico do atual primeiro-ministro e já se percebeu: tarde e a más horas descobriu-se a necessidade de recuperar a gestão das boas donas de casa, isto é, cingir as despesas, incluindo as dos juros de uma dívida astronómica, às receitas possíveis.

O ponto, agora, é saber como se processará o emagrecimento do Estado. A discussão ideológica é atrativa mas será um erro dar-lhe foco exclusivo...

Para já o país parece estar em estado de choque. Cenariza-se o de mais óbvia aplicação: retirar o Estado de áreas nas quais é mais empecilho do que fator de desenvolvimento - ser dono de propriedades agrícolas, por exemplo, não lembra ao careca! - e, em simultâneo, apertar a malha de benefícios da população em áreas como a Saúde, o Ensino ou a Segurança Social.

Cortar, cortar, cortar. A utilização estafada do verbo desequilibra os dois pratos da balança: direitos e deveres. E o resultado, como é evidente, é pouco compreensível. Não atrai apoiantes.

Num Estado de bem, os cidadãos pagam impostos a um nível (in)suportável mas sabem com o que contam: uma reforma planificada e garantida, um subsídio de desemprego digno, hipóteses de dotar os filhos de Educação que lhes garanta o futuro, confiança no tratamento aceitável de uma unha encravada ou uma cirurgia às varizes. Já um Estado sem palavra, descredibilizado, caloteiro, sanguessuga, muda as regras mês sim mês não, corta direitos aos cidadãos e ainda lhes saca e volta a sacar mais e mais impostos, rivalizando com o melhor bandoleiro do faroeste! Nem sequer se coloca a hipótese de escolha, plafonando exigências em nome da solidariedade com o próximo....

Portugal está, assim, numa verdadeira encruzilhada.

Serve para quê o pagamento obrigatório de impostos segundo método aparentado à pirataria? Apenas para sustento de um amiguista aparelho de Estado mandrião, incluindo-se nele politiquinhos?

Depois queixem-se da subida exponencial da economia paralela.

evitar o desastre histórico

Por Carvalho da Silva

Já não há tempo nem espaço para condescendência com as políticas que o Governo PSD/CDS vem impondo e, muito menos, com as medidas que está a preparar. A intervenção social e política a desenvolver tem de ser formulada e posta em prática com o objetivo de, num período curto, derrotar esta "espécie" de "refundadores" instalada na governação. Há que agir de forma contínua, com inteligência e um grande esforço de diálogo, com criatividade e clareza nos argumentos e persistência no esclarecimento, com participação crescente dos cidadãos dos mais diversos setores e camadas da sociedade.

A apresentação do Orçamento do Estado (OE) para 2013 pôs a nu que estamos perante o maior obstáculo ao processo de desenvolvimento do país, depois da derrota do regime fascista em Abril de 1974, e diante da mais delicada crise política pós 1975. Cumprir a "maratona" organizada pela troika e pelo Governo significará, sem dúvida, hipotecar o futuro de uma ou mais gerações e comprometer a democracia e a soberania do país.

O caminho errático e de desastre à vista, que os poderes dominantes estão a impor à União Europeia (UE) só complicará as condições de resposta aos problemas com que nos deparamos. Porque não podemos tratar com ligeireza a nossa condição de membros da Zona Euro ou de membros plenos da UE, porque é preciso aumentar a exigência de novos rumos para esse projeto coletivo, temos de tratar com mais determinação e profundidade a análise das capacidades e propostas concretas que os portugueses podem utilizar para evitar o desastre. Não fiquemos à espera de milagres vindos da Europa: a generalidade dos cidadãos informados, de diversas regiões do Mundo, tinham no projeto da UE uma referência muito positiva no plano social e político, entretanto, hoje olha-o como ameaça aos direitos fundamentais dos povos que o integram e à estabilidade económica e política a nível mundial.

A manutenção de Passos Coelho e seus pares no Governo pode significar não apenas o estilhaçar do Estado Social mas, também, o atrelar do país a compromissos que nos farão sofrer por décadas. Já é bem claro que as chantagens internas e externas sobre os portugueses se vão intensificar nas próximas semanas. Além disso, tenha-se presente que há gente no Governo e na sua área política que, estando convencidos de que tão cedo não disporão de idêntica oportunidade histórica para fazer acertos de contas com o povo e a democracia, quando se sentirem um pouco mais apertados não hesitarão em destruir tudo o que puderem para dificultar ao povo, a personalidades de diferentes áreas, às forças sociais, económicas e políticas que não se submetem, o encontrar de novos rumos. A crença ideológica sob a qual atuam é de tal ordem que pode levar "seres humanos normais" a concretizarem verdadeiras loucuras.

Repare-se na seguinte malvadez: o OE para 2013 concretiza um brutal ataque às condições de vida dos portugueses, designadamente pelo assalto fiscal sem paralelo na história. Forças e estrategas da Direita juntaram-se à sua denúncia, mas desencadearam de imediato uma monumental campanha para convencer o povo de que o corte devia ser feito "pelo lado da despesa" escondendo o que isso significa. No primeiro dia de discussão do OE na Assembleia da República já não se discutiu os seus conteúdos, o debate foi sobre a dose de "cortes estruturais na despesa", logo cortes permanentes que, não fazendo parte do OE, estão em preparação acelerada. Dois dias depois soube-se, por um comentador de serviço da área do Governo, que a troika está em Portugal há três semanas a trabalhar ativamente essas medidas.

Isto é terrorismo político.

Na sequência dos protestos dos portugueses contra o agravamento da carga fiscal, Vítor Gaspar concluía publicamente que os portugueses não estão dispostos a pagar o Estado Social. Dias depois, anunciou a redução demolidora do Estado Social. Em conclusão: debaixo desta manipulação podemos ficar com uma dura carga fiscal e sem Estado Social.

Evitar o desastre é possível reduzindo drasticamente o custo do serviço da dívida e mobilizando recursos e capacidades dos portugueses para criar emprego, dinamizar a economia e proteger os que têm mais dificuldades.

mexia mas já não mexe



BRECHT

Por Fernanda Mestrinho

Perante tanto debate, comentário, entrevista, dei por mim com saudades: nunca mais vi ou ouvi António Mexia.

Geralmente andava rodeado de uma nuvem de jornalistas. Ex- ministro, presidente da EDP, António Mexia era o símbolo do gestor de sucesso. Ora mandava nos governos, aumentando as rendas excessivas e a factura, ora considerava os portugueses uma cambada de invejosos pelo ordenado que auferia.

Acontece que os chineses compraram a EDP e, up, António Mexia passou a funcionário de uma empresa pública chinesa. Os novos patrões não gostam de mediatismo e, além disso, gestores como António Mexia, a China deve ter que esgote os dez estádios de futebol do euro.

Imagino a dificuldade em lidar com uma cultura do sorriso indecifrável e do olhar penetrante. Primeiro ensinamento, na sua reeducação, de Confúcio: “Não te suponhas tão grande que penses ver os outros menores que tu.”

Pior que o silêncio é a carta de despedimento que alguns quadros superiores da Cimpor estão a receber.

Não eram funcionários públicos, mas tinham ainda o conforto do Estado lá dentro. Não eram reformados nem pensionistas, o desemprego não era previsível. Mas, como se lê no poema de Brecht, agora foram buscá-los a eles.

Este governo vai conseguir uma sociedade sem classes, todos pobres. Sobra a banca, até temos uns milhões de lado para que não lhes falte nada e a corrupção ainda florescente e impune. Quando se lhe aplica Brecht?

passos seguros para além de pinochet

Por Tiago Mota Saraiva

A antecipação da hora de votação do Orçamento do Estado oscila entre o patético e o icónico.

PSD, CDS e PS (abstendo-se violentamente) acharam por bem antecipar a votação, pois aproximava-se uma tarde de manifestações à porta do parlamento e um fim-de-semana prolongado. Após a aprovação do OE na generalidade, consta que não há memória de tamanha pressa na saída dos deputados da maioria do hemiciclo (Relvas terá sido o primeiro membro do governo a levantar-se), ainda que os menos amedrontados tenham arriscado um almoço rápido com alguns ministros liderados por Vítor Gaspar.

Mas este talvez seja o momento menor do que está para vir.

O PSD chama-lhe “refundação”. Francisco Assis (PS) chama-lhe “compromisso histórico”. Os dois partidos, com o CDS a reboque e o Presidente da República a tutelar, preparam-se para um golpe que certamente alterará de forma profunda o actual regime constitucional e apagará das funções sociais do Estado tudo o que possa ser lucrativo. Marques Mendes anunciou que o FMI já estava a trabalhar na “reforma do Estado”. Domingo, Marcelo poderá vir a acrescentar novos detalhes.

Certo parece ser que o PSD tranquilizará Seguro legislando por forma a diminuir o número de deputados dos partidos à esquerda. Passos Coelho já tem na sua posse um estudo em que num cenário mais favorável para a representatividade, e aplicando os mesmos resultados das últimas eleições, os grupos parlamentares do BE e da CDU perderiam respectivamente 50% e 37,5% dos deputados actualmente eleitos.

Não restam grandes dúvidas de que a troika, nacional e internacional, não ficará satisfeita com deixar o país na miséria. Também quer mudar de regime político.

de mão estendida e pé descalço, portugal regressa aos mercados





laços de ternura


Perguntar não ofende e quem não deve não teme: se Dias Loureiro é um dos conselheiros deste governo que nos caiu em cima como um dilúvio bíblico, se Cavaco é e sempre foi unha com carne com Dias Loureiro, se Cavaco é o que é e, com o devido respeito, burro velho não aprende línguas, por que carga d'água é que ainda estão à espera que seja Cavaco a salvar-nos do naufrágio iminente? Vá lá pessoal, quando pedirem a demissão do Passos, peçam também a do Cavaco. Exijam limpeza geral, com direito a desratização, fumigação, higienização geral, porque a coisa já cheira mal há muito e, agora, não só fede como (palavra censurada) os portugueses. 

volta à terra que o templo de wall street está infestado de vendilhões

Imagem:
https://www.facebook.com/pages/Anonymous-ART-of-Revolution/362231420471759?ref=stream

02/11/12

retrato de um carteirista quando jovem

Ei-lo, em venerador conciliábulo com o chefe da seita. No repasto, que não foi de coelho, estiveram igualmente Relvas e Rebelo de Sousa, duas aves de rapina que já vêm de longe, que vão longe. Era a quadrilha em dias que já lá vão, quando se atreviam a gamar com mais jeitinho, maior prudência. Do puxão e da carteira surripiada a preceito, com mãos de veludo e pé ligeiro, passou-se para o assalto à mão armada e napalm fiscal. Sinais dos tempos, assinalável progresso na nobre arte de gatunar.




são Passos de terror na casa assombrada, de nome portugal

Website: nightmaresfearfactory.com



a fuga das ratazanas

Mas haverá algum  deputado da direita e do centrão que abdique das suas viaturas de alto gabarito? Com outro refinamento, outra contenção, cada um é como cada qual, faço meus os insultos dos manifestantes.

meninos dos olhos tristes





meninos-guerreiros, meninos-mártires




o direito à felicidade



refundidos e mal pagos


A refundação social de Passos Coelho

Por Daniel Oliveira

Às escondidas, o governo está, mais uma vez, a negociar com representantes de instituições internacionais o futuro deste País pelas próximas décadas. Nada mais, nada menos do que a "reconfiguração do Estado Social" ou, como eufemisticamente chamou Pedro Passos Coelho, a "refundação do memorando". Marques Mendes deu com a língua nos dentes e levantou o véu: uma poupança de 4 mil milhões anuais, quase tudo na educação, saúde e segurança social. Quem conhece os valores das despesas do Estado percebe que não estamos a falar de um ajuste, mas da destruição do Estado Social. A receita é simples: passar as principais funções sociais do Estado para privados. Sabendo que Dias Loureiro continua a ser um dos principais conselheiros deste governo, não ficamos descansados quanto à seriedade do processo. Sabendo que António Borges é o ministro sem pasta, não ficamos descansados quanto à sensibilidade social com que isto será feito.

Sabemos bem o que quer dizer esta "refundação": o fim do Estado Social para grande parte da classe média e para os pobres. E um Estado Social mínimo e caritativo para os indigentes. Dos anos 60 até ao final do século XX Portugal deu um salto assombroso de que nos deveríamos orgulhar. O País que o nascimento do Estado Social recebeu era este: grande parte da população sem direito a segurança social e reformas; cinco milhões de portugueses sem cobertura médica; a mortalidade infantil mais alta da Europa; vinte vezes mais analfabetos do que licenciados. Miséria e ignorância, como sabem os mais velhos e deviam saber os mais novos. Graças àquilo a que Pedro Passos Coelho, num artigo publicado em Julho de 2010, considerou serem "políticas sociais demasiado generosas", o País mudou. Mudou muito. Mudou radicalmente. E eu, como português, orgulho-me disso.

É a esta mudança que Passos Coelho e os fanáticos ideológicos que o acompanham sempre chamaram de "gorduras do Estado". E quem leu o seu projeto de revisão constitucional feito por Teixeira Pinto, que acabou por ser guardado para não revelar demais dos verdadeiros objectivos dos então candidatos a governar o País, não fica espantado com o que aí vem. E sabe que não se trata apenas de uma resposta às nossas dificuldades financeiras. Trata-se de uma confissão e de um pretexto. Confissão de que tudo o que fizeram até agora teve os efeitos opostos aos que se diziam serem pretendidos. Um pretexto para aplicar a agenda ideológica em que este governo realmente acredita.

Há uma alternativa: uma renegociação profunda da dívida. Só os juros levam 9% da despesa. Cortar uma parte disto chega e sobra para resolver o problema do défice. Mas é mais fácil violar o contrato social com os portugueses. E, no meio, dar aos privados o maravihoso negócio da saúde, da educação e da segurança social, negando à maioria dos portugueses uma vida digna e a possibilidade de garantirem para si e para os seus filhos a igualdade de oportunidades que a democracia lhes deve.

Não é admissível que uma revolução social destas dimensões seja decidida em negociações escondidas. É o nosso futuro, enquanto comunidade, que está em causa. É o salto social que nos permitiu ser um País digno do primeiro mundo que está a ser destruído. A Escola Pública, o Serviço Nacional de Saúde e o Estado Providência são nossos. Não se vendem nas nossas costas.

falso alarme, não há piratas à vista


anda, gorda, vem ver o paraíso

Querida Frau,

Dia 12, cá te espero. Devo-te dizer que ando num alvoroço, mal posso esperar para te ver, a ti e aos teus amigos da Volkswagen, da Siemens, da Bosch, da BASF e de outros gigantes alemães, esses impérios dentro do teu império euro-germânico!

Vem daí, querida gorda, vem ver o que estou a fazer, com a ajuda do Gaspar, do Borges, do Dias Loureiro, do Portas, do Ferraz, do Álvaro, de tantos companheiros nesta luta por fazer de Portugal um paraíso, o teu paraíso.

O povo que estou a criar será uma massa obediente de mão-de-obra que vai trabalhar, para ti, por pão e azeitonas. Vais ver como vai ser bom instalar a tua indústria - e não te rales se for poluidora, a gente cá se há-de amanhar - neste pequeno rincão da tua Alemanha, Portugal, cuja capital de província é, caso tenhas esquecido ou nunca tenhas sabido, Lissabon.

Ah, por falar no povo, não te preocupes como esses zunzuns que por aí andam de que alguns estarolas da esquerda radical, e mais alguns traidores que votaram em mim e que agora me odeiam, vão provocar desacatos à tua chegada. Estamos preparados. Lisboa, a tua Lissabon, vai estar deserta de gente e cheia de polícia. O meu amigo Macedo, o Miguel, não se está a poupar a esforços, e muito menos a despesas, para te receber com todas as honras que tu, abençoada sejas, mereces.

Sei que vais cá estar pouco tempo, seis horas no máximo. Espero que aproveites e que fiques a conhecer um pouco melhor este país cheio de Sol e de gente que, sabiamente, tu desprezas, tanto quanto Hitler desprezava os judeus. Sei que somos, para ti, os judeus do teu IV Reich mas, querida gorda, tenho a certeza de que, para ti, serei sempre o judeu mais ariano, o português mais alemão, o patriota mais traidor, o teu coelho de estimação.

Vendo-te o Portugal que nunca amei.

Até breve e um beijo do teu

Kaninchen

espanha 2012

ganhar a vida


01/11/12

o mundo num olhar

São aqueles a quem a rapacidade dos homens continua tantas vezes, milhões de vezes, a negar-lhes um pão, a roubar-lhes a vida. São meninos que nunca foram meninos. Muitos nunca viram um brinquedo, não sabem brincar. As mãos, cheias de nada. Nos olhos, a esperança.

Fotos: https://www.facebook.com/TheEyesOfChildrenAroundTheWorld







a nossa democracia numa encruzilhada

Por Jorge Bateira*

Ao assinar o Memorando de entendimento para obter o financiamento que lhe permitiria satisfazer todos os compromissos financeiros, Portugal estava a sujeitar-se a um programa de ajustamento estrutural idêntico ao de muitos países de África, da América Latina, da Ásia e até da Rússia. O currículo do FMI é um verdadeiro desastre no que toca às políticas de ajustamento que impôs, a ponto de diversos países (destaque para Malásia, Rússia e Argentina) se verem forçados a romper com ele para, com políticas diferentes, finalmente porem as suas economias a crescer, criar emprego e desendividar-se. Com uma diferença crucial: esses países tinham uma moeda própria, embora no caso da Argentina com uma paridade fixa e irrevogável com o dólar. Já agora, desmentindo a narrativa posta a correr pelos comentadores neoliberais acerca do caso da Argentina, importa recordar um facto central: no segundo trimestre após a ruptura com o dólar (Janeiro de 2002), a economia argentina retomou o crescimento. Seis anos depois tinha acumulado 63% de crescimento do produto, deixando para trás três anos e meio de recessão e a desastrosa política de “desvalorização interna” que bem conhecemos.

Guiados por um governo devoto do neoliberalismo em versão radical, ao fim de um ano e meio estamos mais conscientes de que entrámos numa espiral idêntica à da Grécia. Sabíamos que, ao contrário dos anteriores contratos com o FMI, desta vez não poderíamos contar com a desvalorização, e também sabíamos que a “austeridade expansionista” nunca passou de um mito porque na verdade a desvalorização sempre fez parte do pacote das políticas nos países apontados como exemplo. Por isso estava escrito nas estrelas que a execução orçamental de 2012 ia ser um fiasco, como será a a de 2013, embora agora o fiasco seja proclamado aos quatro ventos por muita gente que está bem na vida, sobretudo porque agora também vão ter de pagar algum… para nada.

A UE conhece esta dinâmica mas não muda a política porque o liberalismo alemão (ordoliberalismo) não só está inscrito nos tratados, como é ideologicamente hegemónico na UE. Os sociais-democratas alemães e os socialistas franceses também defendem que os estados devem financiar-se exclusivamente nos mercados financeiros. Os portugueses, tal como os restantes povos do Sul da Europa, pensavam que tinham aderido a uma comunidade de estados solidários e que, integrando a moeda única, poderiam prosperar saudavelmente (sem endividamento excessivo) no seio de uma União cada vez mais integrada também do ponto de vista dos direitos sociais. Enganaram--se, porque embarcaram numa aventura que tinha todos os ingredientes para acabar mal. De facto, não há moeda sem estado, pelo que, ou a UE cria rapidamente um estado europeu federal, o que implica impostos e dívida europeus e transferências de recursos para os estados mais pobres, ou esta zona euro acabará, pelo menos para os seus membros menos desenvolvidos.

A Alemanha fez a sua escolha. As exigências serão implacáveis até que o nosso país, destroçado como a Grécia, finalmente desista. Por isso fechou os olhos à (inevitável) derrapagem do Orçamento português. O preço da benevolência foi agora revelado: em 2013 dar-se-á início à destruição do modesto Estado-providência que a custo fomos construindo segundo os princípios da Constituição de 1976.

Chegados a esta encruzilhada, já não podemos adiar a escolha. Desmantelamos o Estado-providência a pretexto de sanear as contas públicas após o que, já sem financiamento europeu, acabaremos por deixar o euro. Ou assumimos que chegou a hora de dizer basta!, recuperamos a soberania sobre a nossa moeda e reestruturamos a dívida pública.

* economista

merkelita, vamos-te apanhar!


A Merkelita vem cá, já se sabe, e milhares se preparam para a receber. Começa-se agora a saber o percurso da Merkelita, embora os horários continuem no segredo dos deuses, esses seres menores que habitam São Bento e outros lupanares: vai à Auto-Europa e ao Centro Cultural de Belém onde, a par e passo com o seu lacaio Passos, procederá à sessão inaugural de um forum económico.

Seria bom que os grupos, movimentos, sindicatos, o que se quiser, unissem esforços para fazer desta sessão de boas-vindas um êxito retumbante. Sem sedes de protagonismo nem divisionismos. A manifestação de ontem, em frente do parlamento, foi um fracasso. Eu sei porquê mas, em nome da unidade, tão necessária neste momento, fico-me por aqui.

Mais em:
http://www.ionline.pt/portugal/merkel-passos-coelho-abrem-forum-economico-no-ccb-visitam-autoeuropa

se os encontrarem na rua, mimem-nos como quiserem


Eis a lista dos deputados que, ontem, assinaram a sentença de morte da economia portuguesa e, de seguida, fugiram a sete pés da Assembleia da República para não terem que enfrentar a ira do povo:

Adão Silva (Bragança), Adriano Rafael Moreira (Porto), Afonso Oliveira (Porto), Amadeu Soares Albergaria (Aveiro), Ana Oliveira (Coimbra), Ana Sofia Bettencourt (Lisboa), Andreia Neto (Porto), Ângela Guerra (Guarda), António Leitão Amaro (Lisboa), António Prôa (Lisboa), António Rodrigues (Lisboa), Arménio Santos (Viseu), Assunção Esteves (Lisboa), Bruno Coimbra (Aveiro), Bruno Vitorino (Setúbal), Carina Oliveira( Santarém), Carla Rodrigues (Aveiro), Carlos Abreu Amorim (Viana do Castelo), Carlos Alberto Gonçalves (Europa), Carlos Costa Neves (Castelo Branco), Carlos Páscoa Gonçalves (fora da Europa), Carlos Peixoto (Guarda), Carlos Santos Silva (Lisboa), Carlos São Martinho (Castelo Branco), Clara Marques Mendes (Braga), Cláudia Monteiro de Aguiar (Madeira), Conceição Bessa Ruão (Porto), Correia de Jesus (Madeira), Couto dos Santos (Aveiro), Cristovão Crespo (Portalegre), Cristovão Norte (Faro), Cristovão Simão Ribeiro (Porto), Duarte Marques (Santarém), Duarte Pacheco (Lisboa), Eduardo Teixeira (Viana do Castelo), Elsa Cordeiro (Faro), Emídio Guerreiro (Braga), Emília Santos (Porto), Frenando Marques (Leiria), Fernando Negrão (Braga), Fernando Virgílio Macedo (Porto), Francisca Almeida (Braga), Graça Mota (Braga), Guilherme Silva (Madeira), Hélder Sousa Silva (Lisboa), Hugo Lopes Soares (Braga), Hugo Velosa (Madeira), Isilda Aguincha (Santarém), Joana Barata Lopes (Lisboa), João Figueiredo (Viseu), João Lobo (Braga), João Prata (Guarda), Joaquim Ponte (Açores), Jorge Paulo Oliveira (Braga), José de Matos Correia (Lisboa), José de Matos Rosa (Lisboa), José Manuel Canavarro (Coimbra), Laura Esperança (Leiria), Lídia Bulcão (Açores), Luís Campos Ferreira (Porto), Luís Leite Ramos (Vila Real), Luís Menezes (Porto), Luís Montenegro (Aveiro), Luís Pedro Pimentel (Vila Real), Luís Vales (Porto), Margarida Almeida (Porto), Maria Conceição Pereira (Leirie), Maria da Conceição Caldeira (Lisboa), Maria das Mercês Borges (Setúbal), Maria Ester Vargas (Viseu), Maria João Ávila (fora da Europa), Maria José Castelo Branco (Porto), Maria José Moreno (Bragança), Maria Manuela Tender (Vila Real), Maria Paula Cardoso (Aveiro), Mário Magalhães (Porto), Mário Simões (Beja), Maurício Marques (Coimbra), Mendes Bota (Faro), Miguel Frasquilho (Porto), Miguel Santos (Porto), Mónica Ferro (Lisboa), Mota Amaral (Açores), Nilza de Sena (Coimbra), Nuno Encarnação (Coimbra), Nuno Filipe Matias (Setúbal), Nuno Reis (Braga), Nuno Serra (Santarém), Odete Silva (Lisboa), Paulo Batista Santos (Leiria), Paulo Cavaleiro (Aveiro), Paulo Mota Pinto (Lisboa), Paulo Rios de Oliveira (Porto), Paulo Simões Ribeiro (Setúbal), Pedro Alves (Viseu), Pedro do Ó Ramos (Setúbal), Pedro Lynce (Évora), Pedro Pimpão (Leiria), Pedro Pinto (Lisboa), Pedro Roque (Faro), Ricardo Baptista Leite (Lisboa(, Rosa Arezes (Viana do Castelo), Sérgio Azevedo (Lisboa), Teresa Costa Santos (Viseu), Teresa Leal Coelho (Porto), Ulisses Pereira (Aveiro), Valter Ribeiro (Leiria), Vasco Cunha (Santarém), Abel Baptista (Viana do Castelo), Adolfo Mesquita Nunes (Lisboa), Altino Bessa (Braga), Artur Rêgo (Faro), Helder Amaral (Viseu), Inês Teotónio Pereira (Lisboa), Isabel Galriça Neto (Lisboa), João Gonçalves Pereira (Lisboa), João Paulo Viegas (Setúbal), João Pinho de Almeida (Porto), João Rebelo (Lisboa), João Serpa Oliva (Coimbra), José Lino Ramos (Lisboa), José Ribeiro e Castro (Porto), Manuel Isaac (Leiria), Margarida Neto (Santarém), Michael Seufert (Porto), Nuno Magalhães (Setúbal), Raúl de Almeida (Aveiro), Telmo Correia (Braga), Teresa Anjinho (Aveiro), Teresa Caeiro (Lisboa) e Vera Rodrigues (Porto). 

Lista retirada do http://arrastao.org/

o mundo em pé de guerra

Os povos agitam-se, revoltam-se contra o inimigo principal, o mais voraz e feroz dos capitalismos em todas as suas facetas e os cataclismos que está a provocar à sua passagem. As imagens são dos últimos dias, algumas das últimas horas, e mostram apenas uma pequena parte dos muitos tumultos e manifestações que estão a transformar o mundo, cada vez mais, num imenso, num trágico campo de batalha.

FRANÇA

30.10.2012. Num protesto em Notre-Dame-des-Landes, França, a população enfrenta a polícia com ... excrementos.







enterrar os mortos, cuidar dos vivos


Foi neste dia, em 1755, que se deu o terramoto. É neste dia, em 2012, que estamos perante um terramoto mais arrasador ainda, que nos arrastará a todos para a desgraça, a miséria e, muitos, para a morte prematura. Falta-nos um Marquês de Pombal. Para enterrar os bandidos que se querem fazer passar por deuses e cuidar dos vivos, os portugueses.

quando orçamento rima com salazarento, sai-nos uma melopeia ao estilo do antigamente

um país entregue a bandidos

Por Sérgio Lavos 

A ser verdade o que Daniel Deusdado escreve aqui (1), temos então o país a ser governado de facto pela tríade Miguel Relvas/António Borges/Dias Loureiro. E sabemos que tudo o que se está a passar na sombra apenas será revelado daqui a alguns anos - ou nunca será. Das privatizações às futuras concessões depois da refundação, tudo passará pelos dedos sujos desta gente. Dos interesses angolanos às empresas da rede de amigos de Relvas, passando pelos confrades maçónicos e pelos escritórios de advogados que estão a ganhar milhões com a emissão de pareceres e o acompanhamento dos negócios do Governo (pelo lado do Estado e pelo lado dos privados), nada escapará, e no final teremos um Estado a ser alimentado por impostos altíssimos a servir apenas alguns e a contribuir para o aprofundamento das desigualdades sociais e da pobreza.

Não, este Governo não morreu, este Governo está mais vivo do que nunca. Subestima-o quem acha o contrário. Porque os bandidos não têm honra nem ética, e só saem do poder se forem apeados à força. Enquanto isso não acontece, vão tratando da sua vida e da dos seus. Com o alto patrocínio de sua excelência Cavaco Silva, o pai espiritual desta canalha.

(1)

Passos + Relvas + Dias Loureiro

Por Daniel Deusdado

Parece que discutir o Orçamento do Estado é a coisa mais importante para o futuro do país, mas não é bem assim. Insisto num ponto: a maioria dos portugueses não saem do transe em que estão (pós TSU) por não terem confiança em quem está ao leme deste barco. Os sacrifícios não adiantam se não há um rumo e uma moral coletiva. Cada dia que passa é menos um e o ar torna-se irrespirável.

Por isso é relevante trazer à liça um facto que tem espantado os corredores da política em Lisboa - a de que Dias Loureiro é uma figura cada vez mais próxima e influenciadora das decisões do primeiro-ministro. Ora, com o currículo como o de Loureiro (figura atolada no escândalo BPN e na utilização de offshores como poucos), trata-se de um despudor total. Uma espécie de exibição de um poder despótico, sem controlo nem respeito pelos cidadãos.

vendidos!


Meus amigos, agora sim, é mais do que oficial: fomos vendidos pelos bandidos que tomaram conta desta pátria secular. E não me refiro a empresas, agora somos nós mesmos a mercadoria, o rebotalho a vender a quem der mais, é barato, é barato, se comprar mil leva dez milhões e, se responder até Novembro, ainda recebe grátis uns hospitais, umas escolas dantes públicas, uns dinheiritos fanados às reformas dos portugueses. É comprar, meus senhores, é comprar. A ocasião faz o ladrão e há ocasiões que se devem aproveitar!

Por estupidez ou para se armar ao pingarelho, para se fazer ver no meio da sua maralha, o pequenote Mendes, Marques Mendes, o galarote comentador, veio desvendar a monumental conspiração engendrada por Passos e os seus sequazes: afinal a refundação, agora anunciada como um projecto, uma possibilidade, é um facto tão real, mas tão real que já cá estão os senhores do FMI que nos vão tratar da saúde, da educação, das pensões e tudo o mais que nos puderem extorquir sem dó nem piedade. A coisa já andava a ser preparada nas nossas costas há muito. Se se atrasou o anúncio do assalto, vamos ser benevolentes, é porque os conselheiros de Passos demoraram a lobrigar o nome com  que haveriam de baptizar o crime. Agora já há: refundação. Refunda-se tudo, refunda-se a saúde, a educação, a velhice, refunda-se a pobreza, o trabalho escravo, os portugueses baratos, esses seres calaceiros e trapalhões, tão mansos e tão dados à nostalgia, ao sofrimento, sempre calados, sem resistir, sem um pio nem um protesto.

Marques Mendes foi mais longe, adiantou números, organismos a mexer, centros de saúde (sim, meus amigos, centros de saúde!) a privatizar.

Vamos ficar quietos e calados? Será que o PS se vai mexer? E os militares? E os sindicatos? E os movimentos, plataformas, associações? 

Espero que todos os partidos da oposição, todos sem excepção até mesmo o PS, e todos os membros da sociedade, com ou sem partido, saibam defrontar com honra e coragem esta ameaça gigantesca e esta gente sem nome nem Pátria.

Passos quer guerra. Vai tê-la.

o poema do filho da puta


alguns traidores entre tantos