18/04/15

depois de sócrates, que mais?

Paulo Spranger/Global Imagens
Passos está convencido de que vai ganhar as eleições e as sondagens parecem dar-lhe razão. Isto apesar de quatro anos de uma política aviltante e de mesmo agora, a meses de irem a votos, anunciarem a descida da TSU para os patrões e a redução das pensões, duas medidas que sabem ser impopulares.

Aqui há gato ou, se quiserem, aqui há coelho. A gente sabe que são capazes de tudo, de mentir, de trair, de insultar, de conspirar, mas tudo isso, desta vez, não chega se quiserem continuar agarrados ao pote. Têm alguma fisgada, demonstram demasiada confiança.

Sócrates já está preso e, até ver, não vieram daí grandes danos para o PS. Que mais irá acontecer? Quem irá ser acusado de pedofilia, necrofilia, necrofagia? A que parangonas se irão agarrar o "i", o Sol, o Correio da Manhã? 

E que promessas mais nos irão fazer? Que migalhas nos irão atirar? Com que paraísos nos irão acenar?

A esquerda que se ponha a pau. Não se saiam com uma estratégica excepcional para tempos de excepção e mais uma vez Passos lhes comerá as papas na cabeça e, a nós, durante mais quatro anos, os rendimentos, a saúde, a paciência.

É desesperante assistir à passividade das forças de esquerda em Portugal perante o descalabro anunciado. Que tal combater, em conjunto e com garra, com indignação, com fúria, o mal que ameaça reforçar-se e perpetuar-se, empobrecendo-nos definitivamente, fazendo de todos nós frangalhos, pondo-nos a viver de cócoras por uma malga de arroz?

Nunca perdoarei Passos. Mas os outros também não.

16/04/15

tanto também não



draghi pouco dragão





Há fotografias que, não parecendo, são aquilo que são, documentos para a posteridade, flagrantes de uma vida irreal estragada por bancos, enganada por políticos, esganada por mercados, esmagada por um bando de loucos, fanáticos do deus dinheiro. Veja-se a expressão e os gestos do todo poderoso Draghi, aqui mostrando aquilo que é, não mais do que uma lagartixa armada em dragão, um valentão das dúzias que fala grosso à Grécia e aos demais incumpridores mas que se acagaça quando uma menina lhe faz frente, oh desalmada terrorista!, munida de papéis esvoaçantes.  Serão os papéis comerciais do BES? Foi isso que fez o Mário entrar em pânico? 

O ódio por esta gente aumenta. Só por cá o povo aguenta. Ai aguenta, pois aguenta!

procriem que nem coelhos

Será para nasceram muitos coelhinhos que Coelho nos quer ver em acasalamentos bem sucedidos? Mas Coelho não percebeu ainda que desempregado, ou a viver em casa dos pais, ou com um salário de 500 ou 600 euros, ninguém no seu perfeito juízo se atreve a procriar?




14/04/15

ai que rico cheirinho a fascismo!


Leal da Costa, aquele senhor com ar de vendedor bem sucedido mas a quem eu não compraria nem um saco de alcagoitas ou um unguento para os calos, veio congratular-se com a reportagem da TVI sobre as urgências nos hospitais públicos, a qual, segundo ele, comprovou a excelência dos serviços sob a sua alçada e do ministro Macedo. A reportagem, essa, pelo contrário, exibiu dezenas de doentes em macas amontoadas no corredor. Para alguns o corredor da morte, para outros um calvário de horas entre dores, gemidos, gritos, jejum.

Mas Leal foi mais longe, afirmando que os médicos que apareceram nessa mesma reportagem a denunciar falhas graves nos hospitais são "reputados comunistas ou da oposição". Um argumento muito utilizado, se bem se lembram, nos tempos de Salazar para catalogar o reviralho, tudo comunista, tudo gente vendida à União Soviética, tudo a pedir uns safanões ministrados a tempo e a preceito lá para as bandas da António Maria Cardoso. Só faltou dizer, mas se calhar vontade não lhe faltou, que é preciso ter cuidado com esses médicos, se especializados em pediatria podem saciar-se com crianças ao pequeno almoço, se em geriatria podem dar injecções aos velhotes para lhes gamar a existência.

Também hoje outro secretário de Estado, desta feita dos Transportes e Silva Monteiro de seu nome, nos veio dizer que as greves são um direito inalienável, um dito tão ao jeito de uma Manuela Moura Guedes, para logo a seguir acrescentar que estas paralisações estão a destruir o serviço público de transportes (ao contrário do governo que se prepara para o privatizar dando-lhe assim a estocada final, provavelmente fatal).

Ou seja, falem de greves ou da oposição, toda ela comunista ou pró comunista, estes senhores fazem-me lembrar cada vez mais tempos que já lá vão mas que, pelos vistos, querem voltar. O cheiro a naftalina das fatiotas destes seres ressuscitados das trevas anda a atazanar-me as narinas, a provocar-me cefaleias, alergias, psoríase, micoses várias .

"Ah, que rico cheirinho a fascismo!", diria a D. Patrocínio, persignando-se e orando para que Deus conceda muitos anos de vida e saúde aos Leais, aos Monteiros, aos Coelhos, à matilha enfim.

13/04/15

crónica de um desastre anunciado


Este governo e os peões de brega que o apoiam fizeram assanhada perseguição ao PS por causa das Parcerias Público-Privadas na área dos transportes. No entanto, querem privatizar a Carris e o Metro dando estas duas empresas de mão beijada a privados. Por outras palavras, o que criticavam nas negociatas do PS atinge aqui raias de maior escândalo ainda: os prejuízos ficam por conta do Estado - ou seja, nós - e as entidades que ficarem com o negócio só têm que se preocupar com a acumulação de lucros.

Não há dúvida, meus amigos: a culpa é do Sócrates. Lá de Évora, é ele quem anda a vender os anéis de Portugal e os dedos dos portugueses.

É o desastre. É a vergonha.

os amores de pedro e augusto

As semelhanças entre as políticas de Pedro Passos Coelho e de Augusto Pinochet são assustadoras, ambas inspiradas pelo pequeno deus do neoliberalismo, Milton Friedman. Sabe-se agora pelo Expresso, mas nada que não tivéssemos já suspeitado, que os salários dos médicos foram os que mais diminuíram na função pública desde que Pedro tomou posse e os polícias os que mais ficaram a lucrar durante a sua governação.

Sabendo-se no que resultaram as medidas de Pinochet, e não falo sequer do assassinato de milhares dos seus opositores mas da sua acção económica a que alguns, com suprema lata, chamam de "milagre económico", há muito que Pedro Passos Coelho deveria ter sido travado. E apeado.

Mas não, Pedro é um homem de sorte. Augusto teve que mandar torturar e matar para subir e se manter no poder. Pedro não precisa, o povo elege-o de livre vontade.

12/04/15

estamos condenados


Então não é que o PSD e o CDS estão a subir nas intenções de voto?

Pessoalmente, não culpo só os que votam nesta gente, defendem os seus interesses egoístas ou acreditam piamente, ingenuamente, em todas as mentiras espalhadas aos quatro ventos pela pandilha dos ditos cujos. Culpo também os que se recusam a votar, os que ainda não entenderam que abster-se é ajudar a reeleger Passos ou, na melhor das hipóteses, um bloco central que nada mudará, antes nos prolongará a agonia.

Numa coisa tenho que tirar o chapéu a Passos, Portas e demais figurões e figurinhas dos partidos pelos vistos encalhados no poder: nunca um governo até hoje, mais os aparelhos que o apoiam, engendraram uma operação propagandística de tão gigantescas proporções. É vê-los pelas televisões a prometer Sol de todo o ano, colheitas de fazer inveja aos fenómenos do Entroncamento, um euromilhões na bolsa de cada português, amanhãs que cantam, galinhas de ovos d'ouro, ilhas do tesouro, grutas de Ali Babá com os ladrões lá dentro. O desemprego cai embora a gente saiba que não, a economia melhora embora a gente não dê por isso, as exportações são um maná que não cai nem sai de cima, é uma festança a provar que, depois da borrasca, vem a bonança, é tempo de vingar a barriga, de engordar a pança. Festejemos os feitos de três anos em que os portugueses estão piores mas o País está melhor, pronto para receber fábricas dantes na China, sempre estamos mais perto da América ou da Alemanha, politicamente mais fiáveis, consideravelmente mais brandos, tão mansos como bois a caminho do matadouro.

Estamos, definitivamente, condenados à mediocridade. E à pobreza.

esta gente má vai ficar impune?



Por Baptista-Bastos
http://www.jornaldenegocios.pt/

Chegou a hora de fazer o balanço e de prestar contas. Que fizeram por Portugal Pedro Passos Coelho e os seus? Que fins desejaram atingir, em nome de quê e de quem? Aquele "vamos empobrecer", formulado logo ao princípio do mandato, possuía um tom lúgubre. E a afirmação de que havíamos gasto mais do que podíamos só poderia ser tomada como brincadeira de mau gosto. Falando por mim, falo por milhões de portugueses, atingidos por uma política insana e, por insana, inexplicável. Ou não tão inexplicável como isso. As peregrinações sistemáticas à Alemanha, a subserviência revoltante à execrável Angela Merkel e o dedo espetado do ministro germânico das Finanças, figura inquietante, forneciam-nos um retrato pouco digno daqueles que haviam trepado ao poder e diziam falar em nome de um povo.

Há qualquer coisa de repugnante em todos estes anos. Passos Coelho vai ficar impune de punição? Qualquer governo, digno desse nome, deseja a felicidade e a prosperidade dos governados. Qualquer um, menos este.

Somos menos e mais desesperados. Cerca de 400 mil saíram do País, pressionados pela ausência de emprego e de trabalho, e sugestionados não só por Passos Coelho como incentivados pelo inconcebível Miguel Relvas, doutor e tudo. A miséria não se quedou nesta depredação humana. O desemprego atingiu faixas nunca antes vistas. Milhares e milhares de pequenas e médias empresas encerraram, como as de restauração, por exagero de impostos. O funcionalismo público foi atingido por uma violência de cortes inimaginável. A educação, a saúde, a segurança social foram estropiadas, dando caminho à ganância privada e à abertura ao lucro desenfreado. Milhares de miúdos vão para as escolas (quando os pais podem) em jejum. O pior é que a propaganda governamental, cega e surda, diz que estamos no bom caminho. O direito à indignação, ante estas torpes mentiras e os crimes de que somos vítimas, tem de ceder o lugar à sublevação.

O Syriza é olhado pelos membros do Governo português como um bando de desenfreados, ignorando as humilhações que a Alemanha tem infligido àquele povo admirável. Tudo isto envolvido numa neblina de condescendências aos grandes interesses económicos. Nada de crítica, nenhum protesto perante este cerco alemão, aliás com a alegre aquiescência do "socialista" François Hollande, que deixou a França de rastos diante do seu inimigo histórico. O homem é um pobre tonto e abriu as portas à nova ascensão da Direita, quase dando o braço à Frente Popular.

Cá por casa, a reconstrução da vida política e social vai ser uma tarefa de envergadura. E receio, receio muito, que o PS de António Costa vacile no momento das grandes decisões. O balanço feito ao Governo não pode ser pior. É o pior de todos aqueles saídos de Abril. E o Dr. Cavaco, feliz e lampeiro, anda por aí a dizer banalidades. Quem nos acode?