05/05/12

durão de meter medo, chantagista de meter raiva, traidor de meter nojo


A discursar em Cascais, numa conferência, o presidente da Comissão Europeu, Durão Barroso, revelou o recado que trazia na bagagem. “Portugal enfrenta desafios que não são fáceis. Contudo, os portugueses sabem que não há alternativas à resposta que se está a dar”, lembrando que não existe um plano b: o único caminho é apoiar as medidas do memorando e pôr travão nas divergências.

Para Durão Barroso, se não houver consenso em Portugal, por parte dos diversos agentes políticos, tendo em vista a aplicação das reformas de que o país necessita, mais difícil será obter solidariedade dos parceiros da União Europeia. 

O presidente da Comissão Europeia entende que “quanto maior for o consenso nacional, mais será evidente a solidariedade dos parceiros europeus”. Nesse sentido, defende, o programa de apoio está dependente de união, numa altura em que surgem sinais de ruptura e com o PS a distanciar-se das políticas do Governo.

Resumindo, não há alternativa, não há plano b e ou assinamos os tratados que querem fazemos o que a Troika manda, comemos e calamos e nem mesmo os usuais partidos de alterne do poder podem sequer manifestar desconforto, impondo uma união à força. Este é o discurso de um cara de cherne que fugiu do governo para ocupar um tacho de subserviente marioneta como Presidente da Comissão Europeia. É o discurso de quem dizia que estando no Centro do Poder podia ajudar mais os portugueses. Esta é a Europa, que dizem ser uma União, de que fazemos parte.

a maior parte dos livros em português são uma porcaria


Disse-o hoje, ao "i", a sumidade intelectual que acaba de publicar um primeiro livro que vai revolucionar a literatura em Portugal, aumentar exponencialmente a média qualitativa dos livros em português. Vem aí o Booker Prize, o Pullitzer. Que digo eu? O Nobel!

excerto de um programa eleitoral, adivinhe qual

"A persistência no erro, apesar dos múltiplos e permanentes avisos, torna ainda mais censurável a atitude daqueles que [querem] teimar, dia após dia, semana após semana, ano após ano, numa estratégia que [sabem] que não leva Portugal ao rumo certo.

A fiscalidade portuguesa vem assumindo um papel negativo na economia.

Ao invés de favorecer uma actividade económica forte e sustentável, o actual sistema fiscal virou-se predominantemente para maximização da arrecadação de receita, ignorando os efeitos sobre a economia. Acabando por não servir nem a economia, nem as finanças públicas.

Por outro lado, existe, para além dos impostos, uma multiplicidade de "taxas" aos vários níveis da Administração Pública que configuram verdadeiros impostos, já que pouco se nota a contrapartida concreta do seu pagamento.

A austeridade deverá ter presente os objectivos de minorar os impactos negativos, a curto prazo, sobre o crescimento, o emprego e sobre a coesão social.

Os funcionários públicos, os pensionistas e os contribuintes em geral não perceberiam a necessidade de ser sujeitos a novos sacrifícios, se o Sector Público Administrativo, o Sector Empresarial do Estado, "Novo Estado Paralelo" continuassem com as suas estruturas "gordas" e não se fizesse a reavaliação da PPPCs.

O emagrecimento das estruturas do Estado deverá ser conduzido de forma inteligente e não cegamente.

Em relação ao aumento das receitas fiscais, o esforço será feito sem aumento de impostos, baseando-se na melhoria da eficácia da administração fiscal, do combate à economia informal e à fraude e evasão fiscal, o que permitirá um alargamento da base tributável.

A austeridade não deverá afectar o rendimento real disponível dos grupos mais desfavorecidos da nossa sociedade (nomeadamente pensionistas).

Já [foram identificadas] áreas de oportunidade que, no período da legislatura, apontam para um "mix" de consolidação orçamental essencialmente baseado na redução da despesa (no intervalo global entre 4 a 5 pontos percentuais do PIB) e de um aumento da receita fiscal, sem alteração da carga fiscal, por via do alargamento da base tributária e do combate à evasão fiscal.

Desenganem-se aqueles que queiram ver [nisto] um instrumento de populismo, uma cedência à demagogia ou uma listagem de promessas fáceis.

O que deixamos à apreciação e ao escrutínio dos Portugueses resiste a qualquer teste de avaliação ou credibilidade. Tudo o [que] se propõe foi estudado, testado e ponderado. Consequentemente, as propostas são para levar a cabo e as medidas são para cumprir.

Também nisso queremos ser diferentes daqueles que nos governam e que não têm qualquer sentido de respeito pela promessa feita ou pela palavra dada. Assumimos um compromisso de honra para com Portugal. E não faltaremos, em circunstância alguma, a esse compromisso.

Excertos do Programa Eleitoral do PSD para as legislativas, apresentado a 8 de maio de 2011

04/05/12

sempre ao serviço dos cidadãos nesta altura de crise, o pingo doce muda de nome

Imagem: http://henricartoon.blogs.sapo.pt/

o estado são eles

Quinta do Lago, Algarve

Os Gambrinus e os Portos de Santa Maria continuam a encher. Os carros topo de gama continuam a vender-se. As mansões na Quinta do Lago e na Quinta da Marinha continuam a ostentar a sua riqueza de país de terceiro mundo. As viagens fazem-se em executiva até Milão, Paris, Londres e Nova Iorque, às compras e para um banho de cultura pelos musicais e prostíbulos de luxo da Broadway e do West End, que o MoMA ou a National Gallery são para as hordas de turistas de pé descalço. O fisco é-lhes favorável. O Estado protege-os, como sempre protegeu os Champalimaud, os Mello, os Espírito Santo. E, em frente da sua lagosta thermidor, do seu linguado au meunier, do caviar e das trufas, nada os ataranta, a fome que grassa por aí é um acidente de percurso, o efeito colateral de uma guerra pelo poder e posse que, tal como os reis de outrora, vêem como um direito divino. E, entre um arroto discreto e uma passa no charuto cubano ou um escorropicho no uísque velho, discutem política, elogiam a acção do governo, conspiram para exigir mais regalias e benesses para si. São direitos adquiridos, de linhagem. Planeiam oportunidades de negócios, papagueiam números, sussurram fugas de capital para paraísos fiscais. Combinam despedimentos colectivos por causa da crise e, por causa da crise, exigem salários mais baixos e indemnizações que são insultos a quem os ajudou a enriquecer, uma massa anónima que pouco mais é, para eles, do que animais, bestas de carga, seres infra-humanos, descartáveis e desprezíveis. Têm a seu favor o Governo, os espantalhos da Concertação Social, as instâncias internacionais europeias, os mercados, os especuladores, o absolutismo capitalista que enche os bolsos e, os nossos dias, de angústia, de sofrimento, de privações e terror do futuro.

Os amanhãs que cantam ainda são deles. Ainda. E. por mais uns tempos, continuarão a atirar-nos à cara que andámos a viver acima das nossas possibilidades. Que fomos perdulários, que comemos na tasca da esquina uma vez por mês, que comprámos um carro de merda e um andar na Brandoa com lareira e parabólica, que temos conseguido ir de férias, uma semana por ano, para um T0 alugado na Quarteira ou em Armação de Pêra. Não soubemos poupar. Fomos no conto do vigário e no canto dos bancos que eles dirigem. Agora, aguentemos e esfomeemo-nos. A culpa é nossa.

1º de maio em nova iorque


Allez, imbécile!

pequenos prazeres

não levo tudo o que quis, mas levo moelas e pipis

03/05/12

we have kaos in the super


A imagem está tão gira que o título é uma precaríssima homenagem ao autor do blogue onde a fui gamar, o We Have Kaos in The Garden.

Se ainda não foi lá, não sabe nem sonha com o que anda a perder:

quem diz a verdade não merece castigo, muito menos o divino

aqui d'el-rei o que foste dizer!


Volto, por uma última vez, espero, à questão Pingo Doce. As várias sensibilidades de esquerda degladiam-se (até nisso o Alex da Jerónimo ficou a ganhar). O povo agiu com ganância e falta de civismo, dizem uns, entre os quais eu me incluo. Aqui d'el-rei o que foste dizer, que o povo, essa entidade feita de muitos defeitos e feitios, não se ataca nem com uma flor, ele é soberano, ele é sábio, ele é claro e limpo como uma manhã de Abril. 

Pois. Vê-se. Até na forma como tem votado ao longo de décadas, mal e porcamente, sempre contra si e os seus interesses. Eu também critico os meus, quando erram, e não os respeito menos por isso. 

O que se passou a 1 de Maio nos estaminés do Pingo Doce foi quase aterrador. Uma amostra, uma pequeníssima amostra, de como nos comportaríamos em caso de guerra ou de fome generalizada.

E por aqui me fico, que outros horrores mais altos se levantam: este governo e a sua acção nefasta. Repare-se, por exemplo, como passou despercebida a afirmação de Passos Coelho, a 1 de Maio, de que os portugueses se têm que habituar aos índices de desemprego elevados nos próximos anos. A esta gente sim, não vou dar tréguas. Porque, já faltou mais, milhares de portugueses vão juntar-se aos que já deixaram de comer. Por mais que o Pingo Doce, e outros, abram as portas à guerrilha.

produtos de lupanar




A FNAC já não é o que era. Ou se calhar é o que sempre foi, eu é que tendo a olhar o mundo com olhos de candura, defeito com que hei-de ir para a cova. Na verdade, já era fã da FNAC antes de se instalar em Portugal: era a minha catedral de compras, o meu único santuário porque não tenho outros apetites consumistas, benza-me Deus. Porém, de há uns tempos para cá, longos, a parte dedicada aos livros foi encurtando e reservou-se mais e mais espaço à literatura light e aos monos em saldos. Quanto a boas obras, essas ficam em exposição pouquíssimos dias, a não ser que sejam grandes êxitos de vendas. Finalmente, como os telemóveis, as consolas de jogos, os iPad, iPod e outros gadgets altamente lucrativos, as aparelhagens, os televisores, as máquinas fotográficas foram conquistando cada vez mais terreno nas lojas, o rol de títulos disponíveis nas prateleiras é escasso, tornando-se desesperante andar à procura de um livro, mesmo que não seja uma raridade ou um canhenho de altíssimo gabarito intelectual. Raramente se encontra. A não ser, pois está claro, aqueles produtos com capas espampanantes, letragem a ouro e, ouro sobre azul, tantas vezes envoltos em gaze ou em rendas como se se tratassem de perfumes manhosos ou publicidade de lupanar.

Como leitor compulsivo, até agradeço os descontos, as promoções, as oportunidades de levar para casa mais livros sem arruinar o orçamento. Mas ... e os editores, os autores, os outros livreiros, que dirão disto?

Os métodos da FNAC não são, afinal, muito diferentes de um qualquer Pingo Doce ou Continente: os preços, se são baixos, não o são à custa dos lucros das empresas de distribuição, mas dos produtores, neste caso os editores e autores. E há ainda os pequenos livreiros que, tal como a mercearia ou a drogaria de bairro, vão fechando portas por não conseguirem aguentar a concorrência, implacável.

Vale a pena ler, a este propósito, este artigo:

02/05/12

desculpem a ignorância ...

... mas repto deve escrever-se reto com o novo acordo tontográfico?

tenho a vaga impressão de que devo ter nascido para aí umas seis vezes

"Para serem mais honestos do que eu, têm de nascer duas vezes", Aníbal Cavaco Silva

boicote ao pingo doce? é p'ra já!


Foi aberta uma página no facebook para adesão ao boicote ao Pingo Doce:


Acho bem, muito bem. Já que o governo não os controla (nem quer controlar, as leis e a polícia fizeram-se para a arraia-miúda), façamos nós justiça por nossas mãos. Pequeno consolo, mas que fique como exemplo de que há portugueses que sentem e se indignam.

no tempo dos homens bons

Miguel Portas. Fernando Lopes. A vida continua, sei que sim, mas custa mais enfrentá-la quando os homens bons se vão. Não precisávamos de ficar ainda mais pobres.


colete de forças com ele!


Ouvir o Vítor Gaspar começa já a ser um exercício à lógica de irracionalidade. Dos profundos buracos que só ele encontrou para nos roubar os subsídios de férias e Natal às previsões já ultrapassadas pela realidade quando as anunciava e mesmo com os números da execução orçamental a derraparem por todos os lados e o desemprego e a recessão a aprofundarem-se, vem-nos dizer que as coisas estão acorrer melhor que o previsto. Até já vê crescimento no fim do túnel. Das duas uma, ou enlouqueceu ou está a gozar connosco.

o ricardo araújo pereira também foi ao pingo doce

o direito à desobediência

Por Baptista Bastos

A mentira e a ambiguidade adquiriam novas expressões, uma das quais, a "hipótese de trabalho", colocada anteontem em circulação pelo encantador ministro Vítor Gaspar. Esta "hipótese de trabalho" permite todas as variações semânticas, e oculta a desorientação geral de um Governo de medíocres. Não digo nada de novo. E só agora, embora as provas sejam exuberantes e anteriores, tímidos editoriais e comedidos articulistas alinham uns adjectivos enviesados a fim de garantirem, aos seus autores, o investimento futuro. "Eu avisei!" Não avisaram coisa alguma: seguiram o canto das sereias. O despudor é endémico e alcançou, transversal, a sociedade portuguesa.

Temos vivido sob esta música. O temor reverencial embrulha-se nas trapaças com que nos enredam. A reposição dos dinheiros que nos subtraíram, nos subsídios de férias e de Natal, e nos vencimentos da Função Pública, tem passado, no discurso do Governo, de ano para ano, e já vamos em 2018, na última versão oficial. As fraudes morais, que se tornaram, nas duas últimas décadas, em desportos particularmente requintados, atingiram, com Passos Coelho e seu grupo, patamares desaforados.

Não sabemos como sair desta aventura pavorosa, na qual os vencedores não passam de pistoleiros mentais. Falam-nos como se fôssemos matóides e animam essa vasta murmuração que considera a política uma estrebaria e os políticos um sinédrio de malandros. Pedro Passos Coelho ganhou a simpatia de muita gente como paladino da "transparência" e da "verdade". Acentuou, com a voz treinada e uma simpatia de subúrbio, a dubiedade de carácter de José Sócrates. Afinal...

Como assinalou um amigo meu, está a imitá-lo em grande, e veste-se pior. A protegê-lo e a apoiá-lo, pelo silêncio e pela lacuna, lá está o dr. Cavaco. Em condições normais, com um Presidente rigoroso e elevado, Passos já teria sido demitido. Mentir assim é o excesso dos excessos. Mas o dr. Cavaco é o dr. Cavaco que há. E a tenaz ideológica que nos esmaga tem, nele, a analogia perfeita. Adicione-se-lhe a ausência de coragem, o possidonismo intelectual, e a interpretação de infantário que faz das suas funções e ficamos com a dimensão do senhor.

O sonho de Sá Carneiro, um Governo, uma maioria, um Presidente, se oferecia um conteúdo compacto de governação, é, na prática, um pesadelo. As vastas indecisões, as reviravoltas inescrupulosas, a ausência de humanidade inscrevem-se no mesmo fenómeno específico de soberba e negligência que, na Europa, amolga as democracias e martiriza as pessoas.

Esta experiência maciça de desolação e de miséria desestruturou a família, e minou, com o medo e a intimidação, os laços sociais, necessários em cada etapa do nosso proce- dimento. A legalidade, provinda do voto, nem sempre legitima a acção de quem governa e obriga os governados à obediência. É o caso.

pingo amargo ou a inconsciência lusitana


É dia de votos? Os portugueses vão para a praia. É dia do trabalhador? Os portugueses vão às compras. Depois do meu último post sobre a matéria, li argumentos como "muitos portugueses têm fome e limitaram-se a aproveitar uma promoção irresistível". Vamos por partes: em primeiro lugar, a campanha é abjecta, uma provocação ao 1º de Maio e aos próprios trabalhadores do Pingo Doce - tivesse ela sido realizada noutro dia e o golpe publicitário teria tido muito menos visibilidade. Em segundo lugar, não há desculpa para os autênticos motins provocados por pura ganância consumista e absoluta falta de civismo. Em terceiro, duvido que muita gente tenha ficado a ganhar, ou seja, que tenha feito efectivamente poupanças. Quantos terão comprado artigos supérfluos, que não precisam e que, muito provavelmente, nunca virão a consumir? 

Seja qual for a perspectiva por que analise esta acção de marketing puro e duro, marcada pelo oportunismo e pela sanha anti-trabalhadores, não vejo qualquer atenuante para Alexandre Soares dos Santos e o seu grupelho de malfeitores de mercearia. Mostraram a sua pior faceta. E a de muitos de nós.

01/05/12

qualquer dia, estamos assim


e aos boicotes disseram não

É a consciência cívica, política, moral dos portugueses, de tantos portugueses. Há uns tempos, quando o Alex, o patrão do Barreto, deu de frosques para a Holanda, muito se apelou ao boicote das suas tendas dos milagres da multiplicação de pães e descontos. Mas bastou o Alex, o patrão do Barreto, boicotar o 1º de Maio aos seus trabalhadores e fazer deste dia um dia de super-promoções e ei-los, os portugueses lá vão aos magotes, aos pinotes, aos piparotes, felizes da vida, contentinhos da silva. Acho que até meteu polícia. Mas, entre mortos e feridos, o Alex há-de escapar. Mais o seu Barreto. Os outros, levam para casa a manteiga esborrachada, os ovos partidos, a alma emparvoada, o futuro leiloado a pataco.




maio cubano (será que foram lá estes todos por obrigação e medo?)


habitue-se!

No dia do trabalhador - hoje - Passos Coelho exortou os portugueses a acostumarem-se a taxas de desemprego a que não estavam, até agora, habituados. No dia do trabalhador - hoje - Passos Coelho vem mais uma vez insultar os portugueses e mostrar o seu desprezo pelo bem-estar de todos nós. Felizmente, em muitos pontos do país as gentes vieram aos milhares para a rua a celebrar Maio e dizer a Passos que não, não se vão habituar à precariedade, à miséria e à fome. Passos tem os dias contados. Habitue-se!

30/04/12

viva o porto!

Sendo de Lisboa e pouco dado a futebóis, quero no entanto dar os parabéns ao Porto. Tenho é pena que insultem o adversário até na hora da consagração, quando o desportivismo deveria imperar. E tenho pena que a malta se reúna aos magotes, nem que seja às tantas da matina, para comemorar uma vitória de clube mas não se juntem para protestar contra o governo e salvar a pele (a pele, a bolsa e o que mais está para vir). 

Cada um sabe das suas prioridades e o fenómeno não é exclusivo da capital do Norte, de que eu gosto como se fosse minha. É prioridade, e propriedade, do bom povo português. Ou não fosse ele isso. Bom. Manso. Brando. Dragões, águias e leões só se for no futebol. A mandar à merda os adversários e a festejar um campeonato que nada muda, nem Portugal nem as suas vidas.

um estado policial?


Por Manuel António Pina

Vêm-se acumulando nos tempos mais recentes sinais inquietantes de que, aproveitando o vazio de autoridade do MAI, a PSP está a tornar-se uma espécie de Estado (policial) dentro do Estado.

Depois da ilegal utilização de agentes provocadores infiltrados e do espancamento, que começa a ser rotineiro, de cidadãos que exercem o seu direito de manifestação ou de jornalistas que cumprem o seu direito-dever de informar, ainda há dias foi, não o ministro, mas um operacional da PSP quem veio ameaçadoramente anunciar "tolerância zero" no 25 de Abril, isto é, tolerância zero "com" o 25 de Abril.

Agora, a propósito da constituição como arguida de uma jovem do Movimento Sem Emprego que, com outros três desempregados, distribuía no Dia Mundial do Desempregado panfletos à porta de um Centro de Emprego de Lisboa, revelou a porta-voz da PSP que, para esta polícia, "duas pessoas já fazem uma manifestação". (Ora como, segundo a PSP, seriam oito, e não quatro, os activistas que distribuíram panfletos, terá havido à porta do Centro de Emprego, não uma, mas... quatro manifestações de duas pessoas).

A Constituição (art.º 45.º) determina que "os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização" e que "a todos os cidadãos é reconhecido o direito de manifestação".

Mas parece que "a PSP não tem de justificar a sua actuação"...

a liberdade vai alta!

A Liberty Tower, a nova torre do World Trade Center, já é a mais alta de Nova Iorque e está praticamente pronta. 








moda? que estranha maneira de pronunciar os efes!

A Visão publica um artigo, que pode ler aqui, que fala da "moda" da partilha de casas. Nada mais deturpador da realidade: o que se passa é que muita gente não consegue já ter casa própria nem um apartamento só para si, tem que ir viver com a família, em partes de casa ou em quartos arrendados. A Visão doura a pílula. Ela lá sabe porquê. Deve ser para não deprimir os leitores. Eu acho.

isto sufoca e cheira mal


O ambiente está pesado. É difícil suportá-lo. As injustiças, os roubos, a precariedade, o desemprego, a fome, a doença não tratada ou mal tratada por falta de recursos. E o que vemos? O primeiro-ministro com o ar emproado de sempre, e de uma imensa auto-satisfação que o sorriso não esconde, a jurar a pés juntos que está tudo bem, que estamos no bom caminho, que é Deus no céu e ele na Terra.

Isto está insuportável. Sufoca. Cheira mal. 

Agora são os subsídios que não serão pagos até 2015 e, a partir daí, só aos bochechos. E depois? O que se vai seguir? Que mais medidas irão anunciar? Que roubos, que cortes, que mortes, que sortes se ditarão para as gentes que já mal podem viver, que já não têm com que viver?

As tropas dos partidos do governo safam-se, os cargos são muitos e bem pagos. Os muito ricos safam-se, enriquecem ainda mais. Os corruptos safam-se, não há lei que os agarre nem juiz que os condene.

E nós? Nós somos votantes e pagantes. Só isso. Matéria descartável e desprezível. O povo. O povoléu. A arraia-miúda. Piolhos da piolheira em que se tornou Portugal. Mais uma vez.

o filme da semana

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

29/04/12

a arte de abril

Pires Vieira

António
Ivone Ralha
João Abel Manta
Nikias Skapinakis
Vieira da Silva
Fotografias: http://www1.ci.uc.pt

passos coelho e os bicos




Por Tiago Mesquita

Quer-me parecer que está na altura do senhor primeiro-ministro e as tropas que instalou no governo descerem à terra de uma vez por todas.

Deixo-lhe por isso, se me permite, uma sugestão: vá à aldeia de Bicos. Vá e disfrute. Veja com os seus próprios olhos. Contemple o país real sem a calculadora na mão e o memorando da Troika no pensamento. Não o país de que o senhor, o seu ministro enervantemente monocórdico ou o economista de Vancouver insistem em falar e que eu, e estou certo que não estou sozinho nisto, não consigo vislumbrar. Não reconheço. Não sei que Portugal é esse. Começo a achar que em São Bento há um Portugal privado num dos jardins onde os ministros brincam felizes aos países. O seu Portugal não é o meu - claramente.

Na deslocação à aldeia de Bicos, por motivos de trabalho que nada tem que ver com este blogue, tive a oportunidade de conhecer o presidente da junta. Trata-se da junta de freguesia mais interior do concelho de Odemira. Este senhor (este sim um senhor) é presidente de uma das juntas que estou certo que o seu governo mais cedo ou mais tarde irá aniquilar. A bandeira preta lá estava pendurada - na sede - demonstrando a solidariedade para com as juntas cujo destino está traçado.

Este senhor, a quem tiro o meu chapéu, conduz ele próprio na carrinha da junta os miúdos à escola e os idosos ao centro de dia. Todos os dias, com um sorriso na cara, faz muito mais do que aquilo que aqueles que o elegeram alguma vez ousavam exigir-lhe. É um político. É o político. É um exemplo. Ele, com as suas próprias mãos ajuda a enterrar os que falecem na aldeia porque não há dinheiro para pagar a um coveiro. O anterior reformou-se e não há verba que permita contratar alguém que o substitua.

Agora pergunto-lhe: quem vai fazer este serviço meritório que é muito, muitíssimo mais do que público, é verdadeiramente humano. É altruísta. Verdadeiramente incrível. Vai ser o Dr. Miguel Relvas? Esse poço de sensibilidade. Por isso, e porque acho que lhe fazia bem esta conversa de "coveiro para coveiro", passe pelos Bicos e pode ser que se faça luz nessa cabeça sem que a EDP se apresse a vendê-la aos chineses. Este é que é o país real. O país que os senhores não conhecem de parte alguma. Isto é Portugal.

escândalo BPN

Se a notícia do Correio da Manhã for verdadeira, que vamos fazer? Continuar calados? Ou por outra: em agitação e propaganda de facebook e pouco mais? Vamos continuar nas nossas casinhas, quentinhos, acomodados, enganados e roubados? Ou vamos para a rua mostrar que temos força e temos voz, que os senhores governantes se enganaram a avaliar a imbecilidade e passividade de todo o povo português? Que o Magina e a SIS e outros diabos à solta não tomem isto como um apelo ao motim, mas sim a uma demonstração - nunca vista em Portugal - do nosso descontentamento. Nós é que mandamos, não são os Passos perdidos desta nação em agonia, tristes trastes que estão convencidos de que o voto lhes deu direito a tudo. Chega de divisões clubísticas, de sectarismos, de pruridos ideológicos, que venham todos, com partido e sem partido! Dias 1 e 12 de Maio são dias de Primavera. Escolha o ar livre, a liberdade.



miguel

marinho pinto e alberto joão jardim




o ás das finanças

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/