06/06/15

o estado do estado de direito

Por Miguel Sousa Tavares
Expresso

Uma amiga minha, amiga verdadeira, aconselhou-me, há dois meses, a não escrever mais sobre José Sócrates, porque “fazeres a defesa dele agora arruína toda a credibilidade que conquistaste para ti”. Durante dois meses, de facto, não escrevi — não porque o conselho dela me tenha parecido adequado, mas porque, depois de ter criticado as circunstâncias em que se verificou a sua prisão, os pressupostos em que assentou a decisão de prisão preventiva e a escabrosa campanha de linchamento popular em alguns jornais, entendi que era altura de ficar à espera para ver como evoluía o processo. Passado este tempo, e numa altura em que a lei manda que o juiz de instrução reveja a situação, também eu vou fazer idêntico exercício.

Fazendo-o, sou obrigado a reconhecer que a conveniência e a prudência nunca foram virtudes de que me possa gabar. Mas se “fazer a defesa de José Sócrates” (que não é o que eu faço, mas já lá irei) não é conveniente nem prudente e pode arruinar a minha “credibilidade”, qualquer que ela seja, vejo-o como um dano colateral: pagam-me para dizer o que penso. E mal andaria o mundo (e anda!), se, justamente quando é mais difícil remar contra a verdade e a justiça estabelecidas, todos optassem pela prudência e pela conveniência. Quem defenderia aquilo ou aqueles cuja defesa é inconveniente?

Três meses depois, o meu ponto de partida é o mesmo de então: não sei, não faço ideia e não tenho maneira de saber se as gravíssimas acusações que pendem sobre José Sócrates são verdadeiras ou falsas. Mas não é isso que está em causa agora: eu não faço a defesa de José Sócrates, faço a análise sobre as circunstâncias da sua prisão preventiva e de tudo o que tem acontecido à volta dela. Não é a inocência ou a culpabilidade de José Sócrates — que só se apurará em julgamento — que agora interessa: é o funcionamento do Estado de direito. E isso não é coisa pouca.

Creio que uma imensa maioria dos portugueses julgará, nesta altura, que José Sócrates está muito bem preso. E por três ordens de razões diversas: uns, porque abominam politicamente Sócrates e acreditam que foi ele sozinho que criou 170 mil milhões de dívida pública (hoje, 210 mil milhões), assim conduzindo o país à ruína; outros, porque acreditam que o “Correio da Manhã”, o “Sol” ou o “i” são uma fonte credível de informação e, portanto, já nem precisam de julgamento algum em tribunal, porque a sentença já está dada; e outros, porque, mesmo não emprenhando pelos ouvidos dos pasquins ao serviço da acusação, acreditam mesmo na culpabilidade de Sócrates e, por isso, a sua prisão preventiva parece-lhes aceitável. Porém, nenhum destes três grupos tem razão: o primeiro, porque confunde um julgamento político com um julgamento penal, assim fazendo de Sócrates um preso político; o segundo, porque prescinde de um princípio básico de qualquer sistema de justiça, que é o do contraditório e do direito à defesa do acusado: basta-lhes a tese da acusação para se darem por elucidados e satisfeitos; e o terceiro, porque ignora a diferença fundamental entre a fase de inquérito processual e a fase de julgamento. O erro destes últimos (que são os únicos sérios na sua apreciação) é esquecer que a presunção ou convicção de culpabilidade do arguido por parte do juiz de instrução, as suspeitas, os indícios ou as provas que o processo possa conter, não servem de fundamento à prisão preventiva. Se assim fosse, a fase de inquérito seria um pré-julgamento, com uma pré-sentença e uma pena anterior à condenação em julgamento: a pena de prisão preventiva. Que é coisa que a lei não prevê nem consente e que, a meu ver, é aquilo que o juiz Carlos Alexandre aplicou a José Sócrates e a Carlos Santos Silva.

é entrar fregueses, é entrar!

Os chineses e árabes querem comprar os terrenos da Feira Popular. De lupanar a luna park, Portugal transformou-se num armazém de oportunidades onde os milionários do dinheiro fácil vêm aos saldos. O nosso território fragmenta-se, isto aqui vai para os russos, aquilo para os angolanos, ali para os chineses, acolá para os brasileiros, mais além para os americanos, os árabes, os alemães, os colombianos, quem tenha dinheiro, muito dinheiro, mesmo sujo que a gente lava. É entrar senhoras e senhores, damas e cavalheiros. Até à ruptura de stocks, à ruptura definitiva do País, é tudo mais barato, companhias de aviação, de energia, de comunicação, agrícolas, industriais, de serviços, financeiras, terrenos, vilas, o que houver e já há pouco. É comprar, é comprar! Não é caro. It's not expensive. Es ist nicht teuer. انها ليست باهظة الثمن. 这是不贵。Это не дорого.


05/06/15

miséria moral


Coelho parlapateia tão habilmente que chega a parecer verdadeiro sempre que deveras mente. Seja lá onde estiver, que me desculpe o Pessoa por lhe glosar, canhestramente, o poema. Coelho mente. Caso Coelho quisesse fazer-se valer do seu cargo e exigir sanções pelo que aqui fica escarrapachado preto no branco, que Coelho mente com todos os dentes que tem na boca, o vídeo que junto, e muitos outros que abundam no You Tube, fariam prova, mais do que suficiente, de que Coelho mente tão absolutamente que chega a parecer indecente pensarmos que deveras mente. Mas mente. Toda a gente já percebeu que os homens do desgoverno, se os portugueses lhes concederem novo "direito de pernada" e continuarem a mandar na coutada, vão cortar, assim o Tribunal Constitucional os deixe, mais 600 milhões de euros nas pensões. A própria Luís Albuquerque, mais decente do que os outros ou, o mais provável, menos preparada para mentir tão completamente, já o disse com todas as letras. Mas Coelho, aquele que mente, desta vez desmente. Que não, que o governo nunca disse ou escreveu tal blasfémia, que o que pretende é fazer reformas na Segurança Social que vão ter um efeito positivo de 600 milhões de euros.

O governo foi hábil na invenção de novo palavreado, destinado a dourar as muitas pílulas envenenadas que nos deu a engolir ao longo destes quase quatro anos de puro martírio. Quem não se lembra da requalificação como sinónimo de despedimentos, por exemplo? Mas esta tirada, esta cambalhota verbal, este indesmentível achado de um mago da palavra, vem demonstrar que, se mais qualidades a criatura não tivesse, e não tem, tem queda para a endrómina.

nunca, como agora, este cartoon fez tanto sentido

Rodrigo de Matos

quem disse que não há dinheiro?

 

O Correio da Manhã, especialista nas traições do marido da Cristina, na bomba de leite para as maminhas da Luciana, no corpo escultural da Pilita Rebelo e Cunha, nas operações plásticas da Xaxão de Menezes e Sá, dedica-se hoje, pelo menos na versão online, a mostrar os bólides dos craques da bola. Para os mirones se consolarem. Para os fãs delirarem. Para os críticos, como eu, se escandalizarem uma vez mais com os milhões que o futebol movimenta e paga, num mundo de desigualdade gritante e ostentação parola. 

Fotos: DR/http://www.cmjornal.xl.pt/

04/06/15

foi, deu-se!

Sócrates, segundo o "Sol", terá mandado comprar milhares de exemplares do seu livro para fazer dele um best-seller. Passos Coelho não comprou mas mandou oferecer o seu através do mesmíssimo pasquim. Passos à borla. 

Foi, deu-se. 

Como se fosse um porta-chaves, um isqueiro, uma lapiseira, um avental, uma t-shirt, numa campanha que lhe vai sair cara.

Foi, deu-se. Ainda se dá. Aproveite!



o luxo de poder viver





mostra-lhes a minoria!

Mostra-lhes quem é a minoria. Sábado, vamos encher de liberdade a avenida, vamos ser restauradores da democracia, da igualdade, da solidariedade. 

Eu vou.

Organizada pelo PCP, esta marcha não se deve limitar às suas hostes, devem lá estar todos os que não gostam do mau estado em que o Estado está. 

Eu vou. 

Chamem-me comunista, revisionista, social-fascista, esquerdista, esquerdalho, comuna do c.........., mas cidadão castrado, não! Há muito que ando na rua, não era agora que ia ficar em casa. Marchemos contra coelhos e cartolas, farsolas e mariolas, contra a austeridade, a indignidade, a maldade, contra tanta sacanice e malandrice, tanta pulhice e filha-da-putice. Isto já foi longe demais e a culpa também é nossa. Divisionismos, facciosismos, quintas e quintarolas não ajudam a deter passos, a fechar portas. Sou comunista, sou bloquista, sou trotkista, maoista, anarco-sindicalista. Sou livre.

E vou. 


de espanha, bom vento e bom casamento

A Izquierda Unida quer concorrer às próximas eleições espanholas junto com o Podemos. E por cá? PCP? BE? Tempo de Avançar? E os outros, tão pequeninos que mal se vêem? Não querem correr com Passos? Não querem evitar que Costa, se Costa for eleito, faça alianças com a direita? Querem que tudo fique na mesma, quanto pior melhor?


jesus está de truz!

Catrapuz! Lá se vai Jesus, caiu do altar da Luz. Jesus, o Judas, o novo pesetero, que mal lhe fica atraiçoar o Benfica, o clube das águias, dos campeões, dos milhões. Para mim, confesso, tanto me faz que vá para Alvalade ou Alcatraz. Pouco me importam Jesus, as melenas de Jesus retocadas a alvaiade, o acordo ortográfico, a gramática e o vocabulário que só Jesus conhece. Não me aquece nem arrefece. Não me interessam as arruaças e ameaças das claques, os traques das claques. Pouco me diz o traquejo do Ronaldo, do Reinaldo, do Arnaldo, do Arquibaldo, do Esmeraldo, do pato Donaldo. O que me custa são os milhões que se pagam em salários, compras, transferências, cambalachos da FIFA e dos fúfios que nos saem na rifa para garantir o bálsamo e o ópio das multidões. Dinheiro que fazia falta ao Passos para deixar de nos chatear, depenar. Dinheiro que faz falta à maioria dos portugueses para comer, viver. Um ás da bola vale, para mais e não para menos, 100 vezes mais do que um cirurgião, um cientista, um professor, um juiz, o presidente da República.

Disse presidente? Que cruz, Jesus! Venha de lá o cilício que ando a pedir suplício.

03/06/15

pode ser do álcool



Cá para mim, pode ser do álcool. Ou da sede de poder. Eles dizem que tudo vai bem. Deu-se o suave milagre. Salva-se a economia, salda-se a dívida, prepara-se Portugal para enfrentar o futuro com outra estaleca. Tudo vai bem. O desemprego desce, ai pois desce, ora se emigra ora se desiste da inscrição no Centro de Emprego ora nos mandam para um cursilho para não constarmos da lista negra dos párias que não trabalham e ainda se queixam. Tudo vai bem. A Saúde, a Educação, os índices de pobreza (e, já agora, de riqueza também que a essa anda a dar-lhe o vento pela popa), as exportações que sobem ligeiramente, os salários que descem muito, o poder de compra a afundar-se, o nível de vida a cair até às funduras de um inferno diário. Tudo vai bem. Orgulham-se de não faltar muito para que sejamos uma nova China, o novo México na Europa. Tudo vai bem. Eles tudo farão para ganhar as próximas eleições. Mentir. Prometer. Denegrir. Sócrates que fez isto, o PS que fez aquilo, gastadores, perdulários, generosos com o dinheiro dos outros, enquanto eles, pelo contrário, usam o dinheiro de todos nós para privilegiar o capital, a banca, as grandes empresas, os grandes empreendedores, os grandes amigos, o resto é conversa fiada e bestas de carga e canga. Tudo vai bem. Eles tudo farão para continuar o saque. Para continuar ao ataque. E há-os, muitos, que nem sequer ripostam. Até gostam, que deus ou o diabo lhes perdoem.

privatização da TAP suspensa!

Um revés para os Limas, os Monteiros e montadores deste desgoverno que nos amofina: o Supremo Tribunal Administrativo aceitou uma das providências cautelares apresentadas pelo movimento NÃO TAP OS OLHOS. O governo recorrerá. Possivelmente ganhará. Mas não lhes façamos a vida fácil!




já não temos mão nisto


Leio e não creio. Quer dizer, crer até creio, já creio em tudo, até na reencarnação de Salazar, via Passos, ou de Hitler, via Merkel. Então não é que, sabe-se agora, é preciso licença para usar tripé na via pública, seja para máquina de fotografar ou de filmar?

O regulamento, com coimas que não são leves, é de 1991. Mas só agora, no afã da caça à multa para atafulhar os cofres já cheios, no dizer de Albuquerque, vale tudo: martirizar o contribuinte com multas e coimas e taxas e arrestos e penhoras; subir impostos a alturas nunca vistas; obrigar o cidadão a pagar todos os serviços do Estado, para o qual já pena com o fisco à perna, seja a Saúde, a Educação ou o mais simples documento que vá solicitar a uma repartição para entregar noutra repartição porque o simplex acabou quando Sócrates finou, se é que com Sócrates o simplex funcionou.

Voltamos, não tarda nada, aos tempos do velho senhor de Comba Dão de triste recordação: não se pode utilizar isqueiro sem licença na vida pública sob pena de coima; mais do que duas pessoas é um ajuntamento proibido; escrever em jornais só com rigorosa vigilância. E quanto às parelhas em busca de recato para amainar os assanhos da carne, alto e pára o baile! Cuidado com o que se faz na mata, por detrás da moita. Atenção ao que se desaperta ou desabotoa, alcinha de sutiã ou impaciente braguilha. Para dentro de um carro, por mais camuflado que esteja na noite escura, tudo se vislumbra e deslumbra não sendo esse o intento do involuntário voyeur. Haja tento com o que se mete e com o que se tira em vão de escada escusa, mão naquilo ou aquilo na mão dão lugar a onerosa multa, se for aquilo naquilo, aquilo atrás daquilo ou a língua naquilo então a pena redobra e implica detença e chilindró, se visita de médico ou poiso duradoiro depende da ofensa, se agravada ou ligeira, ligeira nunca será sendo atentado ao pudor o molesto crime, seja língua na língua, boca com boca, mão na mão, aquilo na boca ou a boca naquilo, língua naquilo ou aquilo na língua, a boca na coisa ou a coisa na boca, a mão naquilo ou aquilo na mão, aquilo na coisa ou a coisa naquilo, aquilo com aquilo ou coisa com coisa, perdão, está mais que visto, não há. Não há comiseração. Preferível será, enquanto é tempo, encolhermos a língua, cerrarmos os lábios, aferrolharmos a boca, retraírmos a mão, resguardarmos a coisa e recolhermos aquilo em virginal recato, na ignorância dos inocentes e na inocência dos ignorantes.

Isto está de fugir a sete tripés! Já não temos mão naquilo: Passos, Portas, PSD, CDS, Cavaco, Neoliberalismo, Neofascismo, Merkelismo, seja o quer for não é coisa boa, onde se possa pôr a mão nem andar de mão na mão. Livra!

pornografia para toda a família



Quando a gente pensava que já tinha visto tudo em matéria de lixo televisivo - daquele que as agências de rating não classificam mas deviam - eis que surge pior. O programa The Briefcase, da CBS, explora famílias pobres norte-americanas num reality show de uma indecência nunca ousada até aqui. Dizem os produtores que se limita a testar a generosidade do povo americano. Deviam testá-la entre os multimilionários, os reis do petróleo, os magnates das armas, os imperadores das farmacêuticas, os czares da alta finança especulativa, gananciosa, fatal para o bem estar, a sobrevivência da Humanidade.

Que mais irão inventar? É que, sob a batuta americana, cada vez se produzem mais pobres tanto lá como no resto do mundo. Há matéria-prima que baste para muitos outros programas de elevado sentido cívico, moral, cultural, o que quiserem.

O mundo está a escoar-se, cada vez mais depressa, para o esgoto. E nós, todos nós, a correr alegremente para a cloaca.


a ameaça de cavaco


Por Baptista-Bastos
http://www.cmjornal.xl.pt/

O dr. Cavaco disse e fez saber que não empossará o novo Governo, caso não haja maioria. O dr. Cavaco dispõe dos instrumentos legais que lhe permitem dizer tal coisa, mas sobressaltou muita gente. Não se discutem as razões; analisam-se as possibilidades. Seguindo as regras, o senhor pode nomear um Governo de ‘inspiração presidencial’ ou um ‘governo de gestão’, ou, ainda, manter, por dois meses, o mesmo Executivo, proceder a novas eleições, após consulta aos partidos e ao Conselho de Estado. Qualquer das hipóteses, releva, sempre, de um pequeno golpe palaciano. Já houve outros, com outras máscaras e procedências. O dr. Cavaco tomou esta decisão, se é que se trata de decisão (com ele nunca se sabe), depois de cansativa lengalenga sobre a necessidade de um conúbio entre o PS e o PSD. António Costa tem dito não a todas as propostas e sugestões, certamente pressionado pela ala esquerda do PS, e só então o dr. Cavaco surgiu com a conjectura derradeira. Os partidos ‘do poder’, expressão que irrita as pessoas de bem, porque acolhe somente dois, como se os outros, os quais perfazem alguns milhões de cidadãos, fossem uma escumalha. As pessoas estão fatigadas destas e de outras moscambilhas das democracias ocidentais, estruturadas para que sejam sempre os mesmos, com outras maquilhagens, a ocupar o poder. O dr. Cavaco deseja manter o esquema, e não há que fugir à suposição. Os movimentos Syrisa e Podemos resultam desse ‘cansaço democrático’ e dessa manigância da troca de cadeiras, como assinalou Tony Judt no notável ‘Tratado sobre os nossos Actuais Descontentamentos’, texto que fala das traições socialistas e sociais-democratas com pungente lucidez. Sabe-se que, em outras circunstâncias o PS e o PSD mancomunaram-se e o PS esvaziou de sentido o projecto inicial, seja lá o que ele foi. A ascensão de Costa deve-se, certamente, ao desgosto sentido por muitos militantes (e não só) das derivas de sucessivas direcções. Mas nem toda a gente acredita que o actual secretário-geral e os seus consigam alterar os atalhos por onde o PS tem tropeçado. Se é que, realmente, estão para aí virados. A vertigem que assinalou a vitória de Costa sobre Seguro está a esmorecer. E o dossiê dos economistas, apresentado como grande bisca do ‘novo’ PS, não convenceu toda a gente; pelo contrário.

02/06/15

o alegre motim em portalegre

Por princípio, nada me move contra motins e amotinados. Tudo depende dos envolvidos e das suas razões. Mas sou, claro, contra a destruição de propriedade pública ou privada, já não motim mas arruaça e crime.

Estou, por isso, à vontade para falar disto: que se passou na mente brilhante de quem teve a ideia de celebrar o Dia Mundial da Criança com a simulação de um motim entre pequenotes? Que "mensagem" se pretendia transmitir? Se foi para criticar esse tipo de manifestações, acho mal. Se foi para as incentivar desde já no espírito dos benjamins, acho ainda pior.

E acho mais: acho que está tudo doido.




Fotos: página de Facebook do município

tão venerando quanto tomás, eis o retrato do artista quando jovem

http://inimigo.publico.pt/

as viúvas negras do generalíssimo

Algumas delas ostentando casacos de peles sob um sol de 30º, as tristes viuvinhas manifestaram-se no Domingo, em Madrid, para assinalar os aniversários das mortes de Franco e Primo de Rivera. Mas nem só de mulheres se alimenta a nostalgia pela ditadura franquista; também por lá andaram, fazendo a saudação nazi, homens quase todos de idade mas também muitos jovens. Rezam as crónicas que se venderam recuerdos, de bustos do generalíssimo a copos com símbolos falangistas. Entre os organizadores, esteve o Movimento Católico Espanhol.

E não se pode excomungá-los? Ou obrigá-los a acartar pedra, Vale dos Caídos acima e abaixo, até que a morte os separe de Franco para todo o sempre?

AFP


EFE

EFE

AFP

01/06/15

no tempo dos jacarandás

Ernst Schade
Joaquim Moedas Duarte

Tober/http://www.trekearth.com/
Tober/http://www.trekearth.com/
David Clifford

David Clifford

David Clifford

David Clifford
Américo Meira


biografia não autorizada




O excerto que se segue foi recolhido na wikipédia. A gente sabe. A gente sabe que qualquer um pode inserir conteúdo na wiki e que a informação nem sempre é fiável. Mas, a ser verdade, a actividade de Barroso no MRPP mostra a matéria de que o bicho é feito.

Cá vai:

"A sua actividade política teve início nos seus tempos de estudante, antes da Revolução dos Cravos de 25 de abril de 1974. Foi um dos líderes da FEM-L(Federação dos Estudantes Marxistas-Leninistas), do Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado (MRPP), força política de inspiração maoísta. Durão Barroso foi expulso do MRPP depois de ter demonstrado uma série de atitudes que atentavam contra os princípios pelos quais o partido se movia; por exemplo: A situação em que Durão Barroso surge na sede do PCTP/MRPP com uma carrinha cheia de mobília da Faculdade de Direito de Lisboa, roubada na sequência dos tumultos pós 25 de Abril. Nesse instante, Arnaldo Matos (líder do partido) ordena a Durão Barroso que vá devolver o material roubado."

diário de bordo

O blogue Diário de Lisboa faz 6 anos e merece os parabéns. Se quer ver boas fotografias de Lisboa, das lojas de Lisboa, das gentes de Lisboa, vá ao blogue que é coisa boa, são das mais perfeitas imagens de uma cidade que, maltratada pelo desleixo e pelo camartelo, resiste e não perde a beleza que lhe vem do rio, que lhe vem do casario, que lhe vem da luz, das cores. Embarque nesta viagem. O Diário merece e Lisboa também. Todos a bordo!

http://lisboadiarios.blogspot.pt/

barão barroso



O Durão, baronete da Europa, barão de Portugal, está de vento em popa, vai receber uma pipa de massa nesta sua reforma dourada da Comissão Europeia: só de pensão base são 11 mil euros por mês fora as gordas alcavalas e sem contar ainda com as palestras, pagas principescamente, para as quais será convidado.

Enquanto a maioria dos portugueses recebe em média 360 euros por mês de pensão, que Durão, a julgar pela sua actuação, deve achar mais do que suficientes para alguém viver condignamente, o baroníssimo vai amealhar, mensalmente, uma verba que rondará 100 vezes esse valor.

E merece este autêntico euromilhões dos excêntricos da política: honrou o nome de Portugal, dignificou a Europa, fez de mordomo, fez de papagaio de repetição, de fala-barato, de truão de feira, de criada para todo o serviço sujo. 

O crime, na Europa, compensa.



31/05/15

o insaciável apetite de frau merkel










Dizem os jornais: a Grécia está disposta a congelar as medidas anti-austeridade para conseguir um acordo. As pressões, as chantagens parece que vão dar resultado. Uma Europa unida e solidária, como nunca esteve até hoje, contra os gregos, contra a dignidade dos gregos, contra a vida dos gregos, contra a soberania dos gregos. A Europa vive em ditadura. E já não é só a dos mercados. É a ditadura ditada por Merkel e pelo seu sinistro ministro das Finanças. A Alemanha conseguiu, 70 anos após ter perdido a guerra, o que não tinha alcançado pela força das armas e à custa de milhões de mortos: dominar a Europa. Ai do Syriza, ai do Podemos, ai do povo que ouse contrariar a ordem estabelecida, enfrentar a austeridade, questionar a autoridade do grande povo alemão, esse mesmo, o que elegeu, aplaudiu e idolatrou Hitler e os seus monstros, os seus campos de extermínio, os seus fornos crematórios, as suas valas comuns.

A Merkel o que é de Merkel: uma Europa de joelhos, de bruços, de rojo pelo chão, de espinhela caída de tanto vergar a cerviz. Uma Europa de guetos, o de Portugal, o da Grécia, dos povos trigueiros, preguiçosos, traiçoeiros, trapaceiros, que urge destratar com o desprezo que merecem. A Europa de Hollande, Rajoy, Coelho, Barroso, Juncker, meros bonifrates nas mãos de carrniceiros.

E os povos, medrosos, irão fazer-lhes a vontade. O Syriza cairá mais cedo ou mais tarde. Os partidos alternativa ao alterne serão rechaçados. As pensões, já se anuncia, continuarão a descer até à inexistência. Os salários continuarão a reduzir até à indigência. A Saúde e Educação públicas serão destruídas. Os ricos aumentarão a riqueza, a classe média desaparecerá, os pobres multiplicar-se-ão. O primeiro mundo atingirá a "qualidade" de vida do terceiro mundo, o sonho dos senhores do universo enfim tornado realidade..

Foi aqui que chegámos, em pleno século XXI, séculos depois da Revolução Francesa, cujos princípios de igualdade, liberdade e fraternidade estão seriamente comprometidos.

Vencidos?

Ou nós ou Merkel. Ou nós ou Coelho. Ou nós ou os fantoches, os capatazes, os algozes.