os novos "mestres pensadores"

Por Tomás Vasques

Dizem-nos os novos "mestres pensadores" - usando uma designação feliz de André Glucksmann -, gente muito chegada às "tramitações financeiras", aos "equilíbrios orçamentais" e às alcatifas que o poder político ou económico lhes estende, que esta realidade social, que antes era residual, e hoje se generaliza, levando para a miséria grande parte da classe média, é o resultado "inevitável" de um "ajustamento necessário à nossa sobrevivência". Às vezes, mais eufóricos, usando palavreado mais "culto", informam-nos, com ar sério, que se trata de um "novo paradigma " da sociedade do futuro, ao qual não há volta a dar: há que trabalhar mais horas, ganhar muito menos salário, ter menos direitos laborais, e menos "protecção" do Estado (como se o Estado fosse deles) na Saúde, na Educação e na Segurança Social. Eles - os novos "mestres pensadores" - omitem, sem pudor, o elementar: o "novo paradigma" para o qual nos querem conduzir é um modelo de sociedade à medida dos poderosos da finança e da economia, gerador de desigualdades cada vez mais fundas. A iniquidade é tão notória que ao lado destes "ideólogos" do empobrecimento, como "solução única" para "superar" os nossos males, aparecem banqueiros e grandes empresários, os quais, cada vez mais afoitos, lhes complementam os argumentos e as falácias, como são, por exemplo, os casos de Ulriche e Soares dos Santos.

Para além da defesa das "teorias do empobrecimento", estes novos "mestres pensadores" querem fazer-se passar por "guardiões" da democracia. Para eles, esta gente já devia agradecer o direito que lhes foi concedido de votar de quatro em quatro anos. Feita a escolha, no interregno, deviam estar calados e trabalhar para "sairmos da crise". A Constituição "não corresponde aos tempos em que vivemos"; as decisões do Tribunal Constitucional são "políticas" e "impedem que o governo nos leve a bom porto"; as greves só "agravam a situação económica"; só se manifestam nas ruas "os que não querem trabalhar"; uma cambada de "nostálgicos da irresponsabilidade" reúnem-se na Aula Magna ou "sindicalistas pagos pelo Estado" perturbam os trabalhos da "digna" Assembleia da República.

Como diria Sua Santidade, o chefe da Igreja Católica, que declarou não se importar que lhe chamem marxista: perdoai-os Senhor porque eles são insensíveis à pobreza e não sabem o que é democracia.

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