o rato pariu um montículo


Quero dizer... o rato pariu uma montanha de propaganda, de mentiras, de baboseiras, aldrabices, banha da cobra, desculpas esfarrapadas para os crimes continuados que o seu bando de ratazanas governamentais cometeram e pensam ainda cometer contra os portugueses.

Guião... só se fosse de um filme “classe B”, misto de má ficção científica e estória de gangsters.
Samuel

Portas propõe a privatização de partes importantes de funções fundamentais do Estado - saúde, educação e segurança social -; defende uma lógica de contratação a privados de serviços públicos, garantindo o aumento do financiamento público a negócios privados; e quer constitucionalizar os cortes brutais no Estado. E pede, em torno disto e da profundíssima revisão constitucional que este processo revolucionário exigiria, um consenso político alargado. No fim, ainda quer que levem a sério este seu documento.
Daniel Oliveira

A embrulhar a desresponsabilização total do Estado, via entrega a privados, daquelas que são as suas funções base e essenciais, escrito em Arial 16, com 3 toques na tecla de espaço entre cada linha, para preencher 112 páginas com aquilo que cabia em 30 [elucidativa a ideia subjacente do calhamaço cheio de rococós e vazio contraponto ao minimal directo e com substância, muita parra pouca uva, vox pop], pela mão do mais oco protagonista político de que há memória que, acossado por todos os flancos, obrigado a dar, por uma vez na vida, a cara, desresponsabiliza para canto na esperança de que o ruído criado lhe permita sair de mansinho debaixo do foco dos holofotes e regressar aquilo que melhor sabe fazer: manobrar e intrigar na penumbra do backstage. O Principio de Peter em todo o seu esplendor.
José Simões

Paulo Portas acaba de apresentar o seu guião da reforma do Estado. Ficámos a saber que o Governo formado por dois dos três partidos que negociaram o memorando, o tal que faria do memorando o seu programa de Governo, afinal não negociou o memorando. Pudemos assistir a manipulações grosseiras de números e de agregados, que fizeram os serviços públicos pesar como chumbo e os juros da dívida e das parcerias com privados leves que nem meia pluma. Tivemos a oportunidade de nos rirmos com absurdos como uma "flexibilização" do princípio da confiança que ou existe ou não existe. E, quer pela insistência na necessidade de uma revisão constitucional, quer pela extensão das generalidades que saíram da boca de Paulo Portas, deu para perceber que o seu guião da reforma do Estado é um imenso "se": se PSD e CDS conseguirem entender-se com o PS no ajuste de contas constitucional com o 25 de Abril que há tanto tempo se adivinha e se o actual Governo tivesse tempo para o fazer antes de sair de cena, o Ensino público universal de qualidade, o Serviço Nacional de Saúde e a Segurança Social seriam ou vendidos, ou concessionados, ou subsidiados ou o que fosse para os pôr a enriquecer privados. Nada de excepcionalmente novo, tirando um ou outro detalhe, como é o caso da assunção da intenção de vender escolas da rede pública. Estamos na mão de piratas, o que também não é novidade nenhuma. Se os deixarmos, e temo-los deixado, eles vão continuar a desmantelar o que ainda não desmantelaram. E quanto mais desmantelarem, mais negros serão os números que alegam como justificação mais do que óbvia para a necessidade de continuarem o que ainda não terminaram. A apresentação foi basicamente isto. Segue-se a habitual série de medidas em regime de conta-gotas e a constatação de que Paulo Portas voltou a sair-se bem na pele do mensageiro dos horrores que nunca dá más notícias. Rescisões na Administração Pública, flexibilização dos vínculos, revisão das tabelas remuneratórias, "desburocratização, seja lá o que isso for, com detalhes, é já a seguir.
Filipe Tourais

Paulo Portas quer ser o Giorgio Armani da reforma do Estado. Todos os anos o estilista apresenta os novos modelos e acaba com uma frase cintilante, um laço que embrulha o conjuntinho: "Proponho para esta estação ‘una donna moderna però rinovata’". Portas também deseja um Estado moderno (alguém deseja um Estado antigo?!) e renovado (alguém quer um Estado parado?!), mas não vai além disso. Não vai, aliás, a lado nenhum.

As "110 páginas úteis" do guião, como lhe chamou ontem, são de uma pobreza inacreditável. Não é sequer um catálogo de pronto-a-vestir político. É uma loja dos 300 onde, no meio de ideias copiadas, avulsas e superficiais, encontramos um ou outro ponto que é possível debater, mas apenas por causa do nosso desespero coletivo.

O que resulta dali é tão-só uma salganhada ignorante, uma coleção de chavões e banalidades que não são mais do que a redação pueril de um candidato a uma juventude partidária que leu a biografia de Hayek, a da Wikipédia.

O célebre guião, este guião, esta coisita, não é um ponto de partida. A ser qualquer coisa é um ponto de chegada. É o fim da linha. É o epílogo que arrasa as últimas aparências que ainda sobravam sobre este grupo de estagiários que o país teve a infelicidade de eleger. É a prova documental de que o Governo não sabe o que está fazer – cumpre metas contabilísticas impostas externamente –, e nem imagina para onde irá a partir daqui.

O texto que demorou dois anos a produzir é tão rudimentar que na verdade é apenas embaraçoso. Ontem senti vergonha alheia por Paulo Portas – o presidente do CDS-PP acabou, esgotou-se. Não compreendo, a não ser por vingança, raiva e profundo desprezo, como Pedro Passos Coelho foi capaz de o autorizar a apresentar esta manta de retalhos, este patchwork – Portas deve apreciar a palavra – que era suposto criar as bases para a mudança que o país terá um dia de enfrentar.

Não há quadros comparativos, não há estatísticas que permitam ver de onde viemos e para onde podemos ir, não há pensamento nenhum, referência alguma, não há estudo, não há trabalho, não há nada. Nada. Ao pé disto, o relatório do FMI, o de janeiro passado, é um luxo de rigor e esmero científico. Talvez por isso, porque ali cabe tudo e o seu contrário, Portas tenha conseguido enfiar lá no meio esta frase grotesca: "(...) a maioria que apoia o Governo tem uma matriz identificada com o chamado modelo social europeu". Tem, tem; e Portugal vai crescer 0,8% em 2014 e muito, muito mais em 2015...

Pior do que este declínio penoso do Governo é a situação em que ficamos todos. Ontem, em vez de sublinharem o desrespeito político que este guião simboliza cruamente, os partidos exibiram a habitual indignação -- a indignação cassete -- como se aquilo fosse trabalho sério.

Disseram: é a privatização da segurança social, da saúde e do ensino! Que horror, que medo, que sacrilégio! Algumas dessas "ideias" estão lá, sim, mas é o habitual bricabraque decorativo que já ouvimos vezes sem conta, a flor murcha na lapela desta nossa triste e perdida direita. A melhor maneira de matar uma ideia é apresentá-la assim – mal e porcamente. Ontem, quem ouviu Paulo Portas só teve uma reação: apagou a luz. Isto por mim está visto, digo eu.
André Macedo

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