já sei, já sei onde se vai cantar a grândola

Canta-se a Grândola por onde quer que apareça um ministro. Um achado. Um golpe de génio. Mais eficaz do que algumas manifestações a que tenho ido (embora não lamente a minha participação em nenhuma, grão a grão se vai emperrando a engrenagem). Hoje, vi - e, infelizmente, ouvi - Luís Montenegro, esse monte negro da bancada PSD, a alertar para os perigos que esses meliantes-cantadores acarretam para a democracia, interrompendo e até, oh vilania!, calando ministros e obrigando-os a esconder-se. Segundo Montenegro, os portugueses podem e devem manifestar os seus sentimentos. Não diz é como, e no parlamento não será com toda a certeza, pelo menos com o beneplácito de Montenegro e dos seus comparsas. Amanhã, no Hotel Sana, pelas 21h, o contabilista de serviço à troika vai participar numas jornadas do PSD. Ou me engano muito ou os manifestantes vão ficar do lado de fora e nem sequer vêem o ministro Gaspar, que entrará pela porta do cavalo, discursará na sua voz pausada a valer-lhe o epíteto de Rei do Sono (alcunha, imerecida, de um professor que eu tive), proclamará o respeito que os mercados têm por nós, anunciará os grandes feitos da sua governação e retirar-se-á. Pela porta do cavalo. Uma promoção, afinal.


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