calçado na calçada






O calçado das senhoras, segundo os ditames da moda, deixou de ser constituído por sapatos. Agora andam de andas. Em pedestais. Artefactos de actividade circense. Periclitantes escadotes. Estaleiros de onde se estatelam tanto faz que caminhem sobre fino mármore ou em estrada alcatroada. O rendilhado que temos sob os pés, poemas de pedra de beleza ímpar, corre o risco de desaparecer. Costa, o da Câmara e não o do Castelo, antes fosse que ao menos este era castiço e alfacinha de gema, quer acabar com a calçada portuguesa. Parte, apenas uma parte, promete Costa, sabendo nós que a parte se torna tudo quando mal nos percatamos. Ando cá desconfiado que Costa está mais preocupado com os custos da calçada do que com o que custa às senhoras andarem nela. Mais uma vez, é a "contenção de despesas" que dita as regras. Na impossibilidade de se concessionar o direito de exploração da calçada portuguesa a angolanos ou a chineses, extinga-se a calçada.

Por esta ordem de ideias, proponho a Costa que acabe com os jardins, poupando-se em água e em jardineiros e rentabilizando-se esses espaços através da sua urbanização. Outra ideia para o Dr. Costa: há por aí monumentos que não sejam "auto-sustentáveis" como agora se diz, ou seja, cujos custos de manutenção sejam superiores às receitas com visitantes? Destruam-se! Em seu lugar, que cresça mais um complexo de escritórios, um centro comercial, um edifício para habitação de luxo, um mamarracho de vidro e aço.

Quem faz a Câmara, nela se deita. De Costa ou de barriga.

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