uma questão de honra

Por Baptista-Bastos
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O cerco de humilhações com que a Europa dos ricos tem sitiado a Grécia fornece bem o retrato de quem manda e de quem é subalterno. Deploravelmente, o Governo português tem alinhado com aqueles que perderam a dignidade, em nome de um poder ideológico aparentemente vencedor. Mas não o é. Os gregos têm mantido uma grandeza admirável ante a ofensiva dos mais fortes, que faz daquele povo um bravo combatente contra a absurda e criminosa teologia do "sistema". O Syriza apenas não quer manter a brutal austeridade imposta por burocratas, que lhe exigem, com total desconhecimento da História e da actualidade real, uma servidão inconcebível. Sabe-se, hoje, que o grande patronato grego, sustentando-se nas sinuosas exigências do "mercado", se tem oposto, junto do FMI, às decisões do governo de Atenas. Este somente deseja cumprir as promessas eleitorais que o levaram ao poder. O patronato grego exige que se façam cortes nas pensões e nos vencimentos, que se não toque no IRC e que o IRS seja aumentado: um violentíssimo programa contra o Estado Social, e brutalmente antagonista do próprio ideário que fundou a Europa. Enfim: a panóplia de repressão económica que os portugueses bem conhecem e que nos deixou pobres como Job. O Podemos, que já é uma considerável força política em Espanha, manifestou-se a favor do decoro do Syriza, e, pela Europa, alastra o mal-estar pela teimosia dos dirigentes da "União", e aumenta a simpatia pelos que confrontam esse poder. Quando a senhora Christine Lagarde, "proprietária" do FMI, atropelando os bons modos da diplomacia e da educação, declarou que os gregos tinham de começar a ser adultos, o coro de indignações subiu de tom, e a sobranceria de quem julga mandar na Europa atingiu uma expressão totalitária. Mas torna-se cada vez mais evidente que esta desumanização e este culto pelo dinheiro, por absurdos e desprovidos de sentido, não podem continuar. A crise de valores é passageira como todas as crises. O "sistema" quer correr com o Syriza do governo de Atenas e, para tal, recorre a todas as peças de que dispõe, sejam elas decentes ou indignas, praticando sempre a intriga e a conspiração. A Grécia pode perder esta batalha desigual. A honra não a perderá.

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