acendam o rastilho, o espectáculo vai começar!

O senhor presidente tranquiliza-nos: vai um, ficam 18 porque somos 19. A chanceler continua a dizer que quer "negociar" com a Grécia desde que a Grécia aceite tudo, até matar os seus à fome. O outro presidente, esquentador de águas turvas, pingando lágrimas de crocodilo pelo caneiro, diz-se traído pela Grécia a quem ele tanto tem dado do seu tempo e da sua valorosa influência. O senhor primeiro-ministro da Tugalândia insiste que temos uma almofada, se de palha ou sumaúma é que ficamos sem saber. Pateta, Maga Patalógica, os irmãos Metralha e o professor Pardal são personagens de carne e osso ao lado destes figurantes e coristas da tragédia grega que é também a nossa. Assim se verga um povo. Assim se afunda a economia da zona euro excepto a da Alemanha, refúgio de especuladores financeiros, pátria de mercados de escravos e de dinheiros. Preparem-se para o pior. O pano não vai descer tão cedo. Ainda não se ouvem os canhões ao longe. Ainda não há sangue no palco. A diva, flácida e anafada nas suas vestes de ninfa, canta a ária de abertura com a estridência de um clarinete desafinado. O criado ajoelha-se a seus pés, que maravilhosa voz de tenor tem o servo, esvai-se-lhe a alma por entre saliva numa pungente melodia de preito à dama. Nisto, rufam os tambores. Pela direita baixa, entram um espanhol, um francês, um italiano. Pela esquerda alta, um grego. O respeitável público engole em seco. Agora sim, agora é que a função vai começar a sério. A diva esganiça-se. O criado rasteja. Os outros pelejam. É o delírio, a apoteose. O teatro implode. A tragédia está no auge. A diva suicida-se. O amantíssimo servo é degolado. Os outros jazem entre destroços, despojos de insensatos e de seres degenerados. A orquestra toca um hino à estupidez humana. Magnífico Requiem por uma Europa defunta.


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