aportuguesado, travesti, cinquenta e tal anos de idade


Eleições, a quanto obrigas! Depois de, por gosto, calculismo, assomos de sadismo e laivos de uma vaga convicção ideológica, ter ido mais longe do que a troika no castigo aos portugueses, esse povo cheio de vícios e demasiado mimalho para se coadunar com o espartano viver do caudilho, eis que Pedro Passos Coelho veio hoje insurgir-se contra a "ditadura financeira", da qual deseja - sinceramente, como sempre! - que Portugal se liberte.

No meio desta declaração de boas intenções, daquelas que atafulham o inferno e os pasquins da situação, veio ainda insinuar que é possível uma resposta mais "robusta" em defesa da zona euro.

Qual, se mal lhe pergunto? Um estalo nas ventas de Tsipras? Um murro nas trombas de Varoufakis? Sanções económicas à Grécia? Expulsão? Exclusão? Excomunhão? Explique-se, senhor primeiro-ministro. E tenha cuidado, muito tino e não menos prudência. Robusta é a sua sócia, a gorda da canja, a loura da franja. Se lhe salta em cima, por cio ou desfastio, esmaga-o. Enruga-lhe a camisa. Emudece-lhe a prosápia. Sufoca-lhe os sonhos de voos mais altos. Tritura-o e come-o ao pequeno almoço, depois da evacuação matinal. Não o endurece, mas você apodrece e cai.

O vestido de chita com que se acatita, sempre que quer ser mais Merkel do que Merkel, não lhe assenta a matar. Antes o fato dos Fanqueiros. A política de fancaria. A faca neste povo madraço e estúpido. Não é, doutor? Vá lá, doutor, faça um esforço. Ainda não teve tempo para dizer as inverdades todas e o povo português ainda só tira selfies na praia, não nas filas da sopa aos pobres. Só mais um empurrãozinho, doutor. Os portugueses estão consigo nesta missão titânica para virar o país de pernas para o ar. Vivemos no céu, é o que é. Numa pátria robusta como a robustez do seu carácter.

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