... e o PS, que faz?

Por Baptista-Bastos
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A vitória dos conservadores no Reino Unido animou aquela feira cabisbaixa, até então obcecada pelos números das sondagens, que dão vitória folgada ao PS. Afinal, a credibilidade, supostamente apoiada no rigor tradicional das instituições inglesas, falhara com estrondo, e os conservadores haviam pulverizado todas as conjecturas. O entusiasmo tornou-se notório nos discursos e na gesticulação jubilosa de Passos Coelho. Os militantes do CDS não demonstraram igual regozijo. A festa não lhes pertence: é mais do parceiro de coligação. O CDS é uma rémora – existe porque alapado ao mais forte e tem de ter muito cuidado para subsistir. Quando Paulo Portas exagera (está em sua natureza) nas birras e nas infantilidades, imediatamente se desdiz, certamente aconselhado pelos companheiros mais velhos e sensatos. Mas é um parceiro imprevisível e imponderável. Passos Coelho está farto das traquinices de Portas, como se entende do panegírico recém-saído. Atura-o até quase à humilhação porque foi atingido pelo viagra do poder e porque representa interesses ávidos. É um homem tristíssimo, de rosto fechado e frio, assaltado de pequenas angústias quotidianas; além disso, pouco mais sabe fazer do que aquilo que faz: política e da má. Andava apoquentado com o seu futuro, mas aquela ascensão dos conservadores ingleses deu-lhe outro ânimo. Até se nota nos jornais e nas televisões suas afectas. Enquanto a apreensão de Portas é disfarçável, Portas é um actor de gabarito, António Costa parece não dar conta da ameaça. Tem-se quedado numa retórica de dizer mal do adversário e pouco mais. Esse "pouco mais" atormenta camaradas e amigos e, em geral, o português médio, cansados do arrocho nos lombos que lhes tem sido aplicado, com zelo e inclemência, pelo primeiro-ministro e os seus. E o regozijo dos PSD’s ao regresso das sombras do élan vitorioso devia, acaso, despertar mais a aparente indiferença dos dirigentes dos PS. As sondagens valem o que valem. É verdade. Mas se valeram, de forma retumbante, para os ingleses, o modo pode repetir-se em Portugal, pensam os do PSD. Que fazer para sacudir a indolência socialista?, cujas iniciativas se reduzem a um "estudo" sobre o que vão fazer. A apagada e vil tristeza do nosso viver ameaça ser uma praga lançada por gente maligna. Que fazer?

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