a ponte caiu


O reichsführer Macedo levou a melhor. Já não há manif na ponte. Vai-se quedar por Alcântara. Arménio rendeu-se. E este vai ficar, para a história da curta e trôpega democracia portuguesa, como um dos seus episódios mais aviltantes. Ao ponto a que as coisas chegaram, já só falta proibir ajuntamentos de mais de duas pessoas. Ou fechar a internet, para que alarvidades como as que aqui escrevo não andem por aí à solta. Impor o recolher obrigatório? O estado de sítio? O exame-prévio? A polícia internacional de defesa do Estado? A ditadura talvez. A ditadura claro, como é que não se lembrou disso há mais tempo? Já Salazar dizia que os portugueses não sabem viver em democracia, precisam de um homem providencial, abençoada a pátria que tal filho tem, salvador, benfeitor, um amor. Nós, do que precisamos é de ser corrigidos como crianças rebeldes, um safanão a tempo nunca fez mal a ninguém, a frigideira e a estátua ainda menos. Precisamos, enfim, que nos guiem as leituras, nos orientem a vidinha, nos tratem como os piegas, os iletrados, os esparvoados que somos.

Temos homem.

Temos Coelho.

Com a inestimável ajuda do reichsführer, do oberstgruppenführer, do brigadeführer, do sturmbannführer, do unterscharführer e, se estivesse vivo, do führer em pessoa.

Ainda estou com esperança de que a notícia do DN online seja falsa, que Arménio, na margem certa da razão, mantenha a ponte de pé. A ponte a pé sabe bem. Um pontapé sabia ainda melhor. Mas a polizei não me vai deixar.

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