orçamento de estado ou a nossa certidão de óbito?


É outra aldrabice de um governo que já nos habituou a tal: que este orçamento incidiria muito mais sobre a despesa (gastos do Estado em geral) do que na receita (impostos).

É verdade que incidiu sobre a despesa mas a despesa vital: corta nos benefícios dos cidadãos o que, na prática, equivale a subir impostos.

82% da redução de despesa traduzir-se-á em saques nos ordenados da função pública, em reformas, na Educação e na Saúde. Apenas 4% - repito: quatro por cento - serão provenientes de taxas sobre a banca, petrolíferas e redes de energia.

As reduções nos ministérios referem-se a cortes que prejudicarão directamente os cidadãos. Menos 525 milhões para a Saúde, onde os hospitais, relembro, já se recusam a tratar doentes com sida ou cancro e ainda vai ser pior. Menos 487 milhões na Educação, onde os professores são lixo e o ensino será, num futuro não muito distante, um luxo ao alcance só dos mais abonados. Menos 20 milhões para a cultura que é, aliás, o sector que fica com menos dinheiro (170 milhões de euros contra, por exemplo, 2 mil milhões para a Administração Interna).

Por outras palavras, os assessores, secretárias, consultores, motoristas e demais "boys in the job" continuarão de pedra e cal. A frota automóvel continuará a ser vasta e de primeira categoria, à país rico ou mais além. As fundações continuarão a chupar benefícios fiscais (excepto as que são de facto de interesse nacional e as que incomodem o governo). As swaps e PPP's continuarão a engordar bancos e grandes empresas. Departamentos do Estado que interessaria racionalizar, fundir, extinguir, continuarão pesados e onerosos como até aqui. Os pareceres jurídicos à razão de dezenas e centenas de milhares de euros continuarão a ser pedidos sem ponta de pudor. O dinheiro roubado pelos ladrões de gravata do BPN continuarão a não ser recuperados. As condições do empréstimo da troika continuarão a não ser renegociadas. A corrupção continuará a espalhar-se pelos mais variados organismos públicos sem que a Justiça faça o seu trabalho, com rapidez, coragem e dureza. O compadrio, o clientelismo, as cunhas, os jeitinhos, as negociatas por baixo da mesa continuarão a ser pecha nacional e a queimar o pouco dinheiro que nos resta.

Desde sempre, este governo tem optado pelo mais fácil: cortar salários e prestações sociais, aumentar preços e impostos, despedir pessoal a trouxe-mouxe, aumentar a carga laboral e a idade de reforma, reduzir feriados, liberalizar despedimentos e, finalmente, degradar de forma talvez irreversível todos os sectores do Estado ao serviço do cidadão.

Que sacanices falta ainda fazer? De que patifarias se terão esquecido?

Eles não vão ficar por aqui. Enquanto nos calarmos, enquanto não resistirmos e não batalharmos por todos os meios ao nosso alcance. Vale tudo. Antes que nos tirem os olhos.

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