a vida é doce e furta-cores

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"Estamos agora a viver mais de acordo com as nossas possibilidades", disse ontem, sem se rir, o primeiro-ministro de Portugal e de meia-dúzia de portugueses, Pedro Manuel Mamede Passos Coelho de seu nome completo, natural de Coimbra, por pouco de Santa Comba.

É a receita de Salazar, revista, actualizada e melhorada. Quando pensávamos que Portugal iria finalmente dar "o grande salto em frente" e recuperar o atraso de décadas, eis que nos surge pelo caminho dos abrolhos eleitorais a doutoral criatura, adepta dos "pobrezinhos mas honrados", dos "pobretes mas alegretes", do "para pouca saúde, mais vale nenhuma", do "não é desgraça ser pobre", do "numa casa portuguesa fica bem pão e vinho sobre a mesa", da caridade, do bodo aos pobres, das sopas do Sidónio, da esmola a fazer escola, a corroer o País como gangrena.

Portugal recua a olhos vistos e aproxima-se, cada vez mais, dos países do terceiro-mundo, na política salarial, no emprego ou na falta dele, no bem-estar social e na Educação, que se quer transformar numa fábrica de meninos ricos doutorados, a exemplo da proverbial figura, e de uma mole imensa de proletários, carne bastarda para o canhão desta guerra económica em que os maus estão a ganhar, porque a vida não é um filme nem o mundo é Hollywood.

Leio na web que Coelho faz anos a 24 de Julho. Proponho que se decrete feriado a 24 de Julho. Melhor: que a Avenida 24 de Julho se passe a chamar Alameda Mamede e que o Natal se celebre, a partir de agora, nesta data memorável. À beira da piscina, para quem tem piscina, do precipício para os demais. Dia de Mamede-em-Festa, do Senhor dos Passos, do São Pedro que nos escancara as portas do inferno.

Se tal não acontecer, a culpa é do Sócrates.

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