dos vendilhões de banha-da-cobra


Tem-se falado muito no muro de Berlim e na maravilha que foi a sua queda. Não sei se terá sido assim tão bom para os povos do leste europeu (para as máfias, as russas e as outras, foi bom de certeza absoluta). Mas, para mim, a queda do muro simboliza a ascensão do pior dos capitalismos. As consequências estão à vista. Hoje, sofremos na pele e na carteira os desfalques dos bancos, as aventuras da alta finança, a infernal e brutal ditadura dos mercados. Bolas para Berlim!

Manuela Moura Guedes, no programa A Barca do Inferno, espelha bem o pensamento primário de uma certa direita: ai a esquerda, esses perdulários, vejam lá que querem igualdade social, escola para todos, saúde para todos, pensões e salários condignos, a erradicação da pobreza, onde há dinheiro para isso tudo? Eu respondo: nos lucros astronómicos de muitas empresas com ligações à política e aos políticos de ocasião, nos off-shores, na corrupção, nos gastos principescos de um Estado poltrão. E ladrão.

A PGR arquivou o processo contra os dois funcionários da PJ acusados por Paula Teixeira da Cruz de boicotar o Citius. Ao que parece, a ministra inventou, com a ligeireza que a caracteriza, um bode-expiatório. Peça desculpas D. Paula. Outra vez.

Pedro Passos Coelho, em campanha eleitoral antecipada, chegou ao ponto - e ao indecoro - de afirmar que, ao contrário de Sócrates, criou 160.000 empregos. Já lá dizia a minha mãe: com as calças do meu pai até eu sou um homem! É que o IEFP, se mais méritos não tivesse, é altamente qualificado no que se refere à eliminação de desempregados das suas listas, e das inerentes estatísticas. Ele há os que recebem a sentença de trabalhos forçados em regime de escravatura, há os que vão fazer cursos e cursilhos e saem do rol da vergonha por uns tempos e há, também, aqueles que são eliminados por inacção. Eu explico: de tantos em tantos meses o IEFP está a exigir aos desempregados de longa duração, os que já não estão a receber subsídio, que declarem se querem ou não continuar inscritos no seu Centro de Emprego. Um truque velho: muita gente não dá importância ao postal, não acham importante responder, outros responderão fora de prazo, muitos serão erradicados da fatal lista de desempregados por estas e outras vias, expeditas e boas para a propaganda eleitoral.

Por falar em propaganda eleitoral: já não tenho pachorra para os ataques a Sócrates, o responsável por todos os males e mais alguns. Não que morra de amores pela criatura. Mas, em nome da moral e dos bons costumes políticos, esta gente devia mudar de cassete. Já chega. O repasto, cozinhado em 2010, está mais do que requentado. Enjoa. Enoja.

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