Não sei porque é que a esquerda, alguma esquerda, se insurgiu contra as palavras de António Barreto no seu discurso do 10 de Junho. Nem a constituição é uma vaca sagrada nem ela nos tem assegurado um sistema político impoluto e verdadeiramente participativo. Se a ideia é mudá-la de forma a melhorar a qualidade da democracia, torná-la verdadeira e não uma fantochada de que uns tantos se aproveitam em regime de alterne, vamos a isso! Alguns hipócritas, e há-os tantos por este desconsolado país, chamam anti-democratas, qualquer dia fascistas se para tanto lhes der na gana, que engenho e arte já têm, aos que, do 12 de Março às acampadas no Rossio e noutras praças de Portugal, têm vindo a reivindicar uma democracia autêntica. O povo vota, contrapõem essas luminárias, logo, se vota, há democracia. Esquecem-se, ou fingem esquecer-se, que a maioria absoluta pertence aos abstencionistas. E, destes, muitos não votam em sinal de protesto, outros não o fazem porque não se identificam com nenhum ...