Confesso a minha ignorância: nunca tinha ouvido falar em economia social. Sempre achei que não ter um tostão furado, dormir pelas ruas, recorrer à sopa dos pobres, eram cancros a erradicar da sociedade. Agora, já não. Graças aos homens bons que nos governam fez-se-me luz, fiquei a saber que a pobreza dá dinheiro, cria empregos, faz andar o País para a frente. Para a frente de um comboio, em jeito de suicídio. Fabricam-se desempregados para se criar emprego. Gera-se pobreza para se produzir riqueza. Tiram-se abonos de uns poucos euros para se atribuírem subsídios de muitos milhões. Recuámos aos tempos de Salazar. Ou pior. Pobrezinhos mas honrados, pobretes mas alegretes e, sobretudo, muito, muito empreendedores. A minha enxerga a céu aberto é melhor do que a tua. Lar, doce lar numa das barracas que voltarão a sujar a paisagem, uma esmolinha por caridade, um papo-seco por amor de Deus. Economia social, dizem eles. O deve e o haver das sopas que se dão, a contabilidade dos pães que s...