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o paulinho das rábulas

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Por Daniel Oliveira http://arrastao.org/ Paulo Portas é um artista. Como todos os bons artistas, não tem problemas em desempenhar vários papéis. Já foi rebelde, já foi estadista, já foi amigo dos lavradores, do "espoliados do Ultramar", dos ex-combatentes, dos reformados, das empresas, dos feirantes, dos trabalhadores. Já foi liberal e democrata-cristão. Já foi radical e desancou nos imigrantes e no RSI. Já foi moderado e cheio de preocupações sociais. Servem-lhe todos os bonés que a cada momento lhe convenham. O seu talento é inversamente proporcional à firmeza das suas convicções. Paulo Portas tem muitas vidas. E como nunca morre, vai cada vez mais longe no risco. Disse que deixaria de falar a um amigo se este fosse para o poder. Nenhum amigo sobreviveu à sua sede de poder. Já teve, quando foi candidato à Câmara Municipal de Lisboa, um cartaz em que jurava: "Eu fico!" Foi eleito vereador, não ficou e ninguém lhe pediu contas. Foi-se embora da lideranç...

a rainha da sucata

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Por Tiago Mesquita http://expresso.sapo.pt Nesta espécie de corte de sucata em que se transformou o governo, Paulo Portas continua igual a si mesmo. Por entre os pingos da chuva, munido das expressões "sentido de Estado" e "solidariedade institucional", vai, com ar pesaroso e preocupado, tocando, ocasional e estrategicamente, o fadinho que o parolo e o incauto gostam de ouvir. Os mais esclarecidos e atentos sorriem: "Lá está outra vez o Paulinho a fugir com o rabo à seringa, como se não fosse nada com ele". Para salvaguardar o futuro político, o brilho inexistente no seio do executivo aparece convenientemente, volta e meia, estampado no sorriso de Portas, como uma luz ao fundo do túnel. Um visionário. A verdadeira e única consciência social do governo. Adora o protagonismo, as luzes e a própria voz. Gere as ambiguidades e o suspense. Afasta-se das medidas antissociais, encenando teatrinhos patéticos na suposta defesa dos fracos e oprimido...

o estado dos ratos

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Por Luís Rainha http://www.ionline.pt Os ratos são os primeiros a abandonar o navio que afunda. Toda a gente imagina saber isto. Mas que pode fazer uma pobre ratazana, veterana de anos de luta pela prosperidade, quando se vê impelida a saltar borda fora de um barco condenado... mas a mil milhas da costa? Não adianta atirar--se às ondas; no meio da aflição, ninguém se lembrará de socorrer um mero roedor. Aguardar a chegada a bom porto parece-lhe apenas uma modalidade diferida de suicídio – a discórdia cada vez mais ululada da tripulação, as correrias em círculo do capitão e do imediato... tudo naquela nave de loucos grita ruína certa. O nosso rato teve uma longa carreira dedicada à gulodice. Devorou tudo o que lhe apareceu ante o focinho: proteínas, adversários, influência, segredos alheios, poder suculento. A condição de embarcadiço nestes navios comandados por principiantes é condição de acesso a cargas apetecíveis. Sem porões mal guardados ao alcance do seu fino faro, se...

o poder como manigância

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Por Baptista-Bastos http://www.dn.pt/ Graves e concentrados comentadores do óbvio precipitaram-se, entusiasmadíssimos, no discurso proferido pelo dr. Paulo Portas, domingo, acentuando o carácter "contundente" (disse um) do texto e a "notória divergência" (acentuou outro) com afirmações do dr. Passos Coelho, proferidas na sexta-feira anterior. A confusão, o despautério e o vazio de ideias grassam, infrenes, na Imprensa e nas televisões. Nem um anotador do facto revelou que o dr. Portas ocupara meia hora das televisões e do nosso pasmo para dizer rigorosamente nada. Melhor: para reafirmar a sua fé e a sua esperança, por igual intactas, no primeiro-ministro e nas suas sábias decisões. A fim de salvar as aparências, anunciou que defendera, com denodo e compaixão, os pobres pensionistas, aos quais, mercê dessa sua obstinação cristã, já não seria extorquida nem um cêntimo da reforma. E que, por sua intervenção, a idade limite para o trabalho não seria fixada em...

la mamma morta

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camarinha e a camarilha

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Ontem andei ao zapping, eu pecador me confesso. Os canais privados, os tais que iriam dar um novo impulso à diversidade, qualidade e pluralismo da nossa televisão, vão de mal a pior. Num canal, actores a precisar de dinheiro (que a crise toca a todos) sujeitavam-se a fazer figuras tristes por um punhado de euros. No outro, Teresa Guilherme, desbocada, alarve e seguramente ricaça, que o crime, neste mundo, compensa, apresentava o novo Big Brother dos famosos. Personagens que se tornaram "conhecidas" do grande público, uma porque fez uma perninha numa série de televisão, outra porque ganhou um qualquer galardão da Playboy, outro porque um dia cantou qualquer coisa (e, ao que parece, mal), outro porque é colunista social de língua afiada. Famosos, no pior sentido, vi só a Carolina Salgado (sim, essa, a ex-mais-que-tudo do vice-rei do Norte) e Zezé Camarinha, el-rei macho do Algarve. Portugal no seu melhor lixo, para usufruto das mentes que, convém, votam incondicionalmente n...

cidade à beira tejo

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Fotografias de Nuno Trindade https://www.facebook.com/NunoTrindadePhotography