para pouca saúde mais vale nenhuma, não é doutor macedo?

Não viva em Chaves. Nem em Bragança. Nem em Macedo de Cavaleiros ou Freixo-de-Espada-à-Cinta. Mas também não more no Porto, nem em Coimbra, ou Faro, ou Évora. Venha para Lisboa. Por enquanto, é cá que está mais seguro. Por enquanto. Se sofrer um traumatismo, se tiver uma síncope, se estiver quase, quase a bater a bota, o mais natural é batê-la de vez porque nem em Chaves, nem em Bragança, nem no Porto ou Coimbra e muito menos em Freixo-de-Espada-à-Cinta terá cabidela num hospital. Terá que vir para Lisboa, onde chegará se calhar já cadáver ou, pelo menos, a um passo do traque-mestre, de estirar o pernil.

Oiço muitos comentadores gabar Macedo, o ministro dos cortes na Saúde, mas cuidadosos, dizem eles, cirúrgicos, como bisturi habilmente manejado pelas mãos do homem que já foi do fisco, que sabe de dinheiros como ninguém e o dinheiro, como toda a gente sabe, e se não sabe devia sabê-lo, dá saúde, dá vida a um morto, ele, não o morto mas Macedo, é o homem certo no lugar certo, providencial como o outro, o doutor de Santa Comba.

Entrementes, há gente gravemente ferida que tem que viajar 400 quilómetros para ser socorrida, há outros com ataques cardíacos a quem a ambulância não chega ou chega tarde demais, há hospitais cujos serviços pioram de dia para dia por falta de pessoal ou de recursos, há idosos que deixaram de ter carcanhol para os medicamentos e há doentes que, sem pilim para as taxas moderadoras, que de moderadas nada têm, fazem gazeta ao médico.

Resta-nos um consolo: por este andar, a esperança média de vida vai baixar. Qualquer dia, vai poder reformar-se aos 63 ou coisa que o valha. Por mais que os galifões sacristas queiram a reforma a título póstumo, em jeito de homenagem ao querido defunto, um cidadão exemplar agora e na hora da sua morte. 

Ámen. À merda.

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