21/04/14

que bem fica o povo unido!

Ah!, agora sim, vale a pena celebrar Jesus e os seus onze apóstolos em Domingo de Páscoa. Milhares de pessoas, muitas sem emprego, tantas sem comida na mesa, sem futuro nem esperança de ter futuro, vieram aos magotes venerar os deuses dos ferraris, das melenas oxigenadas, dos pontapés na bola e na gramática.

Foi assim no Marquês. Assim será nas urnas onde, funestamente, se prolongará a longa quaresma dos portugueses, sem ressurreições, sem sábados de aleluia, com jejuns e sacrifícios que nos assegurarão um lugar no céu. 

Coelho, de chicote em punho e desprezo no coração, continuará a flagelar-nos e a conduzir-nos pela via sacra do empobrecimento, do envilecimento. O calvário não acabou, estamos vivos em pleno inferno.

Festejemos pois. Viva Jesus entre os ladrões!

Reinaldo Rodrigues/Global Imagens/DN

14 comentários:

Anónimo disse...

Dor de Barriga ? Rennie á venda nas farmacias

Anónimo disse...

Deves ser lagarto!

Manuel Cruz disse...

Nem lagarto, nem águia, nem nada. Apenas um português triste com o povo que lhe calhou na rifa. Anónimos incluídos.

Anónimo disse...

nao me parece que essa foto tenha sido tirada ontem

RIVUS disse...

Este texto está eivado de e tresanda a hipocrisia porque em ocasiões semelhantes nunca vi o seu autor escrever nada no mesmo sentido. Também nada tem a ver com política ou situações de vida porque aqueles que ontem compareceram no Marquês, aos magotes, como eu, não estiveram lá por adorarem os deuses da bola ou da política mas sim por um impulso expontâneo de qualquer irreprimível emoção pessoal. E acha que as emoções se devem esganar na alma quando elas nos surgem de repente? O autor do texto, pelos vistos, é um ser superior: tem emprego, tem comida na mesa, tem um risonho futuro á sua frente e, por isso, não cede a emoções. Donde então o escândalo? Será por aquela manifestação ter apresentado uma certa grandiosidade comparada talvez com outras acontecidas na Avenida dos Aliados ou pelos lados de Alvalade com meia dúzia de gatos pingados vindos de Vizela ou Gondomar? Na sua opinião essas não aconteceram também para venerar os deus da bola e não lhe mereceram um comentário semelhante? E já que no texto presente o seu autor recorre á analogia religiosa (de mau gosto) vou fazer o mesmo e dizer-lhe também: os fariseus e príncipes dos sacerdotes ao ver a multidão que seguia Jesus (o verdadeiro) num gesto teatral e de repugnância, rasgavam as vestes e clamavam indignados: blasfemaram. Toda aquela gente que ontem esteve no Marquês, aos magotes, poderia não ter emprego, nem pão, nem futuro e se calhar compareceu lá, quem sabe, para esquecer essas carências e esconjurar as mágoas, mas digo-lhe que, de todo, nunca prolongará nas urnas a quaresma dos portugueses porque o ódio aos Judas e Pilatos de que fala se mantém vivo e activo e juntar-se-ia novamente no Marquês ou noutro sítio qualquer para derrubar tais ídolos; assim apareça um caudilho que a possa guiar, o que parece não ser o seu caso pois, pelo que se depreende, não é como esses publicanos e sim um ser dotado e diferente. Aconselho-o a que, em face de tal provocação e para aliviar a sua repulsa, rasgue as suas impolutas vestes e proclame também com ênfase e agastamento: perdoai-lhes, Senhor, que blasfemaram.

Anónimo disse...

Olha-me este ar de superioridade, querendo por-se à margem de um povo, ridicularizando-o! Também fico triste com este "povo" à Manuel Cruz que me calha na rifa de vez em quando!

Anónimo disse...

O país está mau, a vida difícil, como se atrevem a sentir contentamento com o que quer que seja?! Que fiquem em casa a carpir, ou saiam para emigrar, mas Deus vos livre de se alegrarem, que a vida são dois dias e ambos para sofrer.

anamarta disse...

Coitados, não perceberam, nada do ue leram...

Tina Aguiar disse...

Uma salva a este texto.
Triste... muito tristes são comentários de "alguéns", que ainda por cima se deixam no anonimato, mostrando a sua falta de cultura e sabedoria perante a narrativa sarcástica e inteligente a este povinho. Estes mesmos cidadãos que um dia que vejam o governo cair, não sairão à rua, como ontem, para festejar, mas assistirão pela televisão sentadinhos no seu sofá e provavelmente sem entender muito bem o que aconteceu...

Ricardo Gaspar disse...

Calhou-nos um povo que é tão cego que não entende uma ideia tão clara. Claro que a clubite aguda deve afetar a visão, a inteligência e o bom censo...que tristes estes anónimo!

Anónimo disse...

O Futebol é assim em todo o Mundo, arrasta multidões independentemente da situação política que se viva.
A alegria vivida ontem em Portugal e nos quatro cantos do mundo pelos Benfiquistas, não significa estar alheio há situação política que se vive no País, muitos dos que ontem estiveram no Marquês e outros locais tem participado nas ações de luta, manifestações, vigílias, etc. etc. É preciso continuar a luta, só assim se consegue derrotar essa gente que nos (des) governa e rouba todos os dias.

Sónia Ribeiro disse...

Ui, Ui! Mais uma Jonet! Então os que têm emprego e comida na mesa são superiores, a esses dá-se o desconto. Afinal a culpa da falta de revoluções/manifestações sociais é dos pobres/desempregados, esses sim, têm a responsabilidade de fazer uma revolução e lutar contra um governo perverso, contra políticas que estão a conduzir o país a níveis terceiro-mundistas.

Enquanto existir PRECONCEITO nunca haveremos de ver o povo na rua pois o povo é constituído por todos, pelos desempregados, pelos empregados, os de barriga vazia e os de barriga cheia. O Povo. Ás vezes somos todos outras vezes são só aqueles que sentem na pele a perversidade a que TODOS nós assistimos de um modo permissivo.

Eis o que isto parece: os pobres não podem ter qualquer tipo de emoção ou euforia, pois têm que se redimir à sua condição de coitadinhos. Os outros até podem usufruir dessa capacidade humana. São uns felizardos!
Está mais que visto, a própria história o diz, que não são as camadas mais desfavorecidas que fazem a revoluções, por diversos motivos que a sociologia explica. Enquanto continuarmos a olhar para o nosso umbigo nada irá mudar, pois é mais fácil pedir aos outros fazerem aquilo que ninguém tem a coragem de fazer. A de LUTAR por um país digno, honesto e igualitário, a luta que deve ser de todos com a mesma força e empenho.

Continuamos a discriminar e a semear o preconceito. Uns porque são desempregados outros porque têm ferraris… há sempre bodes expiatórios para justificar a nossa apatia e inércia.

Manuel Cruz disse...

Sónia Ribeiro: longe de mim dar, ao meu texto, o sentido que lhe quis conferir. Leu mal e, pior, tirou conclusões precipitadas. Apatia? Inércia? Preconceito? Mas onde é que, por milagre ou algo parecido com telepatia, conseguiu tirar todas estas conclusões a partir de meia-dúzia de linhas? Ah, já agora, para sua informação, conto-me no lote dos párias desempregados. Felizmente, ainda não tenho a barriga vazia mas estou ao lado dos que a têm, se preciso é justificar-me seja de que "crime" for que tenha cometido.

Manuel Cruz disse...
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