13/12/16

chamem os bois pelos nomes!


Encarquilham-se-me as unhas dos pés de cada vez que ouço a palavra populismo, tão na moda entre os arautos da comunicação associal, para caracterizar os bois a que não ousam dar nome: os fascistas. Porque Le Pen não é (só) populista, é antes de mais fascista. Tal como Trump. A mentira exacerbada, a demagogia desenfreada, a violência verbal, a intolerância, a xenofobia, o apelo ao ódio, são apenas meios - populistas - para atingir os seus fins: o poder. Trump não quer, nunca quis as responsabilidades inerentes à presidência dos Estados Unidos. Quer poder pelo poder. É o seu brinquedo derradeiro porque a mansão dourada, os negócios espúrios, os logros milionários, a exploração atroz de colaboradores e parceiros, as gajas boas já não lhe chegavam para satisfazer a sua imensa vaidade, a fútil ligeireza do seu ser mesquinho e trapaceiro, nulo de valores, ideias, ideais humanos. Trump quis mais. E conseguiu, com o beneplácito de multidões que, tal como aconteceu com Hitler, viram nele o salvador, o regresso do D. Sebastião a que todos os povos almejam.

Reproduzo, a seguir, uma passagem do livro"O Eterno Retorno do Fascismo", escrito em 2010 por Rob Riemen:

"Qualquer pessoa que saiba um pouco sobre a história da nossa cultura, a história do declínio dos valores, do desaparecimento do espírito europeu, e que analise a nossa sociedade contemporânea, não poderá deixar de concluir que Albert Camus e Thomas Mann tinham toda a razão quando, em 1947, declararam que o fascismo é um fenómeno político que não desapareceu com o fim da guerra e que podemos agora descrever como a politização da mentalidade do homem-massa rancoroso. É a política utilizada por demagogos cujo único objectivo é o reforço e alargamento do próprio poder. Para esse efeito, explorarão o ressentimento, designarão bodes-expiatórios, incitarão o ódio, esconderão o vazio intelectual por trás de slogans e insultos roucos, e, com o seu populismo, elevarão o oportunismo político a uma forma de arte."

Palavras premonitórias. Aí temos Trump e, com ele, o regresso do fascismo a que urge pôr cobro. Antes que seja tarde para todos nós.

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