vamos indo


Pedro Coelho, a passos de tartaruga, vai soltando a verrina que lhe enche peito e neurónios enquanto perde fiéis e votos, pedindo ao seu Deus, a Merkel, a Schauble, como prenda de Natal e Ano Novo, o regresso dos reis-magos da Troika, a derrocada económica, a falência do Estado, o apocalipse da geringonça. Teresa Caeiro, oh suprema lata!, insurge-se contra o governo por nada fazer para evitar o encerramento da Cornucópia. Santana Lopes anda por aí em misericordiosa missão, vítima, coitado, de vistorias de mangas de alpaca e visitas de ramonas, sempiterno infante maltratado desde o berço, e até agora não está claro se concorre contra Cristas pela tomada de Lisboa ou se, qual Cristo, se sacrifica pelo bem comum da direita de extrema unção, presunção, água-benta e sebentas ambições. Os patrões, acagaçados com a réplica da arremetida comunista que Eanes e Soares rechaçaram nos idos de 1975, vitupera o PS por se deixar influenciar pela extrema esquerda e querer aumentar o salário mínimo nuns míseros euros, porque todo o dinheiro é pouco para os Mercedes à pato-bravo e para as férias com as suas Idalinas ou concubinas em Cancún e porque a vidinha está pela hora da morte e porque um burro se sustenta a palha, para quê dar-lhe fava e da rica? Medina Carreira e Tony Carreira continuam de vento em popa, ídolos das televisões e das multidões. Os jornais, as revistas, as televisões, a rádio, dão especial relevo ao mais do que provável aumento dos juros da dívida, plagiando Passos no mau agoiro e nos desejos pouco secretos. Os portugueses acorrem aos centros comerciais em demanda do presente de Natal esquecido do familiar à última hora lembrado. Abrem os cordões à bolsa, consomem, a bem da economia e para salvação da Pátria. Não há casa que lhes esconda os segredos, telenovela de que não saibam o novelo, polémica no facebook a que não acorram aos palavrões e aos pontapés na grafia e na gramática, sempre, sempre em defesa dos valores da tradição e dos bons costumes ventilados a todo o instante pela santa madre igreja. Nós, por cá, todos bem. Não há Aleppo, nem Trump, nem Putin, nem mil generais-cães-raivosos que nos tirem o sono e o sonho.

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