na rota da morte

Pobreza extremada. Escravatura. Poluição. Terrorismo. Guerras sem freio. A isto nos conduziram os modernos dias de apogeu da civilização, num mundo cada vez mais desigual, cada vez mais envenenado, cada vez mais assente no consumo, a via única para o progresso económico, dizem à esquerda, à direita, à saciedade. E os povos, os mesmos que enriquecem até à demência 1% da população mundial, trabalham mais horas por menos dinheiro e menos direitos, matam-se e morrem, mas elegem alegremente os seus algozes, admiram os ricos e os famosos, comem, no chão, as migalhas que caem das fartas mesas dos senhores do Universo, invejando-lhes o donaire, as vestes, os dourados das mansões de milhões, as colecções de arte, de carros, de escândalos. Voltámos à idade média. Nada aprendemos com o tempo e com os sacrifícios dos nossos mártires. Caminhamos para a destruição, o genocídio que se estenderá de Aleppo às favelas do Rio, aos casebres de Port-Au-Prince, às palhotas de Mogadíscio, aos campos de refugiados de Dadaab, Kakuma, Yida  Mas, aqueles que podem, que ainda conseguem, têm a favor da sua inconsciência os reality shows, a informação desgraçada, o refúgio das religiões, o escape do futebol e as compras, do último modelo automóvel, do último telemóvel, do último jogo electrónico, do último grito da moda, o vestido barato que tão caro saiu aos escravos das sweatshops. Vivemos, os que podemos, na grande farra. Até ao estertor final, ao qual não escaparão, fraco consolo, os Trumps e as trampas do pior capitalismo que nos foi dado viver. E pelo qual iremos morrer, de mãos postas em louvor de deuses, ditadores, investidores, empreendedores, rapaces negreiros de um tempo que se finda.



































































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