a caminho do paraíso


Estou contente. Palavra de honra. Ufano e aliviado, benza-me deus. Disse Manuel Pinto de Abreu, um desses secretários de Estado que nos sairam na tômbola eleitoral, que o leito do mar português vale 1 bilião de euros. Leu bem: 1 bilião daquelas moedinhas que o fisco tanto gosta de nos confiscar, uma por uma, porque se isto não for lá com taxas e impostos irá com multas, coimas, emolumentos, juros de mora e outros castigos purificadores. 

O que eu não percebo, mas pode dar-se o caso de ser mais esperto do que eles, é porque é que o governo ainda não privatizou o mar  (o que é que o António Borges anda a fazer? A dormir na forma?). Até podia ser, dou de barato, por metade do bilião. Dava para pagar a dívida e ainda sobrava um ror de maçaroca para repartir pelos amigalhaços do costume. Postos, que eles não são parvos, no bom recato das off-shores.

Claro que governo que se preze, e este preza-se de o ser, ainda para mais patriótico como nunca houve outro em Portugal, não deixaria de insistir, sem dó nem piedade, na resolução dos nossos "problemas estruturais" e no "reajustamento" da economia. Há que, caramba!, meter os portugueses nos eixos. Há que desalentar os jovens e martirizar os velhos. Despedir os calaceiros. Esmifrar quem andou a viver "acima das suas possibilidades". Exterminar esse inconcebível luxo que é o Estado Social, responsável por todos os males do  País (que digo eu? Da Europa!). Empobrecer mais e mais este povo pária, madraço, desorganizado e desordeiro que habita Portugal.

Enfrentemos os mares. Saqueemos. Pirateemos. Afundemos o país enquanto é tempo. O paraíso está já à vista, ali ao virar da esquina.

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