que povo é este, que povo?


Uma investigação do sociólogo Lourenço Xavier de Carvalho demonstra que, quanto mais escolarizado e abonado é o português, maior o seu desprezo por valores como a justiça, a honra ou a solidariedade. Quanto aos demais, acrescento eu de minha lavra, na sua larga maioria sofrem calados, sem qualquer participação cívica, sem qualquer acto de protesto a não ser o inócuo desabafo ou insulto à mesa do café contra os governantes actuais ou contra Sócrates, o culpado de todos os nossos males, como lhes fizeram acreditar.

Pior ainda, temos a memória curta. Daqui a uns tempos, depois de umas migalhas atiradas, com estratégia e velhacaria, à cara dos portugueses, todos se esquecerão que esses "benfeitores" são os mesmos que os empobreceram metódica e friamente durante anos a fio.

E mesmo que, num assomo de lucidez difícil de acreditar, os portugueses elegessem finalmente um governo que zelasse pelos seus interesses, a chantagem dos "mercados", a imediata subida de juros para valores astronómicos, não iriam paralisar a sua actuação e fazê-lo soçobrar?

Num mundo que se diz globalizado, só uma solução global poderá evitar a tragédia final. Mas, para isso, é preciso que os povos acordem. Que derrubem o poder dos "mercados", esse ser anónimo que, ditatorialmente, substitui os governos e semeia a injustiça. É ele o nosso inimigo. Coelho, Rajoy, Hollande, Merkel, Cameron, Samaras, Letta, são apenas serventuários, pequenos mandaretes ao serviço dos seus amos, os senhores da Terra, os que põem e dispõem das vidas de biliões.

Não votamos neles. Não lhes conhecemos as caras. Mas são os mercados, e não o povo, quem mais ordena. O Absolutismo, que a História tinha derrubado, voltou e com mais força. Está em toda a parte. Omnipotente. Omnipresente. Como um deus da hecatombe.

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