voltaram os cómicos!

Ontem vi, em diferido, o Prós e Contras de segunda-feira. Não me vou alongar sobre o programa em si. Mais do mesmo, sob a batuta bem domesticada da "moderadora". Salvo Raquel Varela, todos os ilustres convidados vieram prestar serviço aos prós, com uma ou outra nuance a fingir de contra, tendo até voltado à ribalta o célebre empreendedor de feiras e romarias, o cómico Gonçalves contratado por Relvas, um pequeno comediante de verbo fácil e raciocínio difícil.

Ao que venho, aqui, é para comentar o tom geral do "debate", comum a tantos outros "debates": os defensores da rapacidade reinante apresentam-se, invariavelmente, como os paladinos da razão e da moral, transformando em maus da fita exactamente aqueles que, sempre em desvantagem em programas desta natureza, ousam condenar os senhores do dinheiro, os únicos, benza-os deus, que produzem riqueza "para o País", os que criam emprego (à razão de 500 ou 600 euros por cabeça), os pobres banqueiros a quem andamos a pagar as contas, o arguto governo da Nação, leal servidor do capital salafrário.

Os comunistas, os bloquistas, os socialistas (verdadeiros) e outra esquerdalhada a pedir auto-de-fé, o que querem é a desgraça do País: a renegociação da dívida, a distribuição equitativa da riqueza, salários dignos para todos, a condenação exemplar de corruptos e afins, justiça fiscal, um Estado Social que promova a solidariedade, nunca a caridadezinha das sopas do Sidónio.

Uma imoralidade. Toda a gente sabe que um país, qualquer que ele seja, é pertença de uns poucos, dos mais ricos. Os outros são simples gado na engorda dos mercados. Que mal há nisso?

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