a culpa foi do sócrates!

Juro que não gramo o Sócrates nem com água de rosas, muito menos com molho de tomate que é vermelho, credo!, mas quando oiço a direitíssima manada que nos governa culpá-lo, ou pior, culpar-nos a nós que, tendo dos salários mais baixos da Europa ainda assim tivemos o arrojo de andar a viver acima das nossas posses, confesso que me dá cá uma raiva difícil de suster.

A crise, para quem ainda não tenha dado por isso, despoletou-se nos Estados Unidos em 2008 e espalhou-se ao comprido, atingindo a Europa e, claro, as economias mais fracas primeiro. Porque são sempre os pobres que pagam as crises, já se sabe, sempre se soube mas, ainda assim, custa a engolir tal a dimensão da cabrada.

Lá, pelos States, foram a Lehman Brothers, a AIG e outras seriíssimas instituições financeiras, que julgaram, e ainda julgam, que o mundo é um casino e que cada país é uma roleta onde podem jogar e perder o que quiserem porque alguém há-de pagar, não eles, meros jogadores de ocasião. Por cá, já são muitos os escândalos, os rombos, os casos de polícia, desde o BPN, cujos responsáveis andam à solta ou quase, até ao mais recente affaire do BES, da omnipresente, omnipotente e se calhar omnisciente família Espírito Santo, não da Santíssima Trindade, longe disso apesar de venerarem o seu Deus, que não é o mesmo Deus dos pobres, mas os Espírito Santo da alta, os mais finos entre os finos, a nata da nata, o crème de la crème neste torrãozinho povoado de invejosos, paupérrimas e desprezíveis criaturas que não sabem amealhar um tostão, uns perdulários que nunca hão-de passar da cepa torta, ignorantes, crédulos, estúpidos.

Se, nos idos de 75, a sagrada família sobreviveu e enriqueceu ainda mais, não há-de ser agora, por uma ninharia, uma merdice, que vão pelo esgoto abaixo. Os piaçabas para toda a obra, o povoléu encardido, cá estará para lhes limpar a porcaria e, no final, pagar a conta.

Santos da casa, com o Senhor dos Passos à cabeça, fazem milagres. Nós aguentamos. Ai aguentamos, aguentamos. Só precisamos de chamar a D. Inércia, para que o crime fique sem castigo, e de culpar o contabilista.

E o Sócrates. Não esqueçamos o Sócrates.

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