pornografia eleitoral

Eu sabia. Eu sabia que a campanha eleitoral ia ser suja. Mas tanto descaramento, meus amigos e amigas, é que estava longe dos meus receios mais pessimistas. Isto, este cartaz, é de um arrojo de meter nojo, de um desplante digno de meliante, de uma falsidade tão falsa como falsa é a felicidade das criaturas que lhes serviram de modelos, um avô a quem roubaram pensões, os netos a quem negaram o futuro. 

Eles prometem que não prometem. Mas prometem, claro, é tudo o que têm para dar, em promessas dão meças. Comprometem-se sem se comprometerem. Mentem sem nunca o admitirem. Juram em vão. Sorriem em vão. Falam em vão,  num qualquer vão de escada, associação recreativa, lugarejo onde vão inaugurar o Centro de Saúde que já funciona há dez anos e o chafariz que já deita água há três. E as televisões, pressurosas, atestam-lhes os microfones para que possam bolsar visões do paraíso que aí vem, para os ouvir condenar os malandros socialistas, perdulários até mais não, únicos agentes da corrupção que a outra gente, a da sua laia, é impoluta, mesmo quando lhes chamam filhos da puta, escroques, canalhas, gatunos, bons alunos da mestre-escola maldita. Eles agitam-se, agitam papões, bancarrotas, derrotas, terramotos, maremotos e até, se Costa galgar ao poder, e espero que sim embora não vote nele nem que Cristo desça à Terra e Marcelo Rebelo se cale, se Costa chegar a primeiro, atingir-nos-á o apocalipse e uma governação mais radical e mortífera do que a do Estado Islâmico, será uma bomba, sempre a bombar em despesas que pagamos e não bufamos. Medo, chantagem, mentiras, promessas, armas de uma coligação que, se não existisse, tinha que ser inventada. Por um cientista maluco ou um cérebrozinho malfazejo ou um qualquer sádico de bigodinho aparado e de braço esticado, enamorado das Portas por onde ressoam Passos de botas cardadas, hinos militares, bebedeiras descomunais e suásticas no coração e na ilusão.

Eu sabia. Faz calor. A ventoinha gira sem parar e os salpicos de lama atingem-nos, emporcalham-nos se não soubermos agir à viva força. Com a força que a razão tem.


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