a ditadura

Podemos criticar o governo, por vezes com palavras cruas. Ainda. Podemos ir para a rua gritar o que nos vai na alma. Ainda. E podemos votar de tantos em tantos anos, levados, levados sim, pela propaganda, pelo marketing político, pela publicidade enganosa, por quem tem mais dinheiro para oferecer, por mercados e feiras, num arraial de promessas, sorrisos e enfastiados beijos, esferográficas, sacos de plástico, bonés, porta-chaves com o logótipo do produto à venda, constituído por candidatos a deputados, a ministros e primeiros-ministros, a presidentes de câmaras, da República, disto e daquilo, para isto e para aquilo menos para a causa, a coisa pública. No entanto, vivemos em ditadura. A ditadura de quem ganha eleições para manter os privilégios de alguns em detrimento da maioria. A ditadura de quem impõe sacrifícios contra a opinião e os interesses de quem os elegeu. A ditadura de quem nos trata como números, meros dados estatísticos e pagadores de impostos, nunca pessoas com sentimentos, desejos, necessidades, tantas vezes das mais básicas. A ditadura de quem, cegamente, segue em frente na destruição do Portugal construído nas últimas décadas. De quem nos aponta o bom caminho, o único caminho, o caminho ditado, ditatorialmente, pelos nossos credores e santos protectores. Podemos não ser presos por dizer o que pensamos. Ainda. Mas, para além do voto, não temos mais voto na matéria. E estamos a ser vigiados, os nossos passos são controlados, a nossa indignação contrariada pela repressão policial, abatida indiscriminadamente sobre gente pacífica e não tanto sobre uns quantos rapazolas inspirados, instigados sabe-se lá por quem, sabe-se lá para quê. 

Vivemos em ditadura. A palavra democracia não é para aqui chamada.

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