a farra dos sacripantas


Viva! Viva! Viva! Três grandes vivas para o ministro Gaspar, a quem gosto de tratar por sinistro Raspar e que, ontem, anunciou com toda a pompa e circunstância que Portugal está no bom caminho, as Finanças, a Economia, o tecido empresarial, as famílias vivem tempos dourados (a aurora dourada brilha sobre todos os portugueses) e que, se há pobres, se há desemprego, se há gente desesperada, se há suicídios, isso são os danos colaterais de qualquer guerra e, não tenhamos dúvidas, é em guerra que estamos, dos anafados da vida engalfinhados, numa luta de vida ou morte, contra os pelintras da Terra. Este orçamento vai ser aprovado com o beneplácito da maioria parlamentar. O Estado Social vai desabar. A miséria vai alastrar. O bacanal dos nababos é para continuar.

A talhe de foice, deixo aqui uma sugestão ao ministro da Caridade: sabendo-se que, fruto da crise que instigam e ampliam com o orgulho do dever cumprido, aumentou consideravelmente o número de mães a abandonar os filhos recém-nascidos, sugiro-lhe que, no âmbito do processo revolucionário em curso para regresso à Idade Média, se reponham as rodas à entrada dos mosteiros, conventos, abadias e demais casas de Deus isentas de IMI e de outras extorsões terrenas.

Também não veria com maus olhos a reposição dos autos-de-fé para os renegados, os hereges que andam pelas ruas a protestar - ou em blogues a instilar veneno na populaça - mas, sei-o, isso já não é do seu pelouro. Se puder, contudo, dar o recado ao Dr. Macedo, ficava-lhe muito agradecido.

Portugal tem que mudar. Se não for a bem, que vá a mal. Não façam a coisa por menos.

Imagem: http://wehavekaosinthegarden.wordpress.com/

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