papá, dá-me um chupa


O bebé pediu-lhe um chupa. O homem agarrou-o ao colo, saiu do café com lágrimas nos olhos, não tinha dinheiro para o chupa que o seu menino lhe pedia, não tinha nada para lhe dar. Deambulou pela aldeia com o menino nos braços e, com ele nos braços, mergulhou nas águas de um poço. Morreram os dois. O pai, de 42 anos, e o menino, de dois.

Foi algures numa aldeia que não vem nos mapas, lá para os lados de Viana.

Os escribas ao serviço do governo e do pior capitalismo que o mundo conheceu até hoje não tardarão, incansáveis, prestimosos, em esclarecer as verdadeiras causas do "acto tresloucado", que nunca terão sido a fome, nem a perda de emprego, nem a falência ou qualquer outra desgraça. Que o homem seria um alcoólico, que andaria em tratamento psiquiátrico, que estaria em litígio com a mãe pela posse do menino. E os governantes, governadores da banca de Portugal, dormirão em paz. O ajustamento tem que se fazer, custe o que custar. Mesmo que custe mortes. De meninos que só queriam um chupa. E viver.


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