quem avalia os avaliadores?

Por Viriato Soromenho-Marques
http://www.dn.pt

Vítor Gaspar nem se esqueceu das piadas antikeynesianas, que são habituais nas aulas de um professor de orientação monetarista. O problema é que Gaspar não falou como professor, mas como ministro. Nessa condição deveria ter pedido desculpa aos portugueses pela falta de rigor e ausência de credibilidade dos seus cálculos. Em outubro, a previsão para a queda do PIB, contida no OE 2013, era de -1%. No início de março, no Parlamento, Gaspar esclareceu que se tinha enganado. Afinal a queda será de -2%. Um académico honesto teria dito que o seu engano era de 100% (a previsão passava de -1% para o dobro, -2%), mas, Gaspar resolveu fazer-se de ingénuo, dizendo que o engano era de 1%. Afinal, a recessão vai ser de -2,3%, se ficar por aqui... Gaspar está bem acompanhado, na incompetência, pelos técnicos da troika. Em agosto de 2011, a troika efetuou uma série de previsões para 2013 que se mostraram totalmente erradas: um crescimento de 1,2% (!); a taxa de desemprego abaixo de 14% (agora a previsão é de quase 19%); a dívida pública perto dos 114% (na verdade, em final de 2012 já estava em 122,5%). Os políticos são punidos pelas eleições e pela história (o nome do primeiro-ministro ficará na sinistra galeria dos anti-heróis da História de Portugal). Os académicos, quando erram, perdem reputação e emprego. Gaspar e os seus colegas da troika pertencem a uma casta híbrida de inimputáveis. Quando lhes são pedidas responsabilidades políticas, dizem: "somos apenas técnicos". Quando lhes são apontados os erros científicos, respondem: "O nosso trabalho está condicionado pela política." Até quando poderá uma democracia suportar ser aterrorizada por incompetentes e irresponsáveis?

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