fuck you all!

Eu sei. Eu sei que comemos McDonalds, Burger King, KFC. Eu sei que os filmes distribuídos por cá são, na maioria, americanos. As séries que passam na televisão, salvo honrosas excepções, têm o carimbo Made in USA. A música que ouvimos é quase sempre americana ou, quanto muito, dos seus primos britânicos. Sei tudo isso. Mas também sei que, apesar desses pesares, não estamos na América, não precisamos de nos comportar como tal. De perseguir os fumadores como sendo criminosos da pior espécie. De louvar as virtudes do capitalismo. De atropelar colegas, se for preciso trucidá-los, para subir na vida. De competir com outros desde os bancos da escola, para sermos os primeiros, os melhores em tudo mesmo que este tudo inclua as maiores vilanias.

Vem o aranzel a propósito de um programa inventado ou pelos americanos ou pelos seus primos britânicos, para o caso tanto faz porque a parcimónia e a fleuma se ficam pela família real e pelos seus súbditos de "alta linhagem", os que se armam ao pingarelho e ainda vivem na pompa e na circunstância de uma fidalguia sobrante e, felizmente, soçobrante. Falo dos Ídolos. Nele, miúdos ingénuos, que não sabem nem sonham onde se estão a meter, vão dar o corpo ao manifesto, expor-se para gáudio da populaça que não perde "os cromos" nem por nada. Os que cantam mal, mesmo muito mal, são alvo de chacota, de chicotadas no amor próprio. Os que cantam sofrivelmente são mesmo assim objecto dos comentários contundentes de um júri que, no actual caso português, é constituído por seres arrogantemente convencidos da sua superioridade e elevados conhecimentos de música e de vedetismo pacóvio. É repugnante ver a forma como estes miúdos são humilhados e escorraçados em plena praça pública em prol das audiências, das receitas publicitárias, do dinheiro, nunca como agora tão vil metal.

Hoje, é notícia que um dos ganapos ridicularizados no programa se fechou em casa e se recusa a ir à escola. Segundo se diz, a SIC poderá ser alvo de processo judicial. Que sejam condenados, TV e jurados, são os meus votos. Ainda não vale tudo. Ainda não chegámos à América. É Lisboa, não é Lisbon. Fuck you tem, por aqui, equivalência bem mais sonante e bruta. É isso, traduzam: fuck you all!

Comentários

urantiapt disse…
Concordo em pleno.
Mas não podemos esquecer a responsabilidade dos pais neste processo todo.

Enquanto nós Tugas, nos alearmos na porcaria que a televisão envia para dentro das nossas casas, que exemplo lhe estamos a dar?

Temos todos que acordar.

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