não se paga, não se paga



Por Fernando Dacosta

Coitados dos subsídios, os que eram, em tempos distantes, recebidos no Natal e nas férias! Coitados deles, vêem-se agora, depois de torpes tentativas de extinção, transformados em armas de arremesso (de vingança, de maldade, de chantagem, de ganguesterismo) por parte de uma pífia parelha que dizem governar Portugal.

Ora os tais subsídios, coitaditos, não nos aqueciam, como se sabe, a carteira: voláteis, entravam por um lado e logo saíam por outro, por (imensos) outros. O do Natal ia-se nas compras para ele, Natal; o das férias para as mesmas e, supremo embuste, para os cofres de quem, sob a entusiástica forma de IRS, o entregava. Ou seja, nós apenas servíamos de intermediários tansos; recebíamo-los com uma mão e largavámo-los com a outra. Uma rapidinha monetária.

Este ano tudo mudou: depois de no-los terem querido palmar – o rapinanço era tão desavergonhado que o tribunal teve de intervir –, agora só os pagam lá para o Outono, ver-se-á, ver-se-á, que é para refrescar os calores constitucionais dos intrometidos meritíssimos. Com toda a lata, a parelha justifica-se dizendo que o faz por não dispor de “meios necessários e suficientes”, existindo assim “inconsistência entre a obrigação legal de pagar e os limites orçamentais”.

Fico descansado. Eu que ia saldar o IRS em Agosto com o mês suplementar de Junho, já tenho razões legais para comunicar às Finanças que este ano os meus “limites orçamentais não dispõem de “meios necessários e suficientes” para respeitar tal compromisso. Se o argumento vale para o Estado (que não nos pagará juros), também vale, por iguais razões, para o cidadão – que também os não pagará. Estupenda democracia – esta!

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