o regresso de portugal aos alegres tempos do salazarismo


Segundo as estatísticas, os portugueses trabalham mais horas do que qualquer povo desta coisa a que se convencionou chamar União Europeia, mas que de União não tem nada. Segundo as estatísticas, só os búlgaros viajam menos do que os portugueses que, até cá dentro, gozam menos férias a não ser nas suas casas com, quanto muito, umas idas à praia e uns biscates para equilibrar o orçamento. No entanto, os Coelhos, os Cavacos, os Ulrich, os Catrogas, os Belezas, os Borges, os Mexias, os Mira Amarais, as Merkel, os Barrosos e os seus papagaios amestrados ousam apontar-nos o dedo, acusando-nos de ter vivido acima das nossas possibilidades. Dizem-nos que é preciso acabar com os privilégios que conquistámos com Abril, luxos que eles, empresários e serventuários sempre prontos a baixar as calcinhas aos seus amos, não aguentam conceder. Juram-nos que os alemães trabalham mais do que nós, que os ingleses têm menos férias do que nós, que os nórdicos têm menos feriados do que nós, que fomos estragados com mimos, que temos dinheiro a mais, direitos a mais. Dinheiro e direitos que, agora, nos vêm sonegar despudoradamente, vilmente, alarvemente. E, por cada direito que nos roubam, justificam-se com estudos aprofundadíssimos, dados indesmentíveis (mas nunca revelados) que demonstram, à saciedade, que as leis a implementar por cá para nos tramar, e tramar nem sequer é a palavra que merecia ser escrita, estão em sintonia com as que se praticam no resto da Europa. Por isso trabalhamos mais, ganhamos menos, viajamos menos, temos menos protecção no desemprego, na doença, na velhice. Para que, de europeus, tenhamos os deveres. Nunca os benefícios. Tratados como párias, enriquecemos os verdugos.

Diz-se que dos fracos não reza a história. E dos sacanas, dos mentirosos, dos bandidos e bandalhos de que o poder é feito?

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