foge, cão!



Por Joana Amaral Dias
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No século XIX, Almeida Garrett ridicularizou a distribuição estonteante de títulos nobiliárquicos com a fórmula "Foge, cão, que te fazem barão. Para onde? Se me fazem visconde?". Enfim, era um sintoma da decadência do regime, glosado também por Antero de Quental ou Teixeira de Pascoaes. Agora só nos faz falta um satírico desse gabarito, posto que Presidente das Medalhas já temos: chama-se Aníbal Cavaco Silva e acabou de condecorar – já depois de ter premiado figuras gradas da nossa bêbeda democracia como Zeinal Bava – a própria troika (através do ex-ministro das finanças Teixeira dos Santos) e, claro, o estilista da sua amantíssima esposa. Calma: o senhor que veste a dita Primeira-Dama teve mesmo direito ao mais alto grau de uma das principais condecorações, a comenda de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, habitualmente atribuída a quem preste serviços relevantes a Portugal, no país e no estrangeiro, assim como serviços na expansão da cultura portuguesa, da sua história e dos seus valores. E agora? Ainda é preciso explicar mais alguma coisa sobre a putrefação da República? Fui.

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