16/06/15

quando os povos são tratados como bandidos e os bandidos como heróis

Já não bastava o assédio do Fisco, da Segurança Social, dos Bancos, da Brisa, das Águas, da EDP, da Telecom, quando lhes devemos meia dúzia de euros e não cabemos em nenhuma lista VIP. Agora, também as nossas transacções bancárias de 1000 euros para cima vão andar rigorosamente vigiadas. Se passar uns cobres para a conta da sua mulher, que está sem cheta, se fizer um empréstimo a um amigo em apuros, se depositar uma milena ou duas na conta do seu filho, que está desempregado e precisa de ajuda para dar de comer aos seus netos, saiba desde já que vai ter as autoridades à perna, vão massacrá-lo, querer saber o destino do dinheiro, espiolhar-lhe a vida, inventariar-lhe os rendimentos, esmiuçar-lhe os gastos, os luxos de quem vive acima das suas possibilidades.

Enquanto isso, enquanto somos tratados como autênticos chulos do Estado e criminosos do pior calibre, as nível de um Al Capone, os verdadeiros bandalhos continuarão a passar não mil, não dois mil, mas muitos milhões para as suas contas off-shore. Continuarão a abrir empresas fictícias em paraísos fiscais ou a passar as suas sedes para países "amigos" do empreendedorismo, de afável fiscalidade. Continuarão a fazer negócios chorudos com o Estado que nós pagaremos em devido tempo. Continuarão a corromper políticos com dinheiro de que serão ressarcidos mais tarde ou mais cedo, por nós. Continuarão a exigir salários baixos porque não podem pagar mais. Precariedade porque não podem contratar mais. Despedimentos gratuitos porque indemnizações são um escândalo e uma imoralidade. 

Continuarão a eleger Passos e comparsas como parceiros de negócios e heróis nacionais. E, nós, além de bandidos, seremos até ver os seus porquinhos-mealheiro. Pau para toda a obra. Carne cada vez mais barata. A caminho da indigência porque, ou nos falta coragem, ou nos falta inteligência.

2 comentários:

Gustavo Carneiro disse...

Fonte desta noticia?...

Manuel Cruz disse...

Todos os órgãos de comunicação social, meu caro.