"é triste ter que pensar que isto vai a jogar"

Sou só eu quem acha que "o fantástico sorteio de sensacionais automóveis" pelos contribuintes é uma coisa abjecta, digna da mais tresloucada República das Bananas?

Para combater o fisco, e à falta de fiscais ou da vontade de os ter, o Governo não vai de modas: faz de cada português um fiscal, acenando-lhe com a possibilidade de vir a ganhar um belo carrinho, daqueles topo de gama com que tantos portugueses sonham para se pavonearem pela vizinhança.

A não ser em certas despesas, para as quais sempre pedi factura, aviso desde já os senhores das Finanças que não dou o meu NIF por dá cá aquela palha, muito menos por um café ou um papo-seco. Mandem-me prender. E metam a viatura, aquela que nunca me vai sair, onde melhor vos aprouver.

Eu também estou contra a economia paralela. Frontalmente contra. Até porque são alguns dos mais ricos, dos mais ricos gatunos do País para ser mais preciso, que fogem aos impostos: veja-se o caso das grandes empresas que ganham o carcanhol em Portugal e vão pagar os impostos na Holanda, onde lhes sai mais barato, ou os que fogem com as suas fortunas para paraísos fiscais. A estes nada se faz, continuam incólumes a coberto das leis ... ou da falta delas.

Mas não é assim, com vergonhosos engodos, que se vai lá, até porque esta medida não atinge nem aflige os que mais fogem ao fisco. Esses continuarão a facturar pela calada. Esses serão os primeiros a pedir facturas, até porque têm muito dinheiro para gastar e, insaciáveis, aguardarão o momento em que um carro de luxo lhes irá parar à porta pago pelos otários, todos nós. E, convenhamos, eles gastam 10, 20 ou 30 vezes mais do que o comum dos cidadãos, multiplicando-se por 10, 20 ou 30 as suas probabilidades de ganhar.

Cito Ary, "é triste ter que pensar que isto vai a jogar", com a amargura de quem vê o seu país ser destruído, a cada dia que passa, por uma maralha ignóbil.

A partir de Abril anda a roda. A dos enjeitados.

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